“Um tal. 1917”

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“Um tal. 1917”

Está se aproximando o dia 7 de novembro de 2017, que é o dia que se comemora o centésimo aniversário da Grande Revolução Socialista de Outubro de 1917. O evento, em geral, é ignorado na Rússia, mas o oficialismo tem que fazer algo, não tem? Porque, sem dúvidas, o interesse mundial pela Revolução Russa é grande, e o próprio povo russo ainda não se esqueceu totalmente da mudança que levou a Rússia de República das Bananas (os últimos Romanov) para uma superpotência (URSS). Ainda que as gerações jovens sejam idiotizadas pela propaganda da derrota e da restauração dos anos 1985-2017.

No museu oficialista de arte contemporânea “Galeria Tretyakov do século XX” foi aberta há pouco tempo a exposição “Um tal. 1917”. Sem chamar muito a atenção, claro… Quando o oficialismo quer promover algo, ele promove por todos os canais de televisão, nos horários de grande audiência. Falam sobre alguma chegada das relíquias de São Nikolai à Rússia e assim se formam as filas intermináveis para venerar essas relíquias (embora que em muitas igrejas russas SEMPRE haja relíquias de São Nikolai e por isso não deve haver agiotagem nenhuma). Então, não há barulho nenhum pelo motivo da exposição “Um tal. 1917”. Mas a exposição é interessante para compreender a postura do oficialismo.

Quanto à arte visual russa, sem falar da iconografia ortodoxa, o “monopólio natural” da Rússia é a vanguarda soviética: Tatlin, Rodchenko, Kandinsky, Malevich, Chagall, Deineka, Petrov-Vodkin, etc. São os ícones da arte do século XX, os nomes inseparáveis da Revolução Russa. Por isso a tarefa do oficialismo reacionário é no mínimo separá-los da Revolução e no máximo, se são absolutamente inseparáveis, desprezá-los.

A mensagem da exposição dedicada ao aniversário da revolução que o museu principal do país quer enviar para o público é seguinte: a democracia é muito questionável… Por isso a exposição se abre com o “desmascaramento” do “mito do povo russo”. Desde Fyodor Dostoiévski, os intelectuais russos tratavam o povo russo como a única fonte de verdade, como um povo “porta-Deus” (portador da ideia de Deus). Todo o movimento intelectual russo girava em torno do populismo, no sentido de libertar o povo escravizado pelos Romanov (que levaram o nosso povo até quase um estado animal). Os sucessos do período soviético na ciência, arte, esporte, guerra e economia são uma consequência da realização deste sonho dos populistas russos. Então, a visão atual do oficialismo é diferente, o povo não é “portador de Deus”… Os curadores da exposição “Um tal. 1917” destacam a obra de Boris Grigoriev, que apresentou o nosso povo como uma plebe. Que caras cruéis, ignorantes, perigosas… Lembre da russofobia de Ivan Bunin (premiado por sua russofobia com o Nobel em 1933): “Suas vozes são uterinas, primitivas. Os rostos das mulheres são como da Chuváchia, da Mordóvia, os rostos dos homens, todos como regra, são criminosos, alguns são diretamente de Sakhalin. “E quantos rostos são pálidos, de maçãs salientes, surpreendentemente assimétricos entre a plebe russa – quantos são os indivíduos atávicos, fortemente amassados no atavismo mongol!” (extraido dos “Dias malditos”, um livro de Bunin, onde o autor sonha com a ocupação da Rússia pelos alemães).

Claro que os conteúdos principais da exposição são: Tatlin, Rodchenko, Kandinsky, Malevich, Chagall, Deineka, Petrov-Vodkin, etc. Mas no final, para que o espectador não se esqueça da mensagem do oficialismo, oferecem um “epílogo” do qual se pode deduzir que é provável que todos os gênios da arte soviética tivessem uma moralidade dupla e que talvez trabalhassem de um jeito genial contra sua vontade, pelo medo, etc. Assim o oficialismo profana a coisa mais sagrada da arte russa: a vanguarda soviética.


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Igreja Ortodoxa Rússa vs Revolução

I. DAESH Ortodoxo vs a Revolução Russa

Na Rússia em geral se ignora o Centésimo aniversário da Revolução Russa. O Museu da Revolução em Moscou (renomeado para o museu da história contemporânea já faz um tempo para apagar do nome da “revolução”) foi fechado pelas obras durante toda a temporada alta de ano 2017. No outono de 2017 nos vão apresentar pela televisão estatal umas séries com a única mensagem que Lenin fosse um espião alemão (1). Na Avenida Sajarov em Moscou estão erguendo um monumento às vítimas de GULAG (“Muralha das Lamentações”). O regime continua promovendo a religião e o culto quase oficial dos Romanov (2). Ao mesmo tempo é onipresente a nostalgia soviética da maioria esmagadora da população russa, mas se trata de uma nostalgia formal, bem filtrada das ideias da igualdade, do progresso ou do socialismo (3).

A única notícia é a estreia do filme “Matilde”. Não vimos este filme, mas é fácil compreender o conteúdo dele.

