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Nikolaj II poderia salvar a Rússia

uma diputada da Duma venerando Nikolai Romanov

I. “Perdoe-nos, Nikolai…”

Nos dias 16/17 de julho o oficialismo e a İgreja Ortodoxa Russa celebram o aniversário da morte dos Romanov.

Nas rodovias aparecem os cartazes com a imagem de Nikolaj II: “Perdoe-nos, senhor!”. Pode-se ver pessoas nas camisetas com a imagem de Nikolaj II e com a bandeira imperial: “Pelo império russo!”, “Deus, Czar, Nação”, “Somos russos”, etc.

A mensagem do oficialismo é que a Rússia dos Romanov era um grande e próspero império, destruído pela quinta coluna, chefiada pelos «judeubolcheviques» e outras minorias étnicas. “Os revolucionários possuídos por Satanás e pagos pela Inglaterra e Alemanha martirizaram os Romanov, incluindo as criancinhas”. Uma das versões mais psicopatas afirma que a cabeça de Nikolaj Romanov (depois de um assassinato ritual judaico, claro) foi cortada e colocada logo …no escritório de Lenin.

Tais bobagens literalmente são pronunciadas pelo presidente adjunto do Parlamento (partido governante), pelos diretores de cinema (que filmam produções medíocres com dinheiro estatal transmitindo esse lixo) e pelos milhões de popes (padres da Igreja Ortodoxa Russa) omnipresentes (na televisão nacional, nas escolas também).

Esse preconceito putinista é compartilhado pelos monárquicos, nacionalistas, neonazistas e por uma parte dos liberais.

II. O conteúdo real do mito

2 Oscars para promover o culto de Nikolai Romanov

…E quase por todos os turistas, que acompanho em Moscou! Graças aos desenhos animados lacrimosos sobre Anastasia, produzidos em massa no Ocidente (entre eles o que foi produzido em 1997 pela Fox) com a ideia de legitimar a restauração da monarquia na Rússia. A ideia que foi bastante atual no tempo de Yeltsin, hospitalizado permanentemente devido a seu alcoolismo. E até hoje o “roteiro espanhol” tem seus torcedores entre as elites russas (é quando um ditador põe um rei para legitimar a continuação perpétua do poder de seu grupo governante, como fez Franco).

A sociedade russa ainda não degradou suficiente para aceitar este marasmo, mas tudo é possível neste mundo. O projeto da restauração da monarquia originalmente foi promovido pelos brancos, que perderam a guerra civil e fugiram para Europa (perderam a guerra não obstante a ajuda dos 14 países estrangeiros que invadiram a Rússia!). A Igreja Ortodoxa Russa no Exterior tomou a responsabilidade por esta mitologia vulgar dos Romanov. Mantida pela Inteligência do Terceiro Reich nos anos 1933-1945, a Igreja Ortodoxa Russa no Exterior depois da Segunda Guerra foi financiada por CIA e agora depois de M&A com a Igreja Ortodoxa Russa, a Igreja, já unificada, tem todo apoio dos governos de Yeltsin e Putin, e como é sabido, a mentira repetida mil vezes torna-se verdade.

III. Os desajustes do mito

Se pode trollear os fãs de Nikolai II, dizendo, que Pedro, o Grande matou seu filho Alexej – por que não vamos canonizar esse Alexej também? Também foi assassinado Pedro III (com consentimento de sua mulher Catalina II), por que não vamos chorar por esse Pedro III? Todo o século XVIII foi uma série dos golpes palacianos, ou resulta que os Romanov podem ser assassinados só por outros Romanov? Mas neste caso temos que canonizar também Alexandr II, assassinado pelos radicais 36 anos antes da Revolução. Este não foi assassinado por outros Romanov, senão pela “plebe”. Nenhum destes czares foi feito recusar a religião ortodoxa. Ou seja, igual ao Nikolaj Romanov nenhum deles tem a ver algo com o martírio ortodoxo.

Outro dado para pensar. Como a Igreja Ortodoxa Russa no Exterior inventou o culto do Nikolaj Romanov sem saber de todos os detalhes do caso, segundo o mito os corpos dos Romanov foram liquidados em Gánina Jama. Muitos anos já os crentes ortodoxos tem os “orgasmos espirituais” neste lugar. Quando o Comitê de Investigação da Rússia já confirmou várias vezes com ajuda da impressão genética que os corpos dos Romanov foram sepultados em outro lugar – em Porosénkov Log. E agora a situação é bastante cómica: a Igreja Ortodoxa já investiu muito capital em Gánina Jama! Por isso a Igreja Ortodoxa Russa não reconhece os resultados da impressão genética, realizados pelo governo da Rússia!

O culto dos Romanov é ridículo e no fundo é uma vergonha. Já escrevemos bastante para desmitolgizá-lo: leia 7 fatos sobre o fuzilamento dos Romanov.

Uma tarefa mais do culto dos Romanov é profanizar e criminalizar a Revolução russa e o período soviético. Ao mesmo tempo, o período soviético continua sendo a única glória do povo russo e se o putinismo decide se refugiar no sovietismo, vai ser muito difícil se integrar o culto dos Romanov com o pacote soviético. Difícil, mas também possível: os putinistas dirão que Stalin foi um agente dos Romanov infiltrado no movimento dos revolucionários para restaurar o Império e logo passar o poder para Alexej Kosýgin, filho de Nikolaj Romanov! Neste caso os putinistas vão ter conflito com a Igreja Ortodoxa Russa, porque se trata da negação do assassinato dos Romanov…

IV. Nikolai II poderia salvar a Rússia

Em lugar de mentir deveríamos compreender melhor nosso passado para sacar as conclusões corretas! Grande historiador russo, Serguei Nefiódov, crê que Nikolaj II poderia salvar a Rússia, se fizesse uma reforma agrária. Assim, impressionadas pela revolução russa, os grupos governantes da Romênia, Polônia, Bulgária e Hungria, realizaram as reformas agrárias em seus países e prolongaram seu poder…

“Nós tratamos do mesmo fenômeno – da superpopulação agrária na Europa do Leste. A falta de terra para os camponeses causava a revolução. E ela explodiu em lugares diferentes, mas foi totalmente lógico… Em 1905 o primeiro-ministro Serguei Witte ofereceu ao czar Nikolaj II realizar tal reforma e tirar mais da metade das terras dos latifundiários pelo resgate, isso foi realizável. Como também isso foi realizável ainda nos anos 1916-1917…”.

