Mikhail Príshvin, 1919

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Mikhail Príshvin, 1919

Bate-papo com um cínico (extraído do livro de Mikhail Príshvin “Cálice Mundana, o ano 19 do século XX”):

– Crucificação é um negócio rápido, sofreu umas horas e morreu. Igual ao nosso tempo em que movem o ponteiro de relógio e acham, que toda a vida muda por isso. Assim é crucificação, ela vai com um tempo rápido, de jeito soviético, quando a vida vai de jeito do sol, devagar, é um trabalho lento, deixa-nos descansar um pouco, mas em seguida volta a apertar-nos – há de estar sempre em um ponto: está cravada uma estaca e eu estou atado a ela, como um torito… Cristo só andava, ensinava e foi crucificado, mas ele não trabalhava. Isso! Vocês não leem o Evangelho, precisam ler mais. Em nenhum lugar aí não foi dito, que Ele estava sentado e trabalhando, só andava e ensinava

– E não salvou?

– Ele foi solteiro, sem filhos e não trabalhou, não é um exemplo para gente, nossa vida passa mais nos dias úteis, quando Ele tinha só festas. Seu caminho de salvação é impossível para gente.

– E vivem sem ser salvados?

– Grande maioria da gente não precisa disso: se dá pão – diremos: Graças a Deus! Não dá pão – há de aguentar. E vocês /os intelectuais/ não podem aguentar, se lhes tocou a dificuldade – vocês em seguida ligam para Cristo: isso é sua debilidade e o engano de orgulho, porque vocês não querem trabalhar, só querem andar, ensinar, sonhar…


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Os 7 fatos sobre o fuzilamento da família dos Romanov

Celebrando o centenário da Grande Revolução Socialista de Outubro de 1917 a imprensa oficial da Rússia inculca a ideia da causalidade da revolução russa (1905-1917), que foi “uma consequência bizarra da “sobreprosperidade” do Império dos Romanov e da confabulação de Grã-Bretanha/judeus/reptilianos”, etc. [1.] A “bonança” dos Romanov foi destruída pelos “bolcheviques satânicos” que “desviaram” a Rússia do “caminho natural” para 70 anos do “pesadelo do Stalin/GULAG/KGB”. Um dos elementos mais importantes da mitologia anti soviética é a história do fuzilamento da família de Nikolai Romanov (outrora czar da Rússia).

1. A dinastia dos Romanov começou com o assassinato de uma criança inocente

Os Romanov mataram um menino de 3 anos por “atividades criminosas”

É importante lembrar que a dinastia dos Romanov começou com o assassinato de uma criança inocente – Ivão, filho do Dmitri, o Falso II. Essa criança foi um dos candidatos para o trono da Rússia ao início do século XVII durante “o tempo escuro” [2.]. Certas regiões da Rússia não aceitaram a eleição (pouco democrata) dos Romanov e apoiaram Ivão, filho do Dmitri (a gente ainda não sabia que esse Dmitri foi o “falso II”: se seu partido ganhasse, ele seria verdadeiro). O partido dos Romanov ganhou, e Ivão, filho do Dmitri, o Falso II foi enforcado “por suas atividades criminosas”. O “criminoso” Ivã tinha apenas 3 anos. A corda dos Romanov não asfixiou seu pescoço suficientemente e ele morreu umas horas depois do enforcamento pela causa do frio de inverno. Assim os Romanov começaram seu governo de 300 anos [3.].

2. O governo dos últimos Romanov foi uma catástrofe para a Rússia

Nikolai II gostava de brincar com seu elefante e caçar corvos

O governo dos últimos Romanov foi uma catástrofe para a Rússia. O grande Liev Tolstoi (excomungado pela Igreja Estatal dos Romanov) escreveu, que a subalimentação de camponeses era permanente e a fome começava na Rússia não quando não havia boas colheitas de trigo, senão quando não havia boas colheitas de Atriplex (uma erva daninha que os camponeses costumavam misturar com o trigo, porque nunca comiam o pão de trigo puro). Os escritórios de recrutamento durante a Primeira Guerra Mundial registravam a desaceleração dos camponeses: se reduzia o volume dos pulmões, a altura, o peso, etc. A exportação de trigo dos últimos Romanov foi “faminta”: “Subalimentamos o povo, mas vamos exportar o trigo a qualquer custo!”.  Sem dúvidas, os camponeses consideravam os latifundiários “parásitas”. Durante a revolução de 1905, os camponeses queimaram cerca de 50% das casas de donos da terras na parte central da Rússia. A parte central viraria a base do bolchevismo. A Rússia de Nikolai II perdeu a guerra contra o Japão e sua atividade na Primeira Guerra Mundial foi pagar com a buxa de canhão seus dívidas ante os bancos da Inglaterra e da França (a produção dos armamentos na Rússia foi muito inferior que em outros países participantes da IGM, não é de surpreender que o Exército Russo tivesse um record de deserção).