Matilde Kschessinska foi uma bailarina brilhante, leoa secular de São Petersburgo, amante de vários caras da família dos últimos Romanov, de Nikolai II, entre eles. Matilde Kschessinska também participou ativamente nos esquemas de desvio do dinheiro público, destinado para o exército, durante o governo “genial” de Nikolai II. Segundo um dos apócrifos, quando logo depois da derrota russa em Tsushima (4), a bailarina apareceu na cena do Teatro Mariinskii e como sempre cheia dos brincos de diamantes, o público começou a gritar: “Aí estão nossas canhoneiras novas! Estão em seus ouvidos!”… (5) Depois da Revolução de Fevereiro a mansão de Matilde Kschessinska foi ocupada pelos bolcheviques e virou o quartel-general da Grande Revolução Socialista de Outubro. Claro que toda essa história é um presente para qualquer diretor de cinema na véspera do aniversário de 100 anos da Revolução, não é?

E tal filme foi feito, é lógico, mas sua estreia foi acompanhada pelos ataques quase terroristas contra os prédios de cinema, que sediaram este filme, contra os autores, etc. Os protagonistas dessa intolerância primitiva foram uns radicais de um tal chamado “Estado Ortodoxo”, ou seja, um análogo de DAESH, só “ortodoxo”. Os radicais foram apreendidos pela polícia russa e o governo russo inteligentemente em seguida distanciou do barulho em torno dessa história. Embora que, sem dúvidas, a mesma existência de tais radicais “ortodoxos” fosse um produto direto da decadência cultural dos últimos anos (“mais igrejas, menos escolas”). Os radicais “ortodoxos” acham que nenhuma crítica de seu São Nikolai II deve ser aceitada…

II. Igreja Ortodoxa Russa, legitimando o oligarcado

Achamos que a religião é um fenômeno bem complexo (leia, por exemplo, “Big Gods: how religion transformed cooperation and conflict” de Ara Norenzayan). Na história russa a religião teve seus tempos altos e baixos (6) e até num certo sentido a religião ortodoxa inspirou o comunismo russo (7), ao mesmo tempo no caso dos Romanov a Igreja virou um mero Ministério de Ópio para o Povo e em parte de tal jeito a Igreja funciona agora, sua missão principal é deslegitimar o período soviético e legitimar o regime dos oligarcas atuais. Além disso a Igreja Ortodoxa Rússia atual foi super influida nos anos 1990 pela Igreja Ortodoxa Rússa no Exterior, aquela igreja que colaboró com os nazistas durante a IIGM e com a CIA durante a Guerra Fría.

E sua propaganda é bem efetiva. Nessa semana trabalhamos com um motorista – fanático ortodoxo, que a cada minuto queria-nos “cristianizar”, apresentando todo o pacote dos “mems” da igreja atual, que lhes oferecemos abaixo:

Quanto à desigualdade africana na Rússia: “não é nosso assunto, temos que ser humildes e pensar só em nossas almas”.

Quanto ao consumo dos produtos de luxo pelos padres e hierarcas da Igreja Ortodoxa Russa: “como disse o padre Teognost da Laura de São Sergio, os monges são filhos de Deus e devem ter os brinquedos adequados, seus Mercedes e BMWs é sua forma de humildade, é sua cruz, não temos que pensar nisso”.

Quanto à ideia de trocar os Mercedes e BMWs dos popes pelos remédios para as crianças: “Quem é você para pensar sobre esse assunto?! O sofrimento humano também é um plano de Deus!”

Nosso motorista não podia controlar seus nervos, gritava muito, nos insultava, e nossos turistas do Paraguai até ficaram assustados.

III. Neoconservadorismo forma parte da Reforma de Choque

Também é interessante dizer como começou nosso contato com nosso motorista fanático: ao iniciar o City Tour eu pedi ao motorista que nos levasse para o Hotel “Moscou”. Todo o mundo em Moscou conhece esse hotel “Moscou”, obra-mestre do arquiteto Shchusev, mas ultimamente esse hotel foi renomeado para Four Seasons (profanação do regime dos oligarcas). Mas nosso motorista não sabia. Então, eu expliquei para o motorista que agora esse hotel se chama Four Seasons, mas nós os russos devemos estar conscientes aos nomes de verdade. O motorista comentou: “Então, você é um liberal?!”. Ou seja para ele qualquer forma de questionar o putinismo é ser liberal!.. Quando de fato eu era um conservador (quero “conservar” os nomes autênticos) e o liberal era ele (torcendo por Four Seasons, propriedade de Bill Gates e algum príncipe saudita). Disso eu posso concluir que a Igreja Ortodoxa Russa de fato pode legitimar qualquer coisa, seja putinismo ou algum governo mais pro Ocidente. Muitos até acham que o conservadorismo ortodoxo foi importado da Gringolândia junto com as ideias da economia de mercado ou da guerra sagrada de todos contra todos, que justifica a  concorrência, desigualdade e canibalismo. A Igreja Ortodoxa Russa forma parte do pacote do  neoconservadorismo moscovita, que é uma cópia do neoconservadurismo yankee. E esse neoconservadorismo macaqueado já deu um grande trabalho nos últimos 30 anos!