O remédio de Witte (tirar as terras dos latifundiários) foi evidente depois da primeira Revolução Russa – em 1905, quando os camponeses queimaram cerca de 50% das casas de donos das terras na parte central da Rússia. Todos os chefes da polícia, envolvidos na liquidação dos distúrbios, apoiavam a solução de Witte.

Mas o czar Nikolaj Romanov, o Sanguinário respondeu com as represálias contra seu povo (realizadas mediante o novo primeiro-ministro Piotr Stolypin, logo assassinado pelos radicais).

Grosso modo, assim o czar, latifundiário #1 da Rússia, levou a Rússia para a catástrofe da revolução.

Depois da Revolução de Fevereiro (quando o czar se abdicou do trono) o Governo Provisório (conhecido popularmente como um “governo dos ministros-capitalistas”) também não quis fazer nenhuma reforma agrária! Em agosto de 1917 os camponeses começaram roubar e queimar as vilas dos latifundiários, os rebeldes mataram centenas dos donos das terras na Ucrânia e na parte central da Rússia. O exército, formado pelos camponeses mesmo, não pôde suprimir as revoltas. Por exemplo, quando o príncipe Boris Leonidovič Vjázemskij quis usar o exército contra “seus” camponeses na província de Tambov, os soldados ignoraram as ordens de seu comandante e deixaram os camponeses apreender o príncipe Vjazemskij. Os camponeses mandaram o príncipe preso para o front como “um prófugo”. Na estação de trens mais próxima o príncipe Vjazemskij foi linchado por um pelotão de uma companhia de choque siberiana, que viajava para o front. Nessa situação a única solução foi formulada de jeito muito simples: “Paz, pão e terra” e “Todo o poder aos Sovietes”. Não havia alternativa à aliança dos bolcheviques e socialistas-revolucionários de esquerda, que interceptaram o poder do governo provisório para ganhar um século mais para a Rússia.

Fontes:

Sergej Nefëdov, Sergej Kará-Murzá, Vasilij Gálin

Por que Putin tem medo de Lenin

7 fatos sobre os últimos Romanov

O oficialismo putinista vs a Revolução

Igreja Ortodoxa vs a Revolução

Dostoevskij sobre os últimos Romanov

Tolstoj sobre a situação em Moscou no tempo dos últimos Romanov


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o Dia do Defensor da Pátria na Rússia

Antes esta festa foi o Dia do Exército Vermelho e Frota, logo o Dia do Exército Soviético e Marinha e agora é o Dia do Defensor da Pátria. Uma festa baseada no decreto de 23.02.1918 “A Pátria socialista está no perigo”. O dia 23.02.1918 se considera o dia da fundação do heróico Exército Vermelho. O povo mobilizado por um decreto, assinado em 23.02.1918, derrubou tanto aos brancos russos, apoiados pelo Ocidente, como aos intervenientes britânicos, estadunidenses, japoneses e muitos outros, que vieram para “periferizar” o país outrora semi-periférico (assim foi a Rússia dos Romanov). Em lugar de isso a Rússia Soviética ganhou sua independência e virou a segunda potência mundial.

Achamos que o Exército Soviético era o núcleo do Comunismo Russo. Lá em trincheiras da Primeira Guerra Mundial, se formou o sonho duma sociedade justa e sem castas. Somente graças ao povo armado por causa da Primeira Guerra Mundial, os radicais socialistas conseguiram interceptar o poder do capital estrangeiro (o governo do Fevereiro).

Na primeira etapa do Exército Vermelho, até foram eliminados os graus de oficiais e insígnias de ombro. A gente esperava uma revolução mundial e queria cortar os laços com o mundo antigo. O militarismo foi visto como um fenômeno temporário. Não havia insígnias, mas claro que havia hierarquia militar e classificação de acordo com o nível de responsabilidade e qualificação profissional.

Em lugar da Revolução Mundial aconteceu a Mobilização Fascista do Ocidente. O Exército Vermelho restabeleceu os graus de oficiais e insígnias de ombro. De fato, o Exército restaurou a estrutura do Exército Imperial, mas o organismo da sociedade da URSS ficou socialista. Os soviéticos construíram uma sociedade-família, cujo núcleo era o exército.

Hoje, depois da queda da URSS o exército russo cada vez se torna mais profissional, e aparecem também os “exércitos privados”. O público diz: “Que legal! Que morram aqueles, que sim, querem morrer! E que nossos filhos fiquem em casa! Nós não queremos um Afeganistão mais”*.

Ao mesmo tempo um exército profissional cada vez se torna menos popular e qualquer momento pode voltar contra o povo. Para não mencionar os exércitos privados, que são mercenários 100%, dispostos a lutar por qualquer interesse. Enquanto os cidadãos desaprendem a manejar as armas, as pessoas que aprendem viram os “profissionais”, contratados pelo estado oligárquico ou mercenários, contratados diretamente pela oligarquia.

Também é curioso, que  na sociedade russa de hoje ainda haja uma grande demanda por cursos de tiro, medicina de urgência, etc. – por tudo que deveria ser dado pelo exército popular. Esta exigência surge, porque o exército atual não dá nada disso! O serviço militar atualmente é uma perda de um ano sem muita prática! Assim, o estado neoliberal canaliza as pessoas interessadas rumo a um exército profissional ou rumo às companhias militares privadas. Assim passamos dum exército popular até um exército privado. Como do mesmo jeito a milicia soviética se tornou a polícia russa. Se antes a Defesa da Pátria foi uma obrigação pessoal de cada cidadão, hoje é um negócio dos profissionais e dos contratistas-mercenários.

Leia mais: http://guiademoscu.blogspot.ru/2011/02/el-dia-del-defensor-de-la-patria.html

* O público russo dizendo: “Não queremos um Afeganistão mais”, quer dizer que no Afeganistão (como durante a Primeira Guerra na Chechênia também) morriam muitos soldados rasos, que não tiveram experiência suficiente e que agora estamos melhor (diz o público), porque hoje morrem os contratistas, aqueles que tomam a decisão de morrer pessoalmente. E ainda melhor é o caso dos mercenários, o estado mesmo sempre pode dizer que não tem nada a ver com essa escória (além disso não há necessidade de organizar os funerais de gala cada vez). Atenção! Quanto à guerra no Afeganistão  nós costumamos repetir, que em 10 anos da ajuda ao Afeganistão a URSS perdeu lá 30 mil soldados, quando depois da queda da URSS a Rússia perde 100 mil jovens ao ano pela heroína do Afeganistão. Valeu a pena estar no Afeganistão, então.