3. Os bolcheviques não tem nada a ver com a abdicação do czar Nikolai II

Nikolai II chegou a estação “Submundo”

Os bolcheviques não tem nada a ver com a abdicação do czar Nikolai II. Nikolai II abdicou ao trono em março de 1917, no resultado da Revolução de Fevereiro de 1917. A Revolução de Fevereiro foi burguesa, realizada sob pressão do capital estrangeiro (o czar no caso de sua “iluminação” poderia se retirar da I Guerra Mundial, além disso sendo um autocrata ele não podia garantir a inviolabilidade dos investimentos do capital estrangeiro). A pressão dos liberais sobre o czar também foi alta: eles não gostavam do costume do czar de dissolver o parlamento russo (um parlamento fantoche). Os latifundiários odiavam o czar pelo monopólio sobre a produção de álcool (quando os preços de trigo caiam no mercado externo, o czar costumava produzir desse trigo a vodka e vender para a plebe essa droga para ganhar o dinheiro no mercado interno, hoje do mesmo jeito na Rússia crescem os preços da gasolina no mercado interno, quando o petróleo cai no mercado externo). Os generais e oficiais odiavam o czar pela humilhação do Exército, destruído pela política econômica dos governos tanto liberais como populistas de Nikolai II. Sendo boa pessoa,  Nikolai II por sua incapacidade governamental ficou o czar mais odiado na história da Rússia. A abdicação de Nikolai II foi aplaudida pelos latifundiários, militares, liberais, Igreja Ortodoxa Russa (sic!) e pela imprensa ocidental. Nikolai II, comandante em chefe abdicou do trono arrestado por seus próprios generais, quando seu vagão foi parado na estação “Dno” (em russo: fundo, submundo, o título do livro de M.Gorki “No fundo” é traduzido para português como “Ralé”, “Submundo”).

4. O rei inglês recusou a solicitação de asilo político de seu primo Nikolai Romanov

Nikolai II e Jorge V

Apresado pelo governo provisório da Revolução de Fevereiro, Nikolai II queria se refugiar na Inglaterra. Jorge V do Reino Unido foi primo do Nikolai Romanov (fisicamente são quase gemelos), mas o rei inglês recusou a solicitação de asilo político de seu primo Nikolai Romanov – o governo britânico não queria estragar as relações com o governo provisório russo, dirigido pelo maçom anglófilo Alexander Kerensky.

5. Os bolcheviques não têm nada a ver com o fuzilamento do cidadão Nikolai Romanov

O governo provisório de Kerensky não foi legítimo, não representava os povos da Rússia, que encontraram outra forma de sua representação – os “sovietes” (conselhos legislativos), coroados por Soviet de Petrogrado. Baseado no apoio do Soviet de Petrogrado mesmo o grupo de Vladimir Lenin em Outubro de 1917 deu um golpe contra o governo provisório do capital estrangeiro. É importante entender que no Soviet de Petrogrado os bolcheviques (partido de Lenin) compartilharam a maioria com outros grupos de radicais: o Partido Socialista Revolucionário da esquerda, os mencheviques e os anarquistas. Como os primeiros decretos do Poder Soviético foram os decretos de Paz (retirada da Primeira Guerra Mundial), expropriação da terra e cancelação da dívida ilegítima do czar e do governo provisório, bastante rápido começou a guerra civil russa: a grosso modo, entre os povos da Rússia e os exércitos privados dos latifundiários, apoiados pelo Ocidente. A guerra civil na Rússia foi acompanhada pela agressão militar dos 14 estados do Ocidente (imaginem só que a Rússia se tornou tão fraca e caótica que os países como Finlândia e Polônia ocuparam vastas regiões do gigante nortenho!). Além da guerra civil o grupo dos radicais que subiram ao poder, tinham muitos conflitos internos. Muitos Sovietes nas regiões foram controlados não pelos bolcheviques, mas pelos Socialistas Revolucionários da esquerda (o partido mais radical da Rússia, responsável por muitos atentados contra os czares, seus ministros e governadores) e por outros radicais incontroláveis. A decisão do fuzilamento de Nikolai Romanov e sua família foi tomada pelo Soviet de Urales, dominado pelos Socialistas Revolucionários da esquerda. O fuzilamento de Nikolai Romanov acompanhou a rebelião desse partido contra os bolcheviques em Julho de 1918 (a rebelião infectou várias cidades do Norte do rio Volga, os rebeldes contavam com a intervenção militar dos ingleses, estadunidenses y franceses pelo Mar Branco, os rebeldes tomaram vários prédios em Moscou e prenderam o chefe da Polícia Secreta dos bolcheviques – Dzerzhinsky. Antes de tudo eles mataram o embaixador da Alemanha! – tudo isso para revisar as condições de Paz, assinada pelo grupo de Lenin). Os bolcheviques não têm nada a ver com o fuzilamento do cidadão Nikolai Romanov e sua família. Para o governo de Vladimir Lenin, os Romanov foram um argumento importante para as negociações com o Ocidente e claro que os bolcheviques gostariam de julgar Nikolai Romanov publicamente por seus crimes incontáveis contra os povos da Rússia. Seu fuzilamento foi uma manifestação anti bolchevique dos radicais Socialistas Revolucionários da esquerda, resultado do caos da guerra civil. Não há nenhuma prova da decisão pessoal de Lenin ou de outros chefes do Partido Bolchevique sobre tal fuzilamento.