  1. Por que Putin tem medo de Lenin?
  2. Desestalinização dos Romanov
  3. Eterno retorno de Stalinismo
  4. https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Tsushima
  5. Leia também: http://guiademoscu.com/?p=1061
  6. http://guiademoscu.blogspot.ru/2010/09/sopa-de-las-cebollas-de-las-cupulas.html e http://guiademoscu.blogspot.ru/2013/02/el-mito-de-la-persecusion-de-la-iglesia.html
  7. http://guiademoscu.blogspot.ru/2012/07/sermon-de-la-montana-como-el-codigo-del.html

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Las fotos de un turista estadounidense, que viajaba mucho por la URSS

Hace poco hablé con una colega de la generación de los años postguerra y la doña me comentó que antes (en los años 60, 70, 80) había mucho más turismo que hoy, sólo venían las naciones que ahora no pueden disfrutar del turismo: polacos, checos, húngaros, rumanos, búlgaros, yugoslavos – pero no solo turistas de la órbita de la URSS, sino también turistas del “mundo capitalista”. Y los paquetes turísticos de antes eran mucho más ricos que hoy: Transiberiano, Cáucaso, Crimea, Asia Central, unas 2 semanas y no un par de dias como ahora. No hablamos de que los mismos rusos viajaban mucho (hoy su movilidad bajó bastante).

O sea son necios los que hablan del autoaislamiento de la URSS. Tampoco se puede hablar de la incomunicación cultural.

Es muy interesante que la industria de la URSS producía en masa las radios de onda corta para captar las emisiones de los países más lejanos. No es de sorprender que en los países del bloque del Este las bandas tan sofisticadas como Uriah Heep, King Crimson, Yes, Pink Floyd, etc. fueran más populares que en el mismo Occidente! Ideológicamente se afirmaban el internacionalismo, aprendizaje de lenguas, abertura cultural [1.]…

Los años 50, 60 eran un punto culminante de la historia rusa, usando las palabras del “nietzsche ruso” – Konstantin Leóntiev, eso fue el período de la “complejidad floreciente”. Las fotos diapositivas de Thomas T. Hammond, un turista estadounidense [2.], reflejan muy bien este espíritu del crecimiento desenfrenado.

Fijese que se trata de un pueblo que recién ganó la guerra mas cruel de la historia de la humanidad: la URSS resistió sola contra toda la Europa movilizada por el fascismo, la guerra devastó la parte europea de la URSS y solo unos años después de la Victoria la URSS llegó a la prioridad en la cosmonáutica, industria atómica sin hablar del campo cultural.

  1. recomendamos el libro de Alexei Yurchak “Everything Was Forever, Until It Was No More: The Last Soviet Generation”.
  2. Hammond no fue un turista simples, fue un enemigo de la URSS, uno de los promotores profesionales de la guerra fria y es irónico que la URSS fue absolutamente abierta para este tipo de hombres, no les tuvo ningún miedo. Mientras a los simpatizantes de la URSS los perseguían y marginalizaban en los EE.UU., la URSS sin ningún problema dejaba viajar por su tierra a sus propios enemigos… http://www.ctevans.net/Historians/Hammond.html

Vea el álbum de Thomat T. Hammond aquí:

Fotos de un turista estadounidense, que viajaba por la URSS

Posted by Guia de Moscú, Guia de Moscou. Private Tours in Spanish/Portuguese on Tuesday, July 4, 2017


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Pskov: MUST SEE (imperdível)

#Pskov

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Pskov, história

Segundo uma das teorias de etnogênese, os povos novos sempre se formam nas fronteiras, pela causa da interação “amizade/guerra”. Assim foi o caso de Kiev (fronteira russa com Khazaria e Império Bizantino), Moscou (área russa no marco da Horda de Ouro), São Petersburgo (literalmente o frente da guerra da Rússia contra a Suécia) [1.]

Um dos centros de etnogênese russa foi também a área de Pskov (300 km de São Petersburgo para sudoeste, 800 km de Moscou para noroeste). Pskov fica a 2 passos da Estônia e a Lituânia atuais. Muito mais antiga que Moscou, até o século XVIII Pskov foi uma das maiores cidades da Europa. Pskov protegia a Rússia das agressões das tribos bálticas, das Ordens Teutónica e Livônia. No período da desintegração feudal Pskov balanceava entre Kiev e Novgorod até quando, no século XV, ficou subordinada a Moscou.

As cidades fronteiriças se diferenciam por sua dualidade: por um lado elas copiam algo de seus vizinhos, por outro lado desenvolvem seu próprio estilo para ser diferentes. Hoje, para algumas pessoas Pskov é uma das “janelas para Europa”, a terra russa “menos infectada” pelo bolchevismo-czarismo-hordismo. É importante saber que depois da catástrofe da aventura dos Romanov na I Guerra Mundial o governo soviético teve de ceder uma parte da região de Pskov ao estado marioneta da Inglaterra – à República da Estónia (a Rússia Soviética estava no caos da guerra civil, invadida pelos 14 estados estrangeiros). Destruída pelos Romanov, a Rússia se recuperou só depois da Vitória da URSS na 2GM. Assim, o povoado Izborsk, um dos símbolos da Rússia (fica a 30 km de Pskov!) em 1920-1940 foi integrado à Estônia. Durante a 2GM em Pskov, ocupada pelos nazistas, se acomodaram o “exército russo da libertação” do traidor Andrei Vlasov, a “Divisão Azul” dos franquistas espanhóis e outros colaboracionistas do fascismo pan europeu. É lógico que para os neonazistas russos o caso de Pskov é muito especial.