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Moscou para as crianças

É bastante comum que as pessoas venham para Moscou em família: os pais com seus filhos pequenos, sejam crianças ou adolescentes. É absolutamente normal, porque a capital russa tem muito a oferecer para o turismo familiar. Abaixo damos algumas dicas de lugares para se disfrutar de Moscou em familia:

Parque Zoológico e Planetário

O Planetário de Moscou está situado diretamente na área do Parque Zoológico, por isso ambas visitas podem ser feitas no mesmo dia. Nosso planetário é um dos maiores no mundo, fica no Anel dos Jardins – https://goo.gl/maps/NVbb5o341kk É mais prático ir ao Planetário de táxi ou de ônibus “B”. Aqui você tem a página oficial do Planetário de Moscou: http://www.planetarium-moscow.ru/en/

O planetário tem muitas programações em inglês. Uma das programações mais universais (serve para os russos e para os estrangeiros) é o filme 5D, “Vôo sobre Moscou”. Chuva, vento e vibração dos assentos – tudo isso cria ilusão dum vôo sobre a cidade: sobrevoamos a Praça Vermelha e outros lugares emblemáticos, voamos por dentro das câmaras dos czares, dentro dos túneis de metrô, etc.

O Zoológico de Moscou é um dos mais antigos na Europa, entra no TOP 10 mundial dos zoos mais visitados. Fica no Centro, no Anel dos Jardins mesmo, assim, que passeando pelo Zoo, vocês sempre podem ver um arranha-céu estalinista – o prédio da Praça da Rebelião de 1905 (renomeada hoje para “Praça Kúdrinskaya”, que já não tem significado nenhum). O Zoo nosso tem várias entradas. Uma fica perto da entrada do Planetário, a entrada principal está aqui: https://goo.gl/maps/GHcKZDSSTPE2 As meninas ficarão impressionadas pela gorila Ama, que não tem um braço, e por uma loba-do-ártico com perna torcida, efeito da armadilha de um caçador, que ela sofreu quando era pequena. Se suas crianças têm interesse pela biologia, também podemos sugerir o Museu Charles Darwin: http://www.darwinmuseum.ru/pages/about-museum

Torre Ostánkino (atenção: 7+) e Parque VDNKh

Segundo a experiência de nossos pequenos clientes (antes de tudo, dos meninos) a visita à Torre Ostánkino deixa umas das impressões mais fortes de Moscou. A torre tem um mirante de tirar o fôlego, um restaurante giratório (que se chama o “Sétimo Céu”) e um bar. A página da torre em ingês: http://tvtower.ru/en/services/buro/

A subida à Torre Ostánkino se combina perfeitamente com visita ao parque VDNKh (feira dos êxitos da economia popular em russo, um artefato genial do período da URSS). O parque VDNKh é um Machu Picchu soviético, que além dos pavilhões temáticos, hoje tem muitas oficinas para as crianças e vários espaços de brincadeira, um recreio desenhado ao estilo cósmico fica ao lado do maquete de nosso transbordador espacial BURAN. Pelos invernos o parque VDNKh se torna a maior pista de gelo da Rússia, é o melhor lugar para patinar em Moscou (tanto no gelo, como no asfalto pelos verões). O parque VDNKh tem um oceanarium novo, tem uma granja, onde as crianças podem ter contato com os animais, tem lagos para pescar, etc. É um parque para passar uns 5 anos. A página do parque VDNKh em ingês: http://vdnh.ru/en/

Na área do parque VDNKh fica também um Museu que pode ser interessante para as crianças e adolescentes: Museu da Cosmonáutica – sugerimos visitar este museu e parque VDNKh com guia, porque a história da cosmonáutica soviética, igual à história económica da URSS não é simples para compreender com ajuda da Wiki. A página do Museu da Cosmonáutica: http://www.kosmo-museum.ru/?locale=en

Além da Torre Ostánkino, outro mirante que recomendamos é o Mirante do shopping “Mundo Infantil”, pelo caminho ao mirante, que fica no 6to andar sugerimos passar pela “Exposição dos Brinquedos do Período Soviético”. O shopping “Mundo Infantil” fica no coração de Moscou, na Praça Lubiánka, tem uma praça da alimentação no 6to andar. Atenção: ao entrar ao shopping vão direto para os elevadores e logo para o mirante do andar, no caso contrário sua família pode ficar na bancarrota. O endereço do shopping: https://goo.gl/maps/TAhGofi8zxT2

Moscou militar

O pequeno e íntimo Museu da Defesa de Moscou recria muito bem as condições de vida do dia a dia da capital russa durante a Batalha de Moscou: http://www.gmom.su/ (embaixo da página o museu tem uma apresentação em inglês: horários, endereço, etc.)

Se suas crianças têm muito interesse pela guerra, também recomendamos o Museu Central da Grande Guerra Patriótica, que fica no Parque da Vitória. Este museu, dentre muitas coisas, tem uma recreação impressionante do Assalto de Berlim, além duma exposição dos armamentos ao ar livre. A página do Museu Central da Grande Guerra Patriótica: http://victorymuseum.ru/ (no canto esquerdo superior da tela vocês podem ativar a tradução da página para o português). Outro local, onde se pode ver muito mais armamentos russos, é o Museu das Forças Armadas: https://goo.gl/maps/Dyp8SvPFqeM2

É bastante conhecido também o Bunker-42: esse museu tem muito potencial, mas é caro demais e seu conteúdo não corresponde ao preço cobrado. Cada ano é pior por causa da primitividade, vulgaridade e mercantilismo de seus gerentes, embora pudesse seriamente ser um Museu da Guerra Fria. Mas para as crianças é uma opção muito boa! http://bunker42.com/eng/

Parques e Jardins de Moscou

Os parques e jardins de Moscou são deveras geniais e tem muitas atrações tanto para os adultos como para as crianças. Áreas da recreação ativa são acessíveis nos parques Sokólniki, Izmáilovo, Filí, Meshcherskiy. Os jardins Bauman e Ermitagem quase todo fim de semana de verão tem algum evento para as crianças e para seus próximos. Não mencionamos aquie o parque Zariádie que fica perto da Praça Vermelha, porque é um “MUST SEE” №2 depois da Praça Vermelha mesma.

Circos de Moscou

Moscou tem vários circos, o circo mais histórico é o Circo Nikulin no Boulevard Tsvetnoi. Mas também aparecem os circos novos, que às vezes tem as programações bem fortes: como, por exemplo, o Circo das Fontes Dançantes “Aquamarine” (síntese das fontes dançantes, patinagem artística, palhaçada do nível mundial e certos shows do nível intergalaxial – como o show da família Markin (prêmio do Festival Internacional do Circo em Monte Carlo): https://goo.gl/maps/cwjCgCufv522

P.S.