6. Fuzilamento do outrora czar mais odiado não deram impacto nenhum na Rússia

Se os Romanov foram fuzilados, de onde provêm todos os freaks que hoje se acham os Romanov? Simplesmente os radicais que odiavam os Romanov não conseguiram matar todos os Romanov. Os bolcheviques (que nos primeiros anos não controlaram nem seu próprio partido completamente) simplesmente deixaram a maioria dos Romanov ir embora do país. Nem fuga dos reis, nem fuzilamento do outrora czar mais odiado não deram impacto nenhum na Rússia, havia coisas mais emocionantes: a crise econômica e o desastre da guerra civil, produzidos pela política terrível de Nikolai II.

7. Os mais inteligentes dos Romanov reconheceram a verdade histórica dos bolcheviques. 

Alexandr Mijáilovich, neto do czar Nicolai I e tio do czar Nicolai II (também foi marido da irmã de Nicolai II), chefe da Direção da Frota Comercial do Império Russo escreveu: “Ocorreu-me que embora eu não fosse um bolchevique, eu não podia concordar com meus parentes e conhecidos e de forma imprudente condenar tudo o que os Soviets fazem, só porque isso é feito pelos Soviets. Sem dúvidas eles mataram três dos meus irmãos [para Alexandr Mijáilovich todos os radicais são bolcheviques], mas eles também salvaram a Rússia do destino de um vassalo dos aliados. O tempo, quando eu os odiava e tinha muitas ganas de chegar até Lenin ou Trotskiï, passou, porque eu comecei obter as notícias sobre um e depois sobre outro passo construtivo do governo de Moscou e encontrei-me com o fato de que eu sussurrava: “Bravo!” [4.].

Leia mais:

1. http://guiademoscou.blogspot.ru/2016/01/por-que-putin-tem-medo-de-lenin.html

2. https://pt.wikipedia.org/wiki/Tempo_de_Dificuldades

3. http://guiademoscu.blogspot.ru/2013/12/los-romanov-mi-historia.html

4. http://guiademoscou.blogspot.ru/2014/05/os-ultimos-romanov-seriam-bolcheviques.html

Bibliografia:

Elena Prúdnikova

Serguei Kara-Murzá

Serguei Nefiódov

Boris Yúlin

 


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O que levar de presente do Brasil para a Rússia?

– Uma garrafa de cachaça é um ótimo presente. A cachaça é semelhante à vodka caseira russa, conhecida como “samogon” e os russos vão gostar!

– Camiseta da Feb (Força Expedicionária) – os russos quase não sabem nada da participação brasileira na 2GM e eles vão gostar muito da história de como “a cobra fumou”. Aseguramos, que Camiseta da Feb vai ser muito mais original que uma camiseta da seleção brasileira!

– Café? É um presente universal, mas na Rússia se vende bastante café brasileiro, embora este café provavelmente seja falso. Por isto há de presentear com um café 100% autêntico. Erva mate? Pode ser, mas na Rússia ela é mais associada com a Argentina graças aos livros de Julio Cortázar. Não tem associação com o Brasil. Mas como os russos são campeões no consumo de chá, sem dúvida eles vão gostar da erva mate.

