Nikolaj II poderia salvar a Rússia

Nikolaj II poderia salvar a Rússia

uma diputada da Duma venerando Nikolai Romanov

I. “Perdoe-nos, Nikolai…”

Nos dias 16/17 de julho o oficialismo e a İgreja Ortodoxa Russa celebram o aniversário da morte dos Romanov.

Nas rodovias aparecem os cartazes com a imagem de Nikolaj II: “Perdoe-nos, senhor!”. Pode-se ver pessoas nas camisetas com a imagem de Nikolaj II e com a bandeira imperial: “Pelo império russo!”, “Deus, Czar, Nação”, “Somos russos”, etc.

A mensagem do oficialismo é que a Rússia dos Romanov era um grande e próspero império, destruído pela quinta coluna, chefiada pelos «judeubolcheviques» e outras minorias étnicas. “Os revolucionários possuídos por Satanás e pagos pela Inglaterra e Alemanha martirizaram os Romanov, incluindo as criancinhas”. Uma das versões mais psicopatas afirma que a cabeça de Nikolaj Romanov (depois de um assassinato ritual judaico, claro) foi cortada e colocada logo …no escritório de Lenin.

Tais bobagens literalmente são pronunciadas pelo presidente adjunto do Parlamento (partido governante), pelos diretores de cinema (que filmam produções medíocres com dinheiro estatal transmitindo esse lixo) e pelos milhões de popes (padres da Igreja Ortodoxa Russa) omnipresentes (na televisão nacional, nas escolas também).

Esse preconceito putinista é compartilhado pelos monárquicos, nacionalistas, neonazistas e por uma parte dos liberais.

II. O conteúdo real do mito

2 Oscars para promover o culto de Nikolai Romanov

…E quase por todos os turistas, que acompanho em Moscou! Graças aos desenhos animados lacrimosos sobre Anastasia, produzidos em massa no Ocidente (entre eles o que foi produzido em 1997 pela Fox) com a ideia de legitimar a restauração da monarquia na Rússia. A ideia que foi bastante atual no tempo de Yeltsin, hospitalizado permanentemente devido a seu alcoolismo. E até hoje o “roteiro espanhol” tem seus torcedores entre as elites russas (é quando um ditador põe um rei para legitimar a continuação perpétua do poder de seu grupo governante, como fez Franco).

A sociedade russa ainda não degradou suficiente para aceitar este marasmo, mas tudo é possível neste mundo. O projeto da restauração da monarquia originalmente foi promovido pelos brancos, que perderam a guerra civil e fugiram para Europa (perderam a guerra não obstante a ajuda dos 14 países estrangeiros que invadiram a Rússia!). A Igreja Ortodoxa Russa no Exterior tomou a responsabilidade por esta mitologia vulgar dos Romanov. Mantida pela Inteligência do Terceiro Reich nos anos 1933-1945, a Igreja Ortodoxa Russa no Exterior depois da Segunda Guerra foi financiada por CIA e agora depois de M&A com a Igreja Ortodoxa Russa, a Igreja, já unificada, tem todo apoio dos governos de Yeltsin e Putin, e como é sabido, a mentira repetida mil vezes torna-se verdade.

III. Os desajustes do mito

Se pode trollear os fãs de Nikolai II, dizendo, que Pedro, o Grande matou seu filho Alexej – por que não vamos canonizar esse Alexej também? Também foi assassinado Pedro III (com consentimento de sua mulher Catalina II), por que não vamos chorar por esse Pedro III? Todo o século XVIII foi uma série dos golpes palacianos, ou resulta que os Romanov podem ser assassinados só por outros Romanov? Mas neste caso temos que canonizar também Alexandr II, assassinado pelos radicais 36 anos antes da Revolução. Este não foi assassinado por outros Romanov, senão pela “plebe”. Nenhum destes czares foi feito recusar a religião ortodoxa. Ou seja, igual ao Nikolaj Romanov nenhum deles tem a ver algo com o martírio ortodoxo.

Outro dado para pensar. Como a Igreja Ortodoxa Russa no Exterior inventou o culto do Nikolaj Romanov sem saber de todos os detalhes do caso, segundo o mito os corpos dos Romanov foram liquidados em Gánina Jama. Muitos anos já os crentes ortodoxos tem os “orgasmos espirituais” neste lugar. Quando o Comitê de Investigação da Rússia já confirmou várias vezes com ajuda da impressão genética que os corpos dos Romanov foram sepultados em outro lugar – em Porosénkov Log. E agora a situação é bastante cómica: a Igreja Ortodoxa já investiu muito capital em Gánina Jama! Por isso a Igreja Ortodoxa Russa não reconhece os resultados da impressão genética, realizados pelo governo da Rússia!