Se vocês vão passar muito tempo em Moscou, claro que vocês vão descobrir muitas atrações, que não mencionamos:

Túnel de vento, https://i-fly.su/contacts/

Tiro “Laberinto”, http://www.strelclub.ru/

Bio Estação de Alces na Reserva Nacional “Ilha dos alces”, http://elkisland.ru/index/ehkskursii/0-8

Parque Patriot, https://patriotp.ru/

Para as crianças apaixonadas por dinossauros sugerimos o Museo Paleontológico, https://www.paleo.ru/museum-en/

E muitas outras. Além disso sempre podem encontrar algo interessante para as crianças nos calçadões de Moscou, que cada ano conquistam mais espaço no centro da Terceira Roma.


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Eslavófilos sobre São Petersburgo

Aleksey Khomyakov foi um poeta e filósofo russo, considerado um dos fundadores do movimento dos eslavófilos*. Dizem, que Aleksey Khomyakov costumava se lembrar muito bem de sua primeira visita de São Petersburgo. Quando crianças ele com seu irmão foram trazidos a primeira vez para a capital dos Romanov, os pequenos moscovitas acharam São Petersburgo uma cidade …ultra pagã! Esfinges, leões, arquitetura columnar da Roma pagã… Os pequenos irmão ficaram tão assustados, que começaram a se preparar para uma morte dos mártires!

*Eslavófilo é um partidário da propagação da cultura ou tradições eslavas, leia mais: http://www.iscsp.ulisboa.pt/~cepp/indexfro1.php3?http://www.iscsp.ulisboa.pt/~cepp/ideologias/eslavofilos.htm


conclusões da temporada 2017

No final de cada temporada nós costumamos fazer algumas conclusões quanto ao nosso trabalho e nosso mercado de serviços de guia em Moscou:

Questão da publicidade

A cada ano vemos mais ofertas de serviços de guias pela internet. Conhecemos colegas que pagam até 1000 euros ao Google para serem os primeiros a aparecer nos anúncios, e esses colegas também devem realizar muito trabalho de SEO, etc. Nós por princípio não pagamos ao Google. Nos achamos que estamos em cima disso. Não somos guias tipo Ford Focus ou Kia Rio, somos guias tipo Foguete Vostok.

Nossos clientes nos encontram:

  1. pelas recomendações de outros clientes
  2. pelos textos originais de nossos blogs e páginas (anos de trabalho extra)
  3. pelos comentários no TripAdvisor
  4. pelas páginas intermediadoras, que cobram uma comissão de 25-30%

Se vocês estão entre as pessoas que nos encontraram sem intermediários, estamos com muita sorte! Vocês já têm um desconto de 25-30%!

Lamentavelmente, todo ano registramos um importante aumento dos clientes que vêm através dos intermediários, e esses clientes têm que pagá-los 2530%! Se eu pagasse ao Google pela publicidade, seria a mesma coisa: teria que subir meus preços ou baixar o nível do serviço…

A questão dos valores e nível de serviço

Ser guiado é um privilégio (em poucos dias vocês recebem as informações que nós, guias, acumulamos diariamente durante dezenas de anos, lendo, ouvindo, estudando, procurando dados importantes, esboçando os roteiros de pura ação intelectual).

Uns colegas às vezes nos explicam que se pode trabalhar um pouco pior, em lugar de mostrar um filme completo, dar só um spoiler. Para nós é difícil, não queremos vender gato por lebre, não temos versões DEMO, não podemos trabalhar 25% pior, e como consequência disso não fazemos descontos (uma obra-prima não pode ser 25% pior, imediatamente tal produto se tornará fancaria).

A questão da concorrência crescente

A concorrência está subindo, porque vivemos em uma época transitória, em crise de superpopulação e em total precariedade trabalhista. É absolutamente normal que para alguém possa ser satisfatório o serviço de um estudante latino que só conhece as rotas turísticas básicas, têm impressões confusas depois de viver um ano na Rússia e não sabe nada da História russa salvo alguns fragmentos dos filmes propagandísticos do History Channel. Como já dissemos antes, há bastantes guias, que sabem baixar a qualidade de seu trabalho em função da avareza dos clientes ou da agência, que lhes consigue os clientes.

É muito importante identificar nosso público-alvo:

Nosso público-alvo é dividido em 3 grupos básicos

  1. O primeiro grupo são reis e aristocratas, presidentes e chefes de Estado, capitalistas do decil superior dos donos do mundo. Esses clientes do “dinheiro velho” com nossa ajuda procuram compreender como funciona o mundo, como superar a morte, como prevenir as ondas revolucionárias e conservar seu poder e seu capital.
  2. O segundo grupo são radicais e intelectuais revolucionários, senhores do crime organizado, os novos ricos, assim chamadas contra-elites, aspirantes por chefiar o mundo. Esses clientes do “dinheiro jovem” e agressivo com nossa ajuda procuram compreender como funciona o mundo, como superar a morte, como organizar e dominar as ondas revolucionárias e como conquistar o poder e aumentar seu capital.
  3. O terceiro grupo são intelectuais, investigadores, poetas, escritores, artistas, descobridores, profissionais jovens, desempregados, precarizados, canalhas da sociedade “sem dinheiro”, que também com nossa ajuda procuram compreender  como funciona o mundo, como sobreviver aqui sem perder o juízo.

Sem dúvidas, a experiência russa tem muitas respostas para estas inquietudes.

“Não foi Montaigne um turista? Não era Goethe? E Byron. E antes, Ibn Khaldun, Ibn Batutta, Ptolomeu, Herodoto: turistas”!

Conselhos para poupar nosso tempo:

Se vocês estão decididos  a atualizar seu quadro do mundo conosco, pedimos com muita gentileza que sejam concretos na formulação de sua solicitação. Não se esqueçam de informar,

Quantas pessoas são?

Em que hotel vão se hospedar (para traçar os roteiros mais apropriados)?

Quantos dias vão passar na Santa Terra da Rússia? Quantas horas por dia gostariam de dedicar aos passeios?

Quais seriam seus interesses?

E também é muito importante tomar decisões antecipadamente. Se lhes recomendei um show folclórico que considero que vale a pena, é melhor reservá-lo no mínimo um mês antes da vinda à Rússia, porque é praticamente impossível conseguir as entradas 2 dias antes do show. Claro que Moscou tem vários shows diferentes (no último ano tivemos 3), mas o melhor show sempre é o mais solicitado. O show folclórico é um exemplo, mas isso pode ser aplicado a qualquer coisa: seja um passeio de barco, seja, ainda mais, a visita ao Kremlin, o museu mais lotado de toda a Rússia. A ida ao Kremlin, o show folclórico e o passeio de barco se reservam com antecipação e não podem ser organizados em 23 dias!