Um dos torcedores dessa onda, entrevistado por nós perto de Izborsk, com muito orgulho comentou que durante a guerra civil russa os representantes da tribo local seto, atacando aos russos-vermelhos, não  gritavam “HURRA” como os “untermensch” russos (“hurra” é uma palavra turca, herdada da Horda de Ouro). Os setos, sendo “super homens”, durante seus ataques costumavam simular as vozes de porcos, cachorros, galos, etc. É curioso notar como o anti sovietismo leva ao arcaísmo total… [2.]

#izborsk

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Pskov, arquitetura

Achamos que Pskov tem o segundo posto depois de Moscou pelos seus recursos turísticos… Pelo menos Pskov e seus povoados satélites Izborsk e Pechory estão na mesma altura que São Petersburgo ou Anel de Ouro de Moscou. http://guiademoscu.com/?page_id=670

A arquitetura de Pskov é caracterizada pelo jogo cubista de volumes, por certo primitivismo, não é semelhante com nada. As muralhas das fortalezas aqui não são alinhadas, nem modeladas em estuque, assim as pedras calcárias ficam como uma massa folhada. Na arquitetura de Pskov se inspiraram os gênios tão influentes como Shchusev e Le Corbusier. Alguns expertos até creem, que os autores da Catedral de São Basílio de Moscou (a obra chave da arquitetura russa) fossem da origem de Pskov.

Lamentavelmente Pskov (igualmente a toda a Rússia) está abandonada desde a queda da URSS, a cidade não tem planejamento sério, tem muitos prédios queimados ou abandonados no centro, sem falar dos prédios novos e feios da época de Yeltsin/Putin, que estragam os panoramas geniais de Pskov. Pskov não tem boas rodovias. Ao mesmo tempo há de reconhecer que a parte histórica em geral não está descuidada e as obras da restauração receberam certo financiamento no período da bonança petroleira dos anos 2000.

Una iglesia de #Pskov que inspiró a #lecorbusier a diseñar su #chapelle

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Pskov, rodovia de Moscou

A rodovia é de pista simples, as vezes é difícil ultrapassar um caminhão, por isso a rodovia está “decorada” com muitas tumbas de ambas as beiras (de vítimas de accidentes). Ao mesmo tempo a qualidade da rodovia é bastante alta, se pode conduzir tranquilo a 110 km/hora durante a chuva. A rodovia tem muitos outdoors memoriais, que informam sobre o movimento do frente russo durante a 2GM, sobre as vítimas dos castigadores nazistas, sobre as pérdidas faraónicas dos russos nas batalhas de Rzhev, sobre as fossas comuns, etc. Mas a julgar pelas fazendas soviéticas abandonadas em massa (muitos prédios de concreto armado em abandono!), se pode pensar, que a guerra acabou de finalizar ontem (para muitos russos o dano das “reformas” de Yeltsin/Putin é equiparável com o dano da 2GM). As cegonhas estão em todas partes… Uma até construiu seu ninho em cima dum obelisco perto de Rzhev. As aves tamanhas sobrevoavam a gente como os pterodáctilos. A natureza é fantástica e rica, cada 100 metros da rodovia vendem peles, gordura de urso, castóreo, vodkas com sabores, etc.

#Pskov

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Pskov, a vida alternativa

Como a região de Pskov fica perto de São Petersburgo, lá se organizam os festivais musicais, de cultura étnica, recreações históricas, etc. Há várias comunidades de jovens, que escapam da civilização pós-soviética mediante a vida rural: uns se dedicam à cervejaria, outros montam as fábricas de queijo, visando para o mercado de produtos artesanais kraft, que tem em São Petersburgo. Os joven recuperam as técnicas perdidas de tecido, de construção de lareiras, etc. A ideia é viver sem estado (a isso se reduz a ideologia de putinismo: as matérias primas são só para as elites, o povo tem que aprender a viver sem estado). Mas não é fácil viver na terra, o estado não os deixa em paz. O custo da terra está crescendo (embora que a maior parte da terra esteja abandonada), os impostos sobre a terra também sobem. A medicina estatal degradou até o nível da Idade Média, mas a medicina privada (muito cara) não é melhor. Os “escapistas” precisam de gasolina para levar as crianças à escola do povoado mais próximo. Depois da escola primária a dor de cabeça dos pais aumenta: há de se pensar sobre a educação séria, que é impossível na província… Claro que a vida no campo é muito atrativa, já que é uma tradição da nobreza russa… Mas antigamente os nobres russos tinham escravos, Liev Tolstoi, vivendo em sua Yasnaya Polyana, foi o escritor №1 no planeta e ganhava bastante com seus direitos autorais… As fontes de renda dos “escapistas” de hoje são seus apartamentos em Moscou ou em São Petersburgo, que eles arrendam para os “não moscovitas”. Além disso, eles têm seus pequenos negócios elitistas orientados ao mercado das cidades grandes como São Petersburgo ou Moscou.