O culto dos Romanov é ridículo e no fundo é uma vergonha. Já escrevemos bastante para desmitolgizá-lo: leia 7 fatos sobre o fuzilamento dos Romanov.

Uma tarefa mais do culto dos Romanov é profanizar e criminalizar a Revolução russa e o período soviético. Ao mesmo tempo, o período soviético continua sendo a única glória do povo russo e se o putinismo decide se refugiar no sovietismo, vai ser muito difícil se integrar o culto dos Romanov com o pacote soviético. Difícil, mas também possível: os putinistas dirão que Stalin foi um agente dos Romanov infiltrado no movimento dos revolucionários para restaurar o Império e logo passar o poder para Alexej Kosýgin, filho de Nikolaj Romanov! Neste caso os putinistas vão ter conflito com a Igreja Ortodoxa Russa, porque se trata da negação do assassinato dos Romanov…

IV. Nikolai II poderia salvar a Rússia

Em lugar de mentir deveríamos compreender melhor nosso passado para sacar as conclusões corretas! Grande historiador russo, Serguei Nefiódov, crê que Nikolaj II poderia salvar a Rússia, se fizesse uma reforma agrária. Assim, impressionadas pela revolução russa, os grupos governantes da Romênia, Polônia, Bulgária e Hungria, realizaram as reformas agrárias em seus países e prolongaram seu poder…

“Nós tratamos do mesmo fenômeno – da superpopulação agrária na Europa do Leste. A falta de terra para os camponeses causava a revolução. E ela explodiu em lugares diferentes, mas foi totalmente lógico… Em 1905 o primeiro-ministro Serguei Witte ofereceu ao czar Nikolaj II realizar tal reforma e tirar mais da metade das terras dos latifundiários pelo resgate, isso foi realizável. Como também isso foi realizável ainda nos anos 1916-1917…”.

O remédio de Witte (tirar as terras dos latifundiários) foi evidente depois da primeira Revolução Russa – em 1905, quando os camponeses queimaram cerca de 50% das casas de donos das terras na parte central da Rússia. Todos os chefes da polícia, envolvidos na liquidação dos distúrbios, apoiavam a solução de Witte.

Mas o czar Nikolaj Romanov, o Sanguinário respondeu com as represálias contra seu povo (realizadas mediante o novo primeiro-ministro Piotr Stolypin, logo assassinado pelos radicais).

Grosso modo, assim o czar, latifundiário #1 da Rússia, levou a Rússia para a catástrofe da revolução.

Depois da Revolução de Fevereiro (quando o czar se abdicou do trono) o Governo Provisório (conhecido popularmente como um “governo dos ministros-capitalistas”) também não quis fazer nenhuma reforma agrária! Em agosto de 1917 os camponeses começaram roubar e queimar as vilas dos latifundiários, os rebeldes mataram centenas dos donos das terras na Ucrânia e na parte central da Rússia. O exército, formado pelos camponeses mesmo, não pôde suprimir as revoltas. Por exemplo, quando o príncipe Boris Leonidovič Vjázemskij quis usar o exército contra “seus” camponeses na província de Tambov, os soldados ignoraram as ordens de seu comandante e deixaram os camponeses apreender o príncipe Vjazemskij. Os camponeses mandaram o príncipe preso para o front como “um prófugo”. Na estação de trens mais próxima o príncipe Vjazemskij foi linchado por um pelotão de uma companhia de choque siberiana, que viajava para o front. Nessa situação a única solução foi formulada de jeito muito simples: “Paz, pão e terra” e “Todo o poder aos Sovietes”. Não havia alternativa à aliança dos bolcheviques e socialistas-revolucionários de esquerda, que interceptaram o poder do governo provisório para ganhar um século mais para a Rússia.