Outras reflexões nossas baseadas em outras temporadas:

Política de valores: http://guiademoscu.com/?page_id=952

Consultório robotizado: http://guiademoscu.com/?p=731

Que vivan los guias privados: http://guiademoscu.blogspot.ru/2015/10/que-vivan-los-guias-privados.html


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“Um tal. 1917”

Está se aproximando o dia 7 de novembro de 2017, que é o dia que se comemora o centésimo aniversário da Grande Revolução Socialista de Outubro de 1917. O evento, em geral, é ignorado na Rússia, mas o oficialismo tem que fazer algo, não tem? Porque, sem dúvidas, o interesse mundial pela Revolução Russa é grande, e o próprio povo russo ainda não se esqueceu totalmente da mudança que levou a Rússia de República das Bananas (os últimos Romanov) para uma superpotência (URSS). Ainda que as gerações jovens sejam idiotizadas pela propaganda da derrota e da restauração dos anos 1985-2017.

No museu oficialista de arte contemporânea “Galeria Tretyakov do século XX” foi aberta há pouco tempo a exposição “Um tal. 1917”. Sem chamar muito a atenção, claro… Quando o oficialismo quer promover algo, ele promove por todos os canais de televisão, nos horários de grande audiência. Falam sobre alguma chegada das relíquias de São Nikolai à Rússia e assim se formam as filas intermináveis para venerar essas relíquias (embora que em muitas igrejas russas SEMPRE haja relíquias de São Nikolai e por isso não deve haver agiotagem nenhuma). Então, não há barulho nenhum pelo motivo da exposição “Um tal. 1917”. Mas a exposição é interessante para compreender a postura do oficialismo.

Quanto à arte visual russa, sem falar da iconografia ortodoxa, o “monopólio natural” da Rússia é a vanguarda soviética: Tatlin, Rodchenko, Kandinsky, Malevich, Chagall, Deineka, Petrov-Vodkin, etc. São os ícones da arte do século XX, os nomes inseparáveis da Revolução Russa. Por isso a tarefa do oficialismo reacionário é no mínimo separá-los da Revolução e no máximo, se são absolutamente inseparáveis, desprezá-los.

A mensagem da exposição dedicada ao aniversário da revolução que o museu principal do país quer enviar para o público é seguinte: a democracia é muito questionável… Por isso a exposição se abre com o “desmascaramento” do “mito do povo russo”. Desde Fyodor Dostoiévski, os intelectuais russos tratavam o povo russo como a única fonte de verdade, como um povo “porta-Deus” (portador da ideia de Deus). Todo o movimento intelectual russo girava em torno do populismo, no sentido de libertar o povo escravizado pelos Romanov (que levaram o nosso povo até quase um estado animal). Os sucessos do período soviético na ciência, arte, esporte, guerra e economia são uma consequência da realização deste sonho dos populistas russos. Então, a visão atual do oficialismo é diferente, o povo não é “portador de Deus”… Os curadores da exposição “Um tal. 1917” destacam a obra de Boris Grigoriev, que apresentou o nosso povo como uma plebe. Que caras cruéis, ignorantes, perigosas… Lembre da russofobia de Ivan Bunin (premiado por sua russofobia com o Nobel em 1933): “Suas vozes são uterinas, primitivas. Os rostos das mulheres são como da Chuváchia, da Mordóvia, os rostos dos homens, todos como regra, são criminosos, alguns são diretamente de Sakhalin. “E quantos rostos são pálidos, de maçãs salientes, surpreendentemente assimétricos entre a plebe russa – quantos são os indivíduos atávicos, fortemente amassados no atavismo mongol!” (extraido dos “Dias malditos”, um livro de Bunin, onde o autor sonha com a ocupação da Rússia pelos alemães).

Claro que os conteúdos principais da exposição são: Tatlin, Rodchenko, Kandinsky, Malevich, Chagall, Deineka, Petrov-Vodkin, etc. Mas no final, para que o espectador não se esqueça da mensagem do oficialismo, oferecem um “epílogo” do qual se pode deduzir que é provável que todos os gênios da arte soviética tivessem uma moralidade dupla e que talvez trabalhassem de um jeito genial contra sua vontade, pelo medo, etc. Assim o oficialismo profana a coisa mais sagrada da arte russa: a vanguarda soviética.


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Igreja Ortodoxa Rússa vs Revolução

I. DAESH Ortodoxo vs a Revolução Russa

Na Rússia em geral se ignora o Centésimo aniversário da Revolução Russa. O Museu da Revolução em Moscou (renomeado para o museu da história contemporânea já faz um tempo para apagar do nome da “revolução”) foi fechado pelas obras durante toda a temporada alta de ano 2017. No outono de 2017 nos vão apresentar pela televisão estatal umas séries com a única mensagem que Lenin fosse um espião alemão (1). Na Avenida Sajarov em Moscou estão erguendo um monumento às vítimas de GULAG (“Muralha das Lamentações”). O regime continua promovendo a religião e o culto quase oficial dos Romanov (2). Ao mesmo tempo é onipresente a nostalgia soviética da maioria esmagadora da população russa, mas se trata de uma nostalgia formal, bem filtrada das ideias da igualdade, do progresso ou do socialismo (3).

A única notícia é a estreia do filme “Matilde”. Não vimos este filme, mas é fácil compreender o conteúdo dele.

Matilde Kschessinska foi uma bailarina brilhante, leoa secular de São Petersburgo, amante de vários caras da família dos últimos Romanov, de Nikolai II, entre eles. Matilde Kschessinska também participou ativamente nos esquemas de desvio do dinheiro público, destinado para o exército, durante o governo “genial” de Nikolai II. Segundo um dos apócrifos, quando logo depois da derrota russa em Tsushima (4), a bailarina apareceu na cena do Teatro Mariinskii e como sempre cheia dos brincos de diamantes, o público começou a gritar: “Aí estão nossas canhoneiras novas! Estão em seus ouvidos!”… (5) Depois da Revolução de Fevereiro a mansão de Matilde Kschessinska foi ocupada pelos bolcheviques e virou o quartel-general da Grande Revolução Socialista de Outubro. Claro que toda essa história é um presente para qualquer diretor de cinema na véspera do aniversário de 100 anos da Revolução, não é?