– Um disco da Bossa Nova? – legal! Mas o tema, igual ao café, é bastante famoso na Rússia. Não seria melhor levar um disco de Luiz Gonzaga? Os russos são super musicais, sem dúvidas eles vão ficar loucos pelos sucessos como “Pagode Russo” ou “A Vida de Viajante”! O acordeão é muito significativo para os russos. E o chapéu cangaceiro?! É um presente genial para acompanhar um disco de Luiz Gonzaga!

– Calça branca para homem. Melhor que seja do Rio de Janeiro! Parece estranho? Vou explicar. Pelo romance satírico russo “As 12 cadeiras” a calça branca do Rio de Janeiro virou para os russos um símbolo de êxito [1.]. O herói do romance é um aventureiro que considera a Rússia Soviética um país dos inocentes e sonha com enganar o “sistema”, ganhar um milhão e correr para o Brasil, para o Rio de Janeiro, que segundo ele é uma cidade chique, uma cidade de milionários, onde cada homem usa calça branca e nas ruas se dança o charleston intitulado “Minha menina tem uma coisa pequenina”. “Rio de Janeiro – o sonho de cristal da minha infância… 1,5 milhão de pessoas e todas estas pessoas usam as calças brancas”. O Rio de Janeiro de “As 12 cadeiras” é um satírico mito antagonístico à realidade soviética da pós-guerra civil dos anos 1920. O romance “As 12 cadeiras” tornou um dos livros mais lidos na língua russa. Muitas frases do romance hoje são provérbios e memes populares. Calça branca do Rio de Janeiro é um desses memes. Na URSS foram feitos vários filmes baseado neste romance, que também são atualmente uma clássica de ouro do cinema russo.

Claro que nossa lista breve trata-se só dos presentes geniais, mas qualquer presente, até o mais banal possível [2.], sempre é um presente e os russos lhe vão agradecer de todo coração.

  1. https://novaziodaonda.wordpress.com/2009/06/15/as-doze-cadeiras/
  2. Uma lista dos presentes mais banais do Brasil:  http://gazetarussa.com.br/blogs/2013/10/24/melhores_presentes_do_brasil_para_dar_a_um_russo_22447

Leia também: “Dicas para visitar os russos”

 


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Tour panorámico pela literatura russa

É impossível mencionar a todos os escritores e poetas russos num artigo. Há mais literários russos que as estrelas no céu. Vou falar só de alguns escritores reconhecidos mundialmente, que estão conectados com a Revolução, porque este ano celebramos o centécimo aniversário da Grande Revolução Russa.

Um dos museus mais impressionantes de Moscou é o Museu de Vladímir Maiakovski.

http://mayakovsky.museum/small/tour.html

Vladímir Maiakovski foi um poeta-futurista, radical bolchevique, que passou um tempo na prisão dos czares e na época soviética virou um ícone da Revolução Russa. É por isso que seu museu fica ao lado do prédio da KGB, que era uma “ordem dos cavaleiros da espada” da Revolução Russa.

Maiakovski foi bastante privilegiado, quando outros literários conservadores (ou simplesmente muito menos vanguardistas) ficaram no esquecimento e na pobreza. A tragédia pessoal de Maiakovski é uma tragédia da revolução russa. O poeta suicidiou.

Leia mais sobre Maiakovski em nosso blog:

http://guiademoscu.blogspot.ru/2010/07/mayakovski-117.html

Museu Casa de Máximo Gorki também vale muito a pena. Na época soviética a avenida principal de Moscou tinha nome desse escritor (como também a terceira cidade da Rússia Nizhniy Nóvgorod que se chamava simplesmente Gorki). Se Maiakovsi fosse um capitão da revolução, Gorki foi um dos generais. E logicamente sua casa foi o estado maior da literatura russa, que até agora guarda as listas de todos os visitantes. Antes de receber ao escritor proletário a casa pertencia a um dos milionários da época dos czares.

https://www.tripadvisor.com.br/Attraction_Review-g298484-d302513-Reviews-Gorky_s_House_Ryabushinsky_Mansion-Moscow_Central_Russia.html

Museu finca de Liev Tolstói em Jamóvniki

Se Máximo Gorki foi nomeado para o prêmio Nobel 5 vezes, Liev Tolstói recusou o Prêmio Nobel 16 vezes. Liev Tolstói não gostava do prêmio Nobel, como também ele não gostava de Moscou. Não obstante pela causa de seus filhos ele teve que passar 19 invernos aqui. Liev Tolstói optou por uma casa simples, sem electricidade, sem aqueduto, localizada num bairro dos operários, fora do centro (que contraste com Máximo Gorki!). Justo no período de seu trabalho em Moscou Liev Tolstói virou um “espelho da revolução russa” e foi excomungado pela igreja dos Romanov.

https://www.tripadvisor.com.br/Attraction_Review-g298484-d530937-Reviews-L_Tolstoi_s_Khamovniki_Memorial_Estate-Moscow_Central_Russia.html

Leia também sobre nosso Liev Tolstói Tour para Yásnaya Poliána.