A região de Pskov é um ótimo lugar para uma vida alternativa, há muitos locais remotos, e São Petersburgo não é tão agressiva destruindo suas periferias como Moscou. Há pessoas aqui que participam nos programas da reeducação dos jovens criminosos da EU [3.]. Segundo a imprensa russa, esses jovens europeus reeducados nas aldeias da Sibéria ou em outros lugares da Santa Rússia, viram aqui as pessoas normais porque na Europa eles sofrem maus tratos e na Rússia lhes tratamos muito bem. Não é tão simples… Segundo um de nossos informantes um dos tais delinquentes europeus (um turco alemão), localizado na fazenda de um conhecido, durante a festa de Ivan Kupala saiu da sauna com uma suastika pintada em seu frente com carvão e começou a esticar o braço direito, gritando Sieg Heil… O louco roubou 5000 rublos (80 euros) de seu anfitrião e fugiu em um táxi para o aeroporto Pulkovo de São Petersburgo, foi um comportamento típico para os delinquentes russos também, mas isso não dá certo, claro… O caminho para o centro do mundo (que hoje é o Ocidente) nunca foi fácil.

Leia mais:

1. http://guiademoscou.blogspot.ru/2013/12/sobre-o-codigo-cultural-dos-russos.html

2. Numa comunidade alternativa de Izborsk nos encontramos com um neonazista bielorrusso, que nos contou uma história anti soviética, bastante sofisticada, mas típica (o neonazista foi absolutamente “open minded”: cabelo largo, cara tatuada, piercing abundante). Segundo o neonazista durante a crise dos anos 1920 o governo de Lenin quis ganhar o dinheiro produzindo vodka. Mas no país destruído pela guerra civil não havia trigo de centeio. A consulta dos cientistas lhe ofereceu a Lenin produzir a vodka …da merda. Para o neonazista bielorrusso isso é um fato histórico, ele “viu” os “documentos” “com seus próprios olhos”, blablabla… Os operários depois de descobrir o plano de Lenin, se rebelaram… Graças a Deus, essa história em seguida foi desmistificada por um produtor de cerveja, que explicou para o neonazista ridículo que seria impossível produzir a vodka da merda, porque a merda não tem açúcar. Deveria ser uma merda de um diabético! O neonazista resistiu: disse que ele mesmo bebeu muita vodka da merda, que na Bielorússia atual é bastante comum, mas isso já foi outra história…

3. http://www.elcorreo.com/vizcaya/20080118/mundo/reeducacion-siberia-20080118.html


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A moda russa

um rapero pro Putin, vestido de Jojlomá (obra de D.Simachov)

Se você tem interesse pela roupa russa do mercado popular, você pode consultar marcas como BeFree, Oodji, Incity, Ostin, que estão presentes em qualquer shopping de Moscou.

A loja on-line glance.ru também apresenta só os estilistas russos da mesma categoria.

Também você pode encontrar muitas marcas russas no shopping Tsvetnoi, que fica perto do Circo de Moscou no Boulevard Tsvetnoi.

Outra opção é conhecer a feira dos estilistas russos no shopping subterrâneo “Ojotniy Riad”, que fica na saída da Praça Vermelha para a rua Tverskaia.

As marcas russas do segmento superior estão apresentadas nas lojas exclusivas, as vezes essas lojas são equipadas com as salas de exposições.

Consulte as multimarcas russas, como

http://reddesigners.ru/ru/designers/rossijskie/

http://www.sundayupmarket.ru/participants/

http://roomchik.ru/

https://www.facebook.com/AUroom-250895545048003/

A loja on-line familiar (os suéteres, etc. são tecidos pelos parentes das donas da loja) http://mascva.ru/sale/

http://dressone.store/

hooligan style é clássico na Rússia (D.Simachov)

Em TsUM – Loja de Departamento Principal por sua sigla em russo (TsUM é o prédio gótico ao lado do Teatro Bolshoi) você pode encontrar a roupa da famosa adolescente russa, chefa de 100 lojas espalhadas por todo o mundo – Kira Plastínina.

Talvez que seja interessante a loja individual de Cyrille Gassiline.

É bastante famoso também o estilista Denis Simachev, seu salão-bar fica no centro de Moscou, pintado ao estilo de Jojlomá. Simachev foi primeiro quem captou a onda da nostalgia pela URSS: ele começou produzir as camisas com símbolos da URSS e com os retratos de Putin desde o ano 2004, hoje isso virou o mercado popular.