E tal filme foi feito, é lógico, mas sua estreia foi acompanhada pelos ataques quase terroristas contra os prédios de cinema, que sediaram este filme, contra os autores, etc. Os protagonistas dessa intolerância primitiva foram uns radicais de um tal chamado “Estado Ortodoxo”, ou seja, um análogo de DAESH, só “ortodoxo”. Os radicais foram apreendidos pela polícia russa e o governo russo inteligentemente em seguida distanciou do barulho em torno dessa história. Embora que, sem dúvidas, a mesma existência de tais radicais “ortodoxos” fosse um produto direto da decadência cultural dos últimos anos (“mais igrejas, menos escolas”). Os radicais “ortodoxos” acham que nenhuma crítica de seu São Nikolai II deve ser aceitada…

II. Igreja Ortodoxa Russa, legitimando o oligarcado

Achamos que a religião é um fenômeno bem complexo (leia, por exemplo, “Big Gods: how religion transformed cooperation and conflict” de Ara Norenzayan). Na história russa a religião teve seus tempos altos e baixos (6) e até num certo sentido a religião ortodoxa inspirou o comunismo russo (7), ao mesmo tempo no caso dos Romanov a Igreja virou um mero Ministério de Ópio para o Povo e em parte de tal jeito a Igreja funciona agora, sua missão principal é deslegitimar o período soviético e legitimar o regime dos oligarcas atuais. Além disso a Igreja Ortodoxa Rússia atual foi super influida nos anos 1990 pela Igreja Ortodoxa Rússa no Exterior, aquela igreja que colaboró com os nazistas durante a IIGM e com a CIA durante a Guerra Fría.

E sua propaganda é bem efetiva. Nessa semana trabalhamos com um motorista – fanático ortodoxo, que a cada minuto queria-nos “cristianizar”, apresentando todo o pacote dos “mems” da igreja atual, que lhes oferecemos abaixo:

Quanto à desigualdade africana na Rússia: “não é nosso assunto, temos que ser humildes e pensar só em nossas almas”.

Quanto ao consumo dos produtos de luxo pelos padres e hierarcas da Igreja Ortodoxa Russa: “como disse o padre Teognost da Laura de São Sergio, os monges são filhos de Deus e devem ter os brinquedos adequados, seus Mercedes e BMWs é sua forma de humildade, é sua cruz, não temos que pensar nisso”.

Quanto à ideia de trocar os Mercedes e BMWs dos popes pelos remédios para as crianças: “Quem é você para pensar sobre esse assunto?! O sofrimento humano também é um plano de Deus!”

Nosso motorista não podia controlar seus nervos, gritava muito, nos insultava, e nossos turistas do Paraguai até ficaram assustados.

III. Neoconservadorismo forma parte da Reforma de Choque

Também é interessante dizer como começou nosso contato com nosso motorista fanático: ao iniciar o City Tour eu pedi ao motorista que nos levasse para o Hotel “Moscou”. Todo o mundo em Moscou conhece esse hotel “Moscou”, obra-mestre do arquiteto Shchusev, mas ultimamente esse hotel foi renomeado para Four Seasons (profanação do regime dos oligarcas). Mas nosso motorista não sabia. Então, eu expliquei para o motorista que agora esse hotel se chama Four Seasons, mas nós os russos devemos estar conscientes aos nomes de verdade. O motorista comentou: “Então, você é um liberal?!”. Ou seja para ele qualquer forma de questionar o putinismo é ser liberal!.. Quando de fato eu era um conservador (quero “conservar” os nomes autênticos) e o liberal era ele (torcendo por Four Seasons, propriedade de Bill Gates e algum príncipe saudita). Disso eu posso concluir que a Igreja Ortodoxa Russa de fato pode legitimar qualquer coisa, seja putinismo ou algum governo mais pro Ocidente. Muitos até acham que o conservadorismo ortodoxo foi importado da Gringolândia junto com as ideias da economia de mercado ou da guerra sagrada de todos contra todos, que justifica a  concorrência, desigualdade e canibalismo. A Igreja Ortodoxa Russa forma parte do pacote do  neoconservadorismo moscovita, que é uma cópia do neoconservadurismo yankee. E esse neoconservadorismo macaqueado já deu um grande trabalho nos últimos 30 anos!

  1. Por que Putin tem medo de Lenin?
  2. Desestalinização dos Romanov
  3. Eterno retorno de Stalinismo
  4. https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Tsushima
  5. Leia também: http://guiademoscu.com/?p=1061
  6. http://guiademoscu.blogspot.ru/2010/09/sopa-de-las-cebollas-de-las-cupulas.html e http://guiademoscu.blogspot.ru/2013/02/el-mito-de-la-persecusion-de-la-iglesia.html
  7. http://guiademoscu.blogspot.ru/2012/07/sermon-de-la-montana-como-el-codigo-del.html

Mikhail Príshvin, 1919

Bate-papo com um cínico (extraído do livro de Mikhail Príshvin “Cálice Mundana, o ano 19 do século XX”):

– Crucificação é um negócio rápido, sofreu umas horas e morreu. Igual ao nosso tempo em que movem o ponteiro de relógio e acham, que toda a vida muda por isso. Assim é crucificação, ela vai com um tempo rápido, de jeito soviético, quando a vida vai de jeito do sol, devagar, é um trabalho lento, deixa-nos descansar um pouco, mas em seguida volta a apertar-nos – há de estar sempre em um ponto: está cravada uma estaca e eu estou atado a ela, como um torito… Cristo só andava, ensinava e foi crucificado, mas ele não trabalhava. Isso! Vocês não leem o Evangelho, precisam ler mais. Em nenhum lugar aí não foi dito, que Ele estava sentado e trabalhando, só andava e ensinava

– E não salvou?

– Ele foi solteiro, sem filhos e não trabalhou, não é um exemplo para gente, nossa vida passa mais nos dias úteis, quando Ele tinha só festas. Seu caminho de salvação é impossível para gente.

– E vivem sem ser salvados?

– Grande maioria da gente não precisa disso: se dá pão – diremos: Graças a Deus! Não dá pão – há de aguentar. E vocês /os intelectuais/ não podem aguentar, se lhes tocou a dificuldade – vocês em seguida ligam para Cristo: isso é sua debilidade e o engano de orgulho, porque vocês não querem trabalhar, só querem andar, ensinar, sonhar…


Las fotos de un turista estadounidense, que viajaba mucho por la URSS

Hace poco hablé con una colega de la generación de los años postguerra y la doña me comentó que antes (en los años 60, 70, 80) había mucho más turismo que hoy, sólo venían las naciones que ahora no pueden disfrutar del turismo: polacos, checos, húngaros, rumanos, búlgaros, yugoslavos – pero no solo turistas de la órbita de la URSS, sino también turistas del “mundo capitalista”. Y los paquetes turísticos de antes eran mucho más ricos que hoy: Transiberiano, Cáucaso, Crimea, Asia Central, unas 2 semanas y no un par de dias como ahora. No hablamos de que los mismos rusos viajaban mucho (hoy su movilidad bajó bastante).

