Liev Tolstói sobre Moscou

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Liev Tolstói sobre Moscou

Liev Tolstói sobre Moscou:

“Fedor, pedras, luxo, pobreza. Devassidão. Se reuniram os malfeitores, que roubaram o povo, eles recrutaram os soldados, juízes para proteger sua orgia, e banqueteiam. O povo não tem mais nada a fazer se não sacar o roubado, aproveitando-se das paixões dessa gente”.

Essa característica se tornou outra vez atual depois da restauração do capitalismo periférico na Rússia, semelhante ao regime da Rússia dos Romanov. Mas Moscou ainda não é caracterizada pelo fedor – a infraestrutura soviética segue funcionando bem: o transporte público ainda é bastante ecológico (metrô, bondes, trolleys). Os sistemas de aquecimento, geração da energia estão centralizados e bem pensados embora estejam semi-abandonados pelas “reformas” e privatarias de Yéltsin e Putin.

Umas imagens da Rússia dos Romanov que nós tinhamos perdido:

Tomando chá em Mytíshchi, V.Perov

Morta afogada, V.Perov

Troika, V.Perov

Execução dos rebeldes de Pugachov. V.Perov

mulheres russas, arrastando os navios dos ricos

zelador, indicando o quarto por alugar para uma mulher nobre. V.Perov

Vagabundos. Sem casa. V.Perov.

Leilão das coisas de um mau pagador. V.Perov

Num boulevard. V.Makóvski

Benção de um próstibulo. V.Makóvskiy

 


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mudanças na percepção de Liev Tolstói

Tenho clientes que querem visitar a casa de Liev Tolstói em Tula, sua famosa residência em Yasnaya Polyana. Por isso estou pensando se a imagem que nós os russos temos de Lev Tolstoi corresponde a sua imagem no exterior?

Grosso modo, na última etapa de sua vida este escritor genial foi um dissidente político, herege religioso e anarcopunk cultural. Excomungado pela Igreja Ortodoxa dos Romanov, Liev Tolstói foi considerado na URSS um “espelho da revolução russa” <1>.

O escritor foi excomungado na Catedral principal do Kremlin de Moscou! Ao mesmo tempo na primeira etapa de sua vida Liev Tolstói também foi um conde, guerreiro e amante dos prazeres da vida. Seu casamento foi celebrado numa das igrejas do mesmo Kremlin de Moscou! E ele é famoso mundialmente por sua obra “Guerra e Paz”, que refletiu a “complexidade florescente” <2> do Império Russo no século XIX.

Liev Tolstói, Maxim Gorki e Anton Chéjov

No tempo da URSS Liev Tolstói foi interpretado justo através de seu lado espiritual – podemos ver isso no filme soviético “Guerra e Paz” de 1967 <3>, concentrado no moralismo e populismo. É interessante notar que o lado espiritual de Tolstói, também entre os marginais ocidentais, teve um papel de destaque: o track mais famoso da banda inglesa “Yes” – “The Gates Of Delirium” (1974) foi inspirado no mesmo romance de Liev Tolstói “Guerra e Paz”! Ao mesmo tempo, a música britânica tão sofisticada (Yes, King Crimson, Uriah Heep, etc.) foi mais ouvida na URSS que no Ocidente <4>.

Mas também é possível interpretar Liev Tolstói através de seu lado “carnal” – acho que podemos ver isso no filme inglês “Anna Karénina” de 2012, concentrado no materialismo e elitismo.

Nós russos, acostumados ao nível alto do cinema soviético, não aguentamos tais interpretações ocidentais. Tanto o filme “Anna Karénina” de 2012 (Inglaterra), como, por exemplo, o “Doutor Zhivago” de 1965 (EUA) para o gosto dos russos são uma espécie de pornochachadas brasileiras. Sabemos que estes filmes são êxitos no Ocidente e muitos clientes nossos compartilham conosco suas impressões positivas destes filmes, mas também é verdade que para o gosto dos russos tais filmes são quase um crime contra a humanidade: nós russos não somos assim, não atuamos assim, não nos movemos, não falamos, não sorrimos assim…

Mas devemos superar nossa repugnância e continuar analisando.

Vasili Shulzhenko (EUA). Liev Tolstói

É importante que nós registramos a intercepção da clássica russa pelo cinema ocidental. Não por acaso em 2016 a BBC também apresentou sua adaptação do romance de Liev Tolstói “Guerra e Paz”! Até podemos pressupor que os produtores ocidentais saibam melhor como interpretar nossos clássicos. Se não os ingleses, quem pode entender melhor o funcionamento do elitismo dentro Império <4>?

O elitismo do Império Russo <5> é um tema que foi ignorado ou ridicularizado no período soviético, mas hoje no contexto da Restauração <6> o elitismo vira atual, só os produtores russos tem medo de Liev Tolstói e preferem os roteiros mais simplistas tipo “Duelista”, filme russo de 2016, também concentrado no elitismo do século XIX <7>.

Podemos resumir que ao parecer o moralismo, o populismo, o anarquismo e os demais “ismos” dos grandes autores russos cada vez sejam menos interessantes para os produtores da cultura atual (tanto no Ocidente, como na Rússia), que visam mais o materialismo, o elitismo e o ordem.

  1. https://www.marxists.org/portugues/lenin/1908/09/24.htm
  2. Leia mais sobre o conceito de “flowering and increasing complexity” de Konstantin Leontiev em https://en.wikipedia.org/wiki/Konstantin_Leontiev
  3. https://pt.wikipedia.org/wiki/Voyna_i_Mir
  4. Leia mais sobre o elitismo inglês aqui: Kate Fox, Watching the English: the hidden rules of English behaviour. 2004
  5. http://guiademoscou.blogspot.ru/2015/12/imperio-de-cabeca-para-baixo.html
  6. http://guiademoscou.blogspot.ru/2016/01/sobre-os-gemeos-catedral-de-cristo.html
  7. https://en.wikipedia.org/wiki/The_Duelist_(2016_film)

P.S. Para todos os fãs de Liev Tolstói sugerimos muito assistir os grandes filmes soviéticos:

Guerra e Paz de 1967 em 4 partes (legendado em português)

https://vk.com/video252157879_170064586

https://vk.com/video252157879_170035073

https://vk.com/video252157879_170032306

https://vk.com/video252157879_170025002

Anna Karénina de 1967 em 2 partes (pode-se ativar as legendas em inglês)

https://www.youtube.com/watch?v=Y5YutODgC0k&feature=youtu.be

https://www.youtube.com/watch?v=x5QdY1HWok0

As fotos da residência provinciana de Liev Tolstói perto de Tula em Yasnaia Poliana: http://fatikova.livejournal.com/154073.html

 


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Las claves para entender Rusia

El mariscal de campo, Münnich, compañero de armas de Pedro El Grande dijo una vez:

«El Imperio Ruso esta dirigido directamente por Dios. Si no fuera así, sería imposible entender su pervivencia».

Le responde al respecto desde la hoguera Avvakum, un disidente religioso, condenado por el padre de Pedro El Grande a hoguera siendo quemado vivo:

«…Satanás ha obtenido Rusia de Dios para potenciarla con la sangre de los mártires».

En resumen se queda muy clara la dualidad de la autodeterminación de Rusia: para la oposición (desde Andrey Kurbsky (XVI) y hasta Alekséi Naválniy (XXI) el país esta dirigido por el Diablo, para los estadistas, al revés, estamos dirigidos directamente por Dios. De esta manera se explica la tradición de canonizar a los líderes – desde Ivan IV, el Severo hasta Vladímir Putin todos son casi santos para unos y son endemoniados para otros.

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