Museu Apartamento de Mijail Bulgákov

Mijail Bulgákov tinha sido um soviet-cético (por analogia com eurocéticos), e por isso atualmente ele virou um dos escritores mais populares entre as elites da Rússia capitalista/anti soviética. Certas obras de Bulgákov foram super popularizadas nos anos 1980 para promover as ideias do darwinismo social e destruir o estado social na Rússia (hoje na Rússia segundo a estatística oficial 15% da povoação está abaixo da linha da pobreza). Ao mesmo tempo Bulgákov foi um gênio e um dos escritores mais favoritos de Stalin. Stalin pessoalmente preocupou por seu bem-estar (porque os chefes da literatura brigando pela atenção do poder costumavam subestimar a seus colegas: assim foi Boris Pasternak, responsável em parte pela morte do poeta russo Osip Mandelstam, assim foi Iosif Brodskii, que influiu muito em caminhos dos escritores emigrantes da URSS). O apartamento de Mijail Bulgakov fica ao lado do bairro onde começa a história do “Mestre e Margarida”.

http://bulgakovmuseum.ru/en/

Museu Casa de Antón Chéjov

Antón Chéjov é um dos dramaturgos mais conhecidos mundialmente, e a primeira vista ele tinha pouco a ver com a Revolução. É certo que Chéjov não foi tão crítico do regime dos Romanov como Liev Tolstói. Mas seu espírito apolítico, apateista refletiu bastante com os sentimentos pessimistas duma parte das elites russas, que não sabiam e nem queriam saber do país onde elas viviam.

https://www.tripadvisor.com.br/Attraction_Review-g298484-d530913-Reviews-Chekhov_House_Museum-Moscow_Central_Russia.html

O roteiro pelos museus mencionados no mapa de Moscou (sugiro usar os ônibus e caminhar a pé):


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Embrulhamento dos russos

Um dos mitos sobre o “totalitarismo inerente” dos russos diz que os russos são totalitários, ou seja “fechados, rudes, com cara de poucos amigos, aborrecidos, atrasados mentalmente, super introvertidos e por isso propensos para uma monarquia absoluta ou um sistema unipartidário”, etc. porque as mães russas costumam enrolar seus bebês em cueiros apertados demais. Os cueiros apertados levam as pessoas para um regime apertado…

É ridículo este mito. Desde há muito as mães russas não praticam mais o “embrulhamento apertado”. Além disso a teoria de totalitarismo atualmente é considerada obsoleta, primitiva demais no próprio Ocidente.

Ao mesmo tempo é certo que as camponesas russas na época do pesadelo dos Romanov praticavam o “embrulhamento apertado” de bebês. Por que? Porque elas não tiveram tempo para cuidar de seus bebês! Para a segurança do bebê, a mãe o deixava “preso em cueiros”. As mães assim como os pais tinham que trabalhar muito, porque os camponeses eram literalmente escravos dos latifundiários “nobres”. Além disso o trabalho de verão era tão duro, que 80% dos bebês nascidos durante o verão morriam. As mães não tinham nem tempo nem leite para sustentar estas crianças. Os donos das escravas por seu capricho também puderam fazê-las amamentar com seu leite seus cachorros de lebréus.

A coisa mais interessante é que este “fenômeno” de sobre-exploração sádica não foi unicamente russo. A mesma história acontecia por todas partes. Por exemplo, na França, onde as mulheres empregadas na indústria de seda, também não tinham tempo para cuidar de seus bebês. As mulheres das cidades têxteis contratavam as amas de leite camponesas e enviavam seus bebês para as aldeias dessas camponesas, e “o índice da morte desses bebês reduz o otimismo sobre a natureza de gênero humano”. <1>. Deixar os bebês “presos em cueiros” foi uma das soluções. Assim como na Rússia, na França a maioria destes bebês morriam pelo