O sea son necios los que hablan del autoaislamiento de la URSS. Tampoco se puede hablar de la incomunicación cultural.

Es muy interesante que la industria de la URSS producía en masa las radios de onda corta para captar las emisiones de los países más lejanos. No es de sorprender que en los países del bloque del Este las bandas tan sofisticadas como Uriah Heep, King Crimson, Yes, Pink Floyd, etc. fueran más populares que en el mismo Occidente! Ideológicamente se afirmaban el internacionalismo, aprendizaje de lenguas, abertura cultural [1.]…

Los años 50, 60 eran un punto culminante de la historia rusa, usando las palabras del “nietzsche ruso” – Konstantin Leóntiev, eso fue el período de la “complejidad floreciente”. Las fotos diapositivas de Thomas T. Hammond, un turista estadounidense [2.], reflejan muy bien este espíritu del crecimiento desenfrenado.

Fijese que se trata de un pueblo que recién ganó la guerra mas cruel de la historia de la humanidad: la URSS resistió sola contra toda la Europa movilizada por el fascismo, la guerra devastó la parte europea de la URSS y solo unos años después de la Victoria la URSS llegó a la prioridad en la cosmonáutica, industria atómica sin hablar del campo cultural.

  1. recomendamos el libro de Alexei Yurchak “Everything Was Forever, Until It Was No More: The Last Soviet Generation”.
  2. Hammond no fue un turista simples, fue un enemigo de la URSS, uno de los promotores profesionales de la guerra fria y es irónico que la URSS fue absolutamente abierta para este tipo de hombres, no les tuvo ningún miedo. Mientras a los simpatizantes de la URSS los perseguían y marginalizaban en los EE.UU., la URSS sin ningún problema dejaba viajar por su tierra a sus propios enemigos… http://www.ctevans.net/Historians/Hammond.html

Vea el álbum de Thomat T. Hammond aquí:

Fotos de un turista estadounidense, que viajaba por la URSS

Posted by Guia de Moscú, Guia de Moscou. Private Tours in Spanish/Portuguese on Tuesday, July 4, 2017


Os 7 fatos sobre o fuzilamento da família dos Romanov

Celebrando o centenário da Grande Revolução Socialista de Outubro de 1917 a imprensa oficial da Rússia inculca a ideia da causalidade da revolução russa (1905-1917), que foi “uma consequência bizarra da “sobreprosperidade” do Império dos Romanov e da confabulação de Grã-Bretanha/judeus/reptilianos”, etc. [1.] A “bonança” dos Romanov foi destruída pelos “bolcheviques satânicos” que “desviaram” a Rússia do “caminho natural” para 70 anos do “pesadelo do Stalin/GULAG/KGB”. Um dos elementos mais importantes da mitologia anti soviética é a história do fuzilamento da família de Nikolai Romanov (outrora czar da Rússia).

1. A dinastia dos Romanov começou com o assassinato de uma criança inocente

Os Romanov mataram um menino de 3 anos por “atividades criminosas”

É importante lembrar que a dinastia dos Romanov começou com o assassinato de uma criança inocente – Ivão, filho do Dmitri, o Falso II. Essa criança foi um dos candidatos para o trono da Rússia ao início do século XVII durante “o tempo escuro” [2.]. Certas regiões da Rússia não aceitaram a eleição (pouco democrata) dos Romanov e apoiaram Ivão, filho do Dmitri (a gente ainda não sabia que esse Dmitri foi o “falso II”: se seu partido ganhasse, ele seria verdadeiro). O partido dos Romanov ganhou, e Ivão, filho do Dmitri, o Falso II foi enforcado “por suas atividades criminosas”. O “criminoso” Ivã tinha apenas 3 anos. A corda dos Romanov não asfixiou seu pescoço suficientemente e ele morreu umas horas depois do enforcamento pela causa do frio de inverno. Assim os Romanov começaram seu governo de 300 anos [3.].

2. O governo dos últimos Romanov foi uma catástrofe para a Rússia

Nikolai II gostava de brincar com seu elefante e caçar corvos

O governo dos últimos Romanov foi uma catástrofe para a Rússia. O grande Liev Tolstoi (excomungado pela Igreja Estatal dos Romanov) escreveu, que a subalimentação de camponeses era permanente e a fome começava na Rússia não quando não havia boas colheitas de trigo, senão quando não havia boas colheitas de Atriplex (uma erva daninha que os camponeses costumavam misturar com o trigo, porque nunca comiam o pão de trigo puro). Os escritórios de recrutamento durante a Primeira Guerra Mundial registravam a desaceleração dos camponeses: se reduzia o volume dos pulmões, a altura, o peso, etc. A exportação de trigo dos últimos Romanov foi “faminta”: “Subalimentamos o povo, mas vamos exportar o trigo a qualquer custo!”.  Sem dúvidas, os camponeses consideravam os latifundiários “parásitas”. Durante a revolução de 1905, os camponeses queimaram cerca de 50% das casas de donos da terras na parte central da Rússia. A parte central viraria a base do bolchevismo. A Rússia de Nikolai II perdeu a guerra contra o Japão e sua atividade na Primeira Guerra Mundial foi pagar com a buxa de canhão seus dívidas ante os bancos da Inglaterra e da França (a produção dos armamentos na Rússia foi muito inferior que em outros países participantes da IGM, não é de surpreender que o Exército Russo tivesse um record de deserção).

3. Os bolcheviques não tem nada a ver com a abdicação do czar Nikolai II

Nikolai II chegou a estação “Submundo”

Os bolcheviques não tem nada a ver com a abdicação do czar Nikolai II. Nikolai II abdicou ao trono em março de 1917, no resultado da Revolução de Fevereiro de 1917. A Revolução de Fevereiro foi burguesa, realizada sob pressão do capital estrangeiro (o czar no caso de sua “iluminação” poderia se retirar da I Guerra Mundial, além disso sendo um autocrata ele não podia garantir a inviolabilidade dos investimentos do capital estrangeiro). A pressão dos liberais sobre o czar também foi alta: eles não gostavam do costume do czar de dissolver o parlamento russo (um parlamento fantoche). Os latifundiários odiavam o czar pelo monopólio sobre a produção de álcool (quando os preços de trigo caiam no mercado externo, o czar costumava produzir desse trigo a vodka e vender para a plebe essa droga para ganhar o dinheiro no mercado interno, hoje do mesmo jeito na Rússia crescem os preços da gasolina no mercado interno, quando o petróleo cai no mercado externo). Os generais e oficiais odiavam o czar pela humilhação do Exército, destruído pela política econômica dos governos tanto liberais como populistas de Nikolai II. Sendo boa pessoa,  Nikolai II por sua incapacidade governamental ficou o czar mais odiado na história da Rússia. A abdicação de Nikolai II foi aplaudida pelos latifundiários, militares, liberais, Igreja Ortodoxa Russa (sic!) e pela imprensa ocidental. Nikolai II, comandante em chefe abdicou do trono arrestado por seus próprios generais, quando seu vagão foi parado na estação “Dno” (em russo: fundo, submundo, o título do livro de M.Gorki “No fundo” é traduzido para português como “Ralé”, “Submundo”).