Outros nomes relevantes dos estilistas russos:

http://alenaakhmadullina.com/

http://alenaakhmadullina.com/

http://www.alexanderterekhov.com/ru/

http://annamiminoshvili.blogspot.ru/

http://www.inshade.ru/

https://www.mashatsigal.com/

http://www.novi-natali.ru/

http://alinaassi.com/

http://www.d-nastia.ru/

http://dashagauser.com/

http://www.chekrizova.ru/

http://norsoyan.ru/

http://www.nadianurieva.ru/

http://www.shapovalova.ru/

http://sofistrokatto.com/ru/

https://vassatrend.ru/

http://www.vivavox.ru/

http://www.yanastasia.ru/

http://www.2gt.ru/

http://www.eshipilova.com/

http://www.home-shoes.ru/


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O que levar de presente do Brasil para a Rússia?

– Uma garrafa de cachaça é um ótimo presente. A cachaça é semelhante à vodka caseira russa, conhecida como “samogon” e os russos vão gostar!

– Camiseta da Feb (Força Expedicionária) – os russos quase não sabem nada da participação brasileira na 2GM e eles vão gostar muito da história de como “a cobra fumou”. Aseguramos, que Camiseta da Feb vai ser muito mais original que uma camiseta da seleção brasileira!

– Café? É um presente universal, mas na Rússia se vende bastante café brasileiro, embora este café provavelmente seja falso. Por isto há de presentear com um café 100% autêntico. Erva mate? Pode ser, mas na Rússia ela é mais associada com a Argentina graças aos livros de Julio Cortázar. Não tem associação com o Brasil. Mas como os russos são campeões no consumo de chá, sem dúvida eles vão gostar da erva mate.

– Um disco da Bossa Nova? – legal! Mas o tema, igual ao café, é bastante famoso na Rússia. Não seria melhor levar um disco de Luiz Gonzaga? Os russos são super musicais, sem dúvidas eles vão ficar loucos pelos sucessos como “Pagode Russo” ou “A Vida de Viajante”! O acordeão é muito significativo para os russos. E o chapéu cangaceiro?! É um presente genial para acompanhar um disco de Luiz Gonzaga!

– Calça branca para homem. Melhor que seja do Rio de Janeiro! Parece estranho? Vou explicar. Pelo romance satírico russo “As 12 cadeiras” a calça branca do Rio de Janeiro virou para os russos um símbolo de êxito [1.]. O herói do romance é um aventureiro que considera a Rússia Soviética um país dos inocentes e sonha com enganar o “sistema”, ganhar um milhão e correr para o Brasil, para o Rio de Janeiro, que segundo ele é uma cidade chique, uma cidade de milionários, onde cada homem usa calça branca e nas ruas se dança o charleston intitulado “Minha menina tem uma coisa pequenina”. “Rio de Janeiro – o sonho de cristal da minha infância… 1,5 milhão de pessoas e todas estas pessoas usam as calças brancas”. O Rio de Janeiro de “As 12 cadeiras” é um satírico mito antagonístico à realidade soviética da pós-guerra civil dos anos 1920. O romance “As 12 cadeiras” tornou um dos livros mais lidos na língua russa. Muitas frases do romance hoje são provérbios e memes populares. Calça branca do Rio de Janeiro é um desses memes. Na URSS foram feitos vários filmes baseado neste romance, que também são atualmente uma clássica de ouro do cinema russo.

Claro que nossa lista breve trata-se só dos presentes geniais, mas qualquer presente, até o mais banal possível [2.], sempre é um presente e os russos lhe vão agradecer de todo coração.

  1. https://novaziodaonda.wordpress.com/2009/06/15/as-doze-cadeiras/
  2. Uma lista dos presentes mais banais do Brasil:  http://gazetarussa.com.br/blogs/2013/10/24/melhores_presentes_do_brasil_para_dar_a_um_russo_22447

Leia também: “Dicas para visitar os russos”

 


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Tour panorámico pela literatura russa

É impossível mencionar a todos os escritores e poetas russos num artigo. Há mais literários russos que as estrelas no céu. Vou falar só de alguns escritores reconhecidos mundialmente, que estão conectados com a Revolução, porque este ano celebramos o centécimo aniversário da Grande Revolução Russa.

Um dos museus mais impressionantes de Moscou é o Museu de Vladímir Maiakovski.

http://mayakovsky.museum/small/tour.html

Vladímir Maiakovski foi um poeta-futurista, radical bolchevique, que passou um tempo na prisão dos czares e na época soviética virou um ícone da Revolução Russa. É por isso que seu museu fica ao lado do prédio da KGB, que era uma “ordem dos cavaleiros da espada” da Revolução Russa.

Maiakovski foi bastante privilegiado, quando outros literários conservadores (ou simplesmente muito menos vanguardistas) ficaram no esquecimento e na pobreza. A tragédia pessoal de Maiakovski é uma tragédia da revolução russa. O poeta suicidiou.