Fontes:

Sergej Nefëdov, Sergej Kará-Murzá, Vasilij Gálin

Por que Putin tem medo de Lenin

7 fatos sobre os últimos Romanov

O oficialismo putinista vs a Revolução

Igreja Ortodoxa vs a Revolução

Dostoevskij sobre os últimos Romanov

Tolstoj sobre a situação em Moscou no tempo dos últimos Romanov


Liev Tolstói sobre Moscou

Liev Tolstói sobre Moscou:

“Fedor, pedras, luxo, pobreza. Devassidão. Se reuniram os malfeitores, que roubaram o povo, eles recrutaram os soldados, juízes para proteger sua orgia, e banqueteiam. O povo não tem mais nada a fazer se não sacar o roubado, aproveitando-se das paixões dessa gente”.

Essa característica se tornou outra vez atual depois da restauração do capitalismo periférico na Rússia, semelhante ao regime da Rússia dos Romanov. Mas Moscou ainda não é caracterizada pelo fedor – a infraestrutura soviética segue funcionando bem: o transporte público ainda é bastante ecológico (metrô, bondes, trolleys). Os sistemas de aquecimento, geração da energia estão centralizados e bem pensados embora estejam semi-abandonados pelas “reformas” e privatarias de Yéltsin e Putin.

Umas imagens da Rússia dos Romanov que nós tinhamos perdido:

Tomando chá em Mytíshchi, V.Perov

Morta afogada, V.Perov

Troika, V.Perov

Execução dos rebeldes de Pugachov. V.Perov

mulheres russas, arrastando os navios dos ricos

zelador, indicando o quarto por alugar para uma mulher nobre. V.Perov

Vagabundos. Sem casa. V.Perov.

Leilão das coisas de um mau pagador. V.Perov

Num boulevard. V.Makóvski

Benção de um próstibulo. V.Makóvskiy

 


“Los Románov, mi historia”

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la cola a la expocisión “Los Románov, mi historia” en Manezh, 2013

Creo que Catalina la Grande y su gobierno fueron la máxima expreción del gobierno de los Románov, cuando en realidad el zar como representante de dios en la tierra abandonó a su pueblo, cuando las élites dominaron por completo la política. Tenemos pocas excluciones de esta regla: Alexei Mijáilovich, Pedro el Grande y Nicolas I.

La reina perversa pervirtió su estado“, – dijo nuestro poeta Alexandr Púshkin sobre Catalina la Grande.

No es correcto igualar a Pedro el Grande con Catalina la Grande (no comentamos aquí el error bastante frecuente de considerarlos marido y mujer). La potente máquina del estado creada por Pedro I fue desmontada por Catalina II. Catalina cedió a las élites todos los monopolios estatales: el del trigo, el del vino, el del comercio y el de la industria.

Los ingresos del presupuesto al final del gobierno de Catalina II fueron mas bajos que a su inicio. Se empeoró el financiamiento del ejercito. La corrupción se volvió una pandemia. Si en la época de Pedro I los nobles tuvieron que pasar en el ejército 3 años de soldados rasos para ostentar de un grado oficial, en la época de Catalina a los bebes recién nacidos los alistaban al ejercito para que a edad de 22 años ya se volvieran coroneles y generales. Uno de los validos de Catalina II – Potiómkin en 1795 robó del ejército toda la quinta del año: se apropió de 50 mil reclutas – los hizo sus siervos! El ejército se hizo sinónimo de la “carcel”: si en la época de Pedro I a los soldados les pagaban un salario, en el tiempo de Catalina II sus salarios se redujeron tanto que no bastaba para comer, además los oficiales consideraban a los soldados una especie de sus esclavos y en mayoría de los casos no les pagaban.

Cuando en las aldeas se despedían de los reclutas, les cantaban canciones de funerales. Mejor sería llamar a los siervos del período de Catalina II “esclavos”, aunque oficialmente eso estaba prohibido por la censura – a Catalina le gustaba lucir de “ilustrada”. No obstante en su correspondencia personal y entre los suyos sin tiquismiquis los llamaban a los siervos de “esclavos”, los vendían en las plazas centrales de las ciudades separándolos de las familias. Latifundistas autorizaban los matrimonios, disfrutaban del derecho de la primera noche, formaban harems, etc.

