o êxito do Ocidente e o fracasso do resto do mundo

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o êxito do Ocidente e o fracasso do resto do mundo

O livro de Robert C. Allen “Global economic history: a very short introduction” (2011) é recomendado para todos nossos clientes.

O autor estadounidense analisa o êxito do Ocidente e o fracasso do resto do mundo (em particular são interessantes para nós os trajetos semelhantes da América Latina e Rússia).

Contudo Robert C. Allen não é adepto à teoria obsoleta de Max Weber (igual ao protestantismo, o catolicismo prospera nas “áreas de bem-estar”). Também ele não é membro da seita do institucionalismo econômico (a Inglaterra parlamentar teve muito menos liberdades que a França absolutista, e por isso seu “segredo” não foram as “instituições” nem os “valores liberais”).

Como regra ganham os países cujos estados conseguem concentrar o capital para descobrir, conquistar, manter e modernizar. É muito importante a conclusão de Allen que o fenômeno da modernização é motivado por altos salários e por certa igualdade (como mínimo no acesso à educação). Os países de salários baixos e da desigualdade social estão condenados a atraso, arcaização e culto de Ayn Rand.

“Bare-bones subsistence has further implications for social wellbeing and economic progress. First, people living on the bare-bones diet are short. The average height of Italians who enlisted in the Habsburg army fell from 167 cm to 162 cm as their diet shifted from bread to polenta. In contrast, English soldiers in the 18th century averaged 172 cm due to their better nutrition. (Today, the average man is 176–8 cm tall in the USA, UK, and Italy, while the Dutch are 184 cm tall.) When people’s heights are stunted for lack of food, their life expectation is also cut, and their health in general declines. Second, people living at subsistence are less well educated. Sir Frederick Eden, who surveyed labourers’ incomes and spending patterns in England in the 1790s, described a London gardener who spent 6 pence per week sending two of his children to school. The family bought wheat bread, meat, beer, sugar, and tea, and his earnings (£37.75 per year) were about four times subsistence (just under £10). If their income were suddenly cut to subsistence, vast economies would have had to be made, and who can doubt that the children would have been removed from school? High wages contributed to economic growth by sustaining good health and supporting widespread education. Finally, and most paradoxically, bare-bones subsistence removes the economic motivation for a country to develop economically. The need for more output from a day’s work is great, but labour is so cheap that businesses have no incentive to invent or adopt machinery to raise productivity. Bare-bones subsistence is a poverty trap. The Industrial Revolution was the result of high wages – and not just their cause”.

Ao mesmo tempo o autor é um membro do establishment acadêmico e por isso sua lógica às vezes falha. Ao contrário de Giovanni Arrighi Robert C. Allen não explica porque a hegemonia mundial passa da Venesia para Amsterdã, de Amsterdã para Londres e de Londres para Nova Iorque. Suas conclusões nem sempre são convincentes ou completas. Por exemplo, Robert C. Allen determina o modelo estándar de desenvolvimento que é uma suma de 1) criação da infraestrutura, 2) tarifas protecionistas, 3) banca nacional, 4) educação. Mas não está claro, por quê o modelo estándar não funcionou na Rússia dos Romanov, nos países latinos ou no Japão. O autor ignora o fato da dependência bancária destes países.

Sua explicação do colapso da URSS também é muito fraca. Mas é normal, é uma explicação entre centenas de elas (como também existem mais de 230 explicações do colapso da Roma Antiga).

Apesar de tudo isso o livro é interessante e até pode ser inspirador, porque não é tão banal como a maioria dos textos econômicos, patrocinados pelas seitas de Weber, Friedman e Hayek.

Leia nossas outras resenhas dos livros sobre a Rússia: 

Alexander Etkind “Colonização Interna”

 Vladimir Paperniy “Cultura Dois”

Alexandr Prójorov “Modelo russo da gerência”

Serguei Nefiódov e seu Análise Fatorial da História da Rússia