Leia mais sobre Maiakovski em nosso blog:

http://guiademoscu.blogspot.ru/2010/07/mayakovski-117.html

Museu Casa de Máximo Gorki também vale muito a pena. Na época soviética a avenida principal de Moscou tinha nome desse escritor (como também a terceira cidade da Rússia Nizhniy Nóvgorod que se chamava simplesmente Gorki). Se Maiakovsi fosse um capitão da revolução, Gorki foi um dos generais. E logicamente sua casa foi o estado maior da literatura russa, que até agora guarda as listas de todos os visitantes. Antes de receber ao escritor proletário a casa pertencia a um dos milionários da época dos czares.

https://www.tripadvisor.com.br/Attraction_Review-g298484-d302513-Reviews-Gorky_s_House_Ryabushinsky_Mansion-Moscow_Central_Russia.html

Museu finca de Liev Tolstói em Jamóvniki

Se Máximo Gorki foi nomeado para o prêmio Nobel 5 vezes, Liev Tolstói recusou o Prêmio Nobel 16 vezes. Liev Tolstói não gostava do prêmio Nobel, como também ele não gostava de Moscou. Não obstante pela causa de seus filhos ele teve que passar 19 invernos aqui. Liev Tolstói optou por uma casa simples, sem electricidade, sem aqueduto, localizada num bairro dos operários, fora do centro (que contraste com Máximo Gorki!). Justo no período de seu trabalho em Moscou Liev Tolstói virou um “espelho da revolução russa” e foi excomungado pela igreja dos Romanov.

https://www.tripadvisor.com.br/Attraction_Review-g298484-d530937-Reviews-L_Tolstoi_s_Khamovniki_Memorial_Estate-Moscow_Central_Russia.html

Leia também sobre nosso Liev Tolstói Tour para Yásnaya Poliána.

Museu Apartamento de Mijail Bulgákov

Mijail Bulgákov tinha sido um soviet-cético (por analogia com eurocéticos), e por isso atualmente ele virou um dos escritores mais populares entre as elites da Rússia capitalista/anti soviética. Certas obras de Bulgákov foram super popularizadas nos anos 1980 para promover as ideias do darwinismo social e destruir o estado social na Rússia (hoje na Rússia segundo a estatística oficial 15% da povoação está abaixo da linha da pobreza). Ao mesmo tempo Bulgákov foi um gênio e um dos escritores mais favoritos de Stalin. Stalin pessoalmente preocupou por seu bem-estar (porque os chefes da literatura brigando pela atenção do poder costumavam subestimar a seus colegas: assim foi Boris Pasternak, responsável em parte pela morte do poeta russo Osip Mandelstam, assim foi Iosif Brodskii, que influiu muito em caminhos dos escritores emigrantes da URSS). O apartamento de Mijail Bulgakov fica ao lado do bairro onde começa a história do “Mestre e Margarida”.

http://bulgakovmuseum.ru/en/

Museu Casa de Antón Chéjov

Antón Chéjov é um dos dramaturgos mais conhecidos mundialmente, e a primeira vista ele tinha pouco a ver com a Revolução. É certo que Chéjov não foi tão crítico do regime dos Romanov como Liev Tolstói. Mas seu espírito apolítico, apateista refletiu bastante com os sentimentos pessimistas duma parte das elites russas, que não sabiam e nem queriam saber do país onde elas viviam.

https://www.tripadvisor.com.br/Attraction_Review-g298484-d530913-Reviews-Chekhov_House_Museum-Moscow_Central_Russia.html

O roteiro pelos museus mencionados no mapa de Moscou (sugiro usar os ônibus e caminhar a pé):


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Liev Tolstói sobre Moscou

Liev Tolstói sobre Moscou:

“Fedor, pedras, luxo, pobreza. Devassidão. Se reuniram os malfeitores, que roubaram o povo, eles recrutaram os soldados, juízes para proteger sua orgia, e banqueteiam. O povo não tem mais nada a fazer se não sacar o roubado, aproveitando-se das paixões dessa gente”.

Essa característica se tornou outra vez atual depois da restauração do capitalismo periférico na Rússia, semelhante ao regime da Rússia dos Romanov. Mas Moscou ainda não é caracterizada pelo fedor – a infraestrutura soviética segue funcionando bem: o transporte público ainda é bastante ecológico (metrô, bondes, trolleys). Os sistemas de aquecimento, geração da energia estão centralizados e bem pensados embora estejam semi-abandonados pelas “reformas” e privatarias de Yéltsin e Putin.

Umas imagens da Rússia dos Romanov que nós tinhamos perdido:

Tomando chá em Mytíshchi, V.Perov

Morta afogada, V.Perov

Troika, V.Perov

Execução dos rebeldes de Pugachov. V.Perov

mulheres russas, arrastando os navios dos ricos

zelador, indicando o quarto por alugar para uma mulher nobre. V.Perov

Vagabundos. Sem casa. V.Perov.

Leilão das coisas de um mau pagador. V.Perov

Num boulevard. V.Makóvski

Benção de um próstibulo. V.Makóvskiy

 


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Ovo de aço, ovo de guerra

“Ovo de aço, ovo de guerra” é um dos 52 ovos da joalheria “Fabergé” produzidos para a família dos imperadores da Rússia Romanov.

Cliente – Imperador Nikolai II, o Sanguinário

Primeira Proprietária – mulher de Nikolai II, Alexandra Fiódorovna, originalmente a princesa alemã Victoria Alix Helena Louise Beatrice von Hessen und bei Rhein

O ovo tem uma brincadeira dentro: um cavalete com uma miniatura de aquarela. A miniatura apresenta o czar Nikolai II com seu filho numa das posições do Exército Russo.

