o Dia do Defensor da Pátria na Rússia

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o Dia do Defensor da Pátria na Rússia

Antes esta festa foi o Dia do Exército Vermelho e Frota, logo o Dia do Exército Soviético e Marinha e agora é o Dia do Defensor da Pátria. Uma festa baseada no decreto de 23.02.1918 “A Pátria socialista está no perigo”. O dia 23.02.1918 se considera o dia da fundação do heróico Exército Vermelho. O povo mobilizado por um decreto, assinado em 23.02.1918, derrubou tanto aos brancos russos, apoiados pelo Ocidente, como aos intervenientes britânicos, estadunidenses, japoneses e muitos outros, que vieram para “periferizar” o país outrora semi-periférico (assim foi a Rússia dos Romanov). Em lugar de isso a Rússia Soviética ganhou sua independência e virou a segunda potência mundial.

Achamos que o Exército Soviético era o núcleo do Comunismo Russo. Lá em trincheiras da Primeira Guerra Mundial, se formou o sonho duma sociedade justa e sem castas. Somente graças ao povo armado por causa da Primeira Guerra Mundial, os radicais socialistas conseguiram interceptar o poder do capital estrangeiro (o governo do Fevereiro).

Na primeira etapa do Exército Vermelho, até foram eliminados os graus de oficiais e insígnias de ombro. A gente esperava uma revolução mundial e queria cortar os laços com o mundo antigo. O militarismo foi visto como um fenômeno temporário. Não havia insígnias, mas claro que havia hierarquia militar e classificação de acordo com o nível de responsabilidade e qualificação profissional.

Em lugar da Revolução Mundial aconteceu a Mobilização Fascista do Ocidente. O Exército Vermelho restabeleceu os graus de oficiais e insígnias de ombro. De fato, o Exército restaurou a estrutura do Exército Imperial, mas o organismo da sociedade da URSS ficou socialista. Os soviéticos construíram uma sociedade-família, cujo núcleo era o exército.

Hoje, depois da queda da URSS o exército russo cada vez se torna mais profissional, e aparecem também os “exércitos privados”. O público diz: “Que legal! Que morram aqueles, que sim, querem morrer! E que nossos filhos fiquem em casa! Nós não queremos um Afeganistão mais”*.

Ao mesmo tempo um exército profissional cada vez se torna menos popular e qualquer momento pode voltar contra o povo. Para não mencionar os exércitos privados, que são mercenários 100%, dispostos a lutar por qualquer interesse. Enquanto os cidadãos desaprendem a manejar as armas, as pessoas que aprendem viram os “profissionais”, contratados pelo estado oligárquico ou mercenários, contratados diretamente pela oligarquia.

Também é curioso, que  na sociedade russa de hoje ainda haja uma grande demanda por cursos de tiro, medicina de urgência, etc. – por tudo que deveria ser dado pelo exército popular. Esta exigência surge, porque o exército atual não dá nada disso! O serviço militar atualmente é uma perda de um ano sem muita prática! Assim, o estado neoliberal canaliza as pessoas interessadas rumo a um exército profissional ou rumo às companhias militares privadas. Assim passamos dum exército popular até um exército privado. Como do mesmo jeito a milicia soviética se tornou a polícia russa. Se antes a Defesa da Pátria foi uma obrigação pessoal de cada cidadão, hoje é um negócio dos profissionais e dos contratistas-mercenários.

Leia mais: http://guiademoscu.blogspot.ru/2011/02/el-dia-del-defensor-de-la-patria.html

* O público russo dizendo: “Não queremos um Afeganistão mais”, quer dizer que no Afeganistão (como durante a Primeira Guerra na Chechênia também) morriam muitos soldados rasos, que não tiveram experiência suficiente e que agora estamos melhor (diz o público), porque hoje morrem os contratistas, aqueles que tomam a decisão de morrer pessoalmente. E ainda melhor é o caso dos mercenários, o estado mesmo sempre pode dizer que não tem nada a ver com essa escória (além disso não há necessidade de organizar os funerais de gala cada vez). Atenção! Quanto à guerra no Afeganistão  nós costumamos repetir, que em 10 anos da ajuda ao Afeganistão a URSS perdeu lá 30 mil soldados, quando depois da queda da URSS a Rússia perde 100 mil jovens ao ano pela heroína do Afeganistão. Valeu a pena estar no Afeganistão, então.