4. O rei inglês recusou a solicitação de asilo político de seu primo Nikolai Romanov

Nikolai II e Jorge V

Apresado pelo governo provisório da Revolução de Fevereiro, Nikolai II queria se refugiar na Inglaterra. Jorge V do Reino Unido foi primo do Nikolai Romanov (fisicamente são quase gemelos), mas o rei inglês recusou a solicitação de asilo político de seu primo Nikolai Romanov – o governo britânico não queria estragar as relações com o governo provisório russo, dirigido pelo maçom anglófilo Alexander Kerensky.

5. Os bolcheviques não têm nada a ver com o fuzilamento do cidadão Nikolai Romanov

O governo provisório de Kerensky não foi legítimo, não representava os povos da Rússia, que encontraram outra forma de sua representação – os “sovietes” (conselhos legislativos), coroados por Soviet de Petrogrado. Baseado no apoio do Soviet de Petrogrado mesmo o grupo de Vladimir Lenin em Outubro de 1917 deu um golpe contra o governo provisório do capital estrangeiro. É importante entender que no Soviet de Petrogrado os bolcheviques (partido de Lenin) compartilharam a maioria com outros grupos de radicais: o Partido Socialista Revolucionário da esquerda, os mencheviques e os anarquistas. Como os primeiros decretos do Poder Soviético foram os decretos de Paz (retirada da Primeira Guerra Mundial), expropriação da terra e cancelação da dívida ilegítima do czar e do governo provisório, bastante rápido começou a guerra civil russa: a grosso modo, entre os povos da Rússia e os exércitos privados dos latifundiários, apoiados pelo Ocidente. A guerra civil na Rússia foi acompanhada pela agressão militar dos 14 estados do Ocidente (imaginem só que a Rússia se tornou tão fraca e caótica que os países como Finlândia e Polônia ocuparam vastas regiões do gigante nortenho!). Além da guerra civil o grupo dos radicais que subiram ao poder, tinham muitos conflitos internos. Muitos Sovietes nas regiões foram controlados não pelos bolcheviques, mas pelos Socialistas Revolucionários da esquerda (o partido mais radical da Rússia, responsável por muitos atentados contra os czares, seus ministros e governadores) e por outros radicais incontroláveis. A decisão do fuzilamento de Nikolai Romanov e sua família foi tomada pelo Soviet de Urales, dominado pelos Socialistas Revolucionários da esquerda. O fuzilamento de Nikolai Romanov acompanhou a rebelião desse partido contra os bolcheviques em Julho de 1918 (a rebelião infectou várias cidades do Norte do rio Volga, os rebeldes contavam com a intervenção militar dos ingleses, estadunidenses y franceses pelo Mar Branco, os rebeldes tomaram vários prédios em Moscou e prenderam o chefe da Polícia Secreta dos bolcheviques – Dzerzhinsky. Antes de tudo eles mataram o embaixador da Alemanha! – tudo isso para revisar as condições de Paz, assinada pelo grupo de Lenin). Os bolcheviques não têm nada a ver com o fuzilamento do cidadão Nikolai Romanov e sua família. Para o governo de Vladimir Lenin, os Romanov foram um argumento importante para as negociações com o Ocidente e claro que os bolcheviques gostariam de julgar Nikolai Romanov publicamente por seus crimes incontáveis contra os povos da Rússia. Seu fuzilamento foi uma manifestação anti bolchevique dos radicais Socialistas Revolucionários da esquerda, resultado do caos da guerra civil. Não há nenhuma prova da decisão pessoal de Lenin ou de outros chefes do Partido Bolchevique sobre tal fuzilamento.

6. Fuzilamento do outrora czar mais odiado não deram impacto nenhum na Rússia

Se os Romanov foram fuzilados, de onde provêm todos os freaks que hoje se acham os Romanov? Simplesmente os radicais que odiavam os Romanov não conseguiram matar todos os Romanov. Os bolcheviques (que nos primeiros anos não controlaram nem seu próprio partido completamente) simplesmente deixaram a maioria dos Romanov ir embora do país. Nem fuga dos reis, nem fuzilamento do outrora czar mais odiado não deram impacto nenhum na Rússia, havia coisas mais emocionantes: a crise econômica e o desastre da guerra civil, produzidos pela política terrível de Nikolai II.

7. Os mais inteligentes dos Romanov reconheceram a verdade histórica dos bolcheviques. 

Alexandr Mijáilovich, neto do czar Nicolai I e tio do czar Nicolai II (também foi marido da irmã de Nicolai II), chefe da Direção da Frota Comercial do Império Russo escreveu: “Ocorreu-me que embora eu não fosse um bolchevique, eu não podia concordar com meus parentes e conhecidos e de forma imprudente condenar tudo o que os Soviets fazem, só porque isso é feito pelos Soviets. Sem dúvidas eles mataram três dos meus irmãos [para Alexandr Mijáilovich todos os radicais são bolcheviques], mas eles também salvaram a Rússia do destino de um vassalo dos aliados. O tempo, quando eu os odiava e tinha muitas ganas de chegar até Lenin ou Trotskiï, passou, porque eu comecei obter as notícias sobre um e depois sobre outro passo construtivo do governo de Moscou e encontrei-me com o fato de que eu sussurrava: “Bravo!” [4.].

Leia mais:

1. http://guiademoscou.blogspot.ru/2016/01/por-que-putin-tem-medo-de-lenin.html

2. https://pt.wikipedia.org/wiki/Tempo_de_Dificuldades

3. http://guiademoscu.blogspot.ru/2013/12/los-romanov-mi-historia.html

4. http://guiademoscou.blogspot.ru/2014/05/os-ultimos-romanov-seriam-bolcheviques.html

Bibliografia:

Elena Prúdnikova

Serguei Kara-Murzá

Serguei Nefiódov

Boris Yúlin