1916 foi o terceiro ano da Primeira Guerra Mundial. Ao final de um ano, em 1917, a Rússia foi sacudida primeiro pela Revolução de Fevereiro, quando os generais mais próximos ao czar fizeram Nikolai II abdicar do trono, e segundo pela Revolução de Outubro (que foi um golpe dos radicais de esquerda contra o governo provisório do capital estrangeiro, o czar Nikolai II já não estava no jogo, ele abdicou do trono em Fevereiro de 1917).

O interessante é que no ano 1916 segundo historiadores foi o ano que a joalheria “Fabergé” recebeu o recorde de ordens dos ricos russos. Em que pesem o recorde de deserções da guerra sem êxito, a fome no campo e nas cidades, as greves em massa e a deslegitimação da coroa.


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Como los turistas sobreviven los inviernos rusos?

No se puede imaginar el centro de Moscú sin la sala de calderas de la MOGES – Planta Eléctrica Estatal de Moscú.

#paseodebarco #moscu #kremlin

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La MOGES es una encarnación genial del proyecto de la modernización de V.Lenin:

“El comunismo es el poder soviético más la electrificación de todo el país”.

Siendo una de las primeras plantas eléctricas de Rusia, la MOGES fue modernizada de la manera radical en los años 20 y se volvió una central no sólo eléctrica sino también térmica. Gracias a la MOGES no solo podemos recargar las pilas de nuestros móviles sino también no morimos de frío en la Armería del Kremlin, podemos visitar con confort los shoppings “GUM”, “Mundo Infantil”, disfrutamos de la ópera en el teatro “Bolshoi”. ¡El centro de Moscú como tal es un hábitat humano solo gracias a nuestra bella MOGES!

La calefacción en la URSS fue centralizada, así que ella no es autónoma como en Occidente o como en la época de los zares, cuando cada edificio tenía su propia caldera y chimenea (hablamos de las ciudades, donde vivía solo un 20% de la población rusa). Hasta hoy mismo ustedes pueden ver estas chimeneas divisar del techo del Hotel Nacional o de cualquier otro edificio antiguo, pero las chineneas no están en función. Poco a poco este sistema de despilfarro de recursos y de contaminación ecológica se puso en vías de extinción. En los países fríos del Occidente también aconteció eso – sobre todo después de la crisis de petróleo de los 1970.

Ahora las plantas electrotérmicas rusas (heredadas de la URSS) producen la electricidad y al mismo tiempo calientan el agua, que por un sistema de tuberías lleva el calor a los radiadores de cada apartamento y cada habitación de su hotel. Las tuberías parten de las plantas y culebrean por debajo del nivel del congelamiento de la tierra, suministrando el agua caliente, indispensable en condiciones del invierno.

La MOGES se encuentra en la orilla del río Moskva y parece un gigantesco barco de vapor, que navega por el río principal de la capital de Rusia.

En 1924 la MOGES protagonizó un evento musical muy especial – “Sinfonía de Sirenas”. El músico Arseni Avraamov preparó un soundtrack bastante original para la celebración urbana del Séptimo Aniversario de la Revolución de Octubre de 1917. Los instrumentos de la “Sinfonía de Sirenas” fueron las chimeneas de las fábricas, bocinas de los trenes, chiflos de buques, disparos de fusiles… El director de esta “orquestra total” se encontraba en el techo de la MOGES para que todos los participantes pudieran verlo de ambas orillas del río Moskva, su batuta fueron las banderas de señales. Tocaron “La Internacional”, “Varshavianka”, “La Marseillaise”… Existe una grabación de la “Sinfonía de Sirenas”, realizada 2 años antes antes en Bakú.

Extraido del libro “Las Cien Mejores Obras Maestras del Vanguardismo Arquitectónico Soviético”. S.O.Jan-Magomédov:

“La sala de calderas de la MOGES es una obra característica del estilo del “constructivismo armonizado”, fenómeno secundario de la escuela neorrenacentista de I.Zholtovski, quien intentaba introducir incluso en las formas de la nueva arquitectura los métodos de armonización de la composición característica del orden arquitectónico clásico. Zholtovski y sus discípulos llevaron a cabo estos experimentos formales en la esfera de la arquitectura industrial.

Fueron proyectadas y construidas algunas obras industriales al estilo del “constructivismo armonizado”, entre las cuales la sala de las calderas de la MOGES la que mayor interés despierta.

Es especialmente expresiva la fachada principal del edificio, en cuya construcción compositiva se pueden observar los métodos de los órdenes arquitectónicos. Los miradores vidriados apareados – algo semejante a poderosas semicolumnas – son concluidas con un original cornisamento en forma de franja horizontal con balcón de galerías y con un ritmo de ventanas cuidadosamente regulado: sobre cada par de miradores hay una ventana horizontal, y sobre los entrepaños de los miradores hay dos pequeños vanos cuadrados. Toda la composición es coronada por tubos que se dilatan hacia arriba (sobre cada par de miradores hay un tubo).

Si le encantan las histórias geniales del proyecto soviético, las tenemos en “cantidades industriales”. Bienvenido a Moscú y disfrute de nuestra página oficial, manejando el buscador.

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