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Yemelian Pugachov, lider de la guerrilla del XVIII

En la época de Catalina II el régimen de servidumbre definitivamente se transformó en la esclavitud, es por eso que había tantas rebeliones en este periodo, de vez en cuando ellas se desembocaban en verdaderas guerras campesinas, como fue el caso de la rebelión de Yemelian Pugachov. Éste se autoproclamó como Pedro III, que fue mardio de Catalina II. Es que Pedro III, arpovechando las rebeliones de los siervos de monasterios inició la secularización de las tierras de la iglesia, entonces, los campesinos crearon un mito, como si este zar fuera “bueno”, como si él quisiera regresar a las tradiciones estadistas de Ivan IV, el Severo.

Durante la guerrilla de Yemelian Pugachov fueron asesinados 1600 latifundistas con sus mujeres y niños, alrededor de 1000 oficiales y funcionarios y más de 200 sacerdotes – ya en aquel entonces los curas oficiales para el pueblo eran lacayos del poder, que vendieron a Cristo.

Según las leyes de Catalina II solo por intentar reclamar los abusos del dueño para los campesinos estaban previstos los catigos penales. La sobreexplotación de los campesinos por las élites llevó el pueblo al hambre y a una epidemia de la peste. Con esto el gobierno ni quiso mover un dedo para ayudar a la gente: el estado como tal se desapareció. Las prácticas estadistas se recuperaron solo después de la muerte de Catalina II, con la llegada al trono de su hijo no deseado Pablo I. Pablo contrae la linea de Pedro el Grande y de su padre – Pedro III, su corto gobierno fue un intento de limpiar los establos de Augías, heredados de su mamá. Pablo por eso fue asesinado muy rápido por las élites, que pusieron al trono a su hijo – Alexandr I.

Sin embargo a pesar del espíritu reformador del zar Alexandr I, bajo su gobierno las élites otra vez ganaron y el siglo XIX fue el peor tiempo para los campesinos de gleba. Al siglo XIX caen 7 epidemias nacionales, efecto del hambre y desnutrición (es un récord, antes a cada crisis secular correspondía una epidemia sola).

Un sumario de las quejas de los campesinos de la provincia de Sarátov, realizado por el investigador D.L.Mordóvtzev (1830-1905), nos da una idea de la violencia social que vivió el pueblo ruso en el sistema de derecho, construido por Catalina la Grande. Según este sumario en sus haciendas los atifundistas azoteaban, apaleaban, “golpeaban en los dientes con el taco”, “golpeaban en los pómulos con los puños”, “colgaban” por las manos y piernas en las pértigas, “desencajaban los miembros” a través del colgamiento, así llamado “patito” (cuando te amarran las manos y piernas y luego las pasan por la pértiga), practicaban el vestido de los “hierros de cuello”, “hierros de caballo”, “malla de cara” (para torturas de hambre), chamusquina de los pelos del pubis de las mujeres, “embridamiento”, “colocamiento en el cubo”, “colocamiento en la sartén caliente”, etc. Mordóvtzev habla de los casos de la selección de jóvenes campesinas para “la casa del baryn por el asunto de la cama”… Otros hacendados preferían las campesinas madres jóvenes, “como consecuencia los hijos de las campesinos se sofocaban del grito durante esas noches sin madres”. El hacendero de Orenburgo Stashinski solía desflorar a las niñas de 12-14 años. Como consecuencia, dos de ellas murieron después de la violación, pero el violador no fue llamado para responder ante la justicia. A. fon Gakstgáuzen testifica que los hacendados en masa mandaban a las campesinas a Moscú y San Petersburgo para pagar el “obrok” mediante la prostitución. Ciertos hacendados creaban en las capitales burdeles formados por esclavas de gleba.

promo

hoy las exposiciones multimédias “Los Romanov”, “Los Rúricovichi” y otras están sediadas en un pabellón especial del parque VDNKh: “Rusia. Mi historia”.

Las grandes reformas de Alexandr II (“Abolición del régimen de servidumbre”) mejoraron la vida de los campesinos, sin embargo, los campesinos de hecho se quedaron sin tierras y tuvieron que pagar una péssima “hipoteca” para obtenerlas, los pagos eran un poco más livianos que antes, no obstante como siempre bajo los Románov había rebeliones, porque las grandes reformas incertaron la economía rusa al mercado mundial en calidad de una colonia productora del trigo (así fue el efecto de la construcción de las carreteras ferrocarriles con el dinero de los bancos occidentales). A pesar de las hambrunas regulares el trigo se exportaba al extranjero, el dinero lo gastaban latifundistas en sus viajes al Occidente mientras el campesinado ahorraba su odio para las 3 revoluciones rusas del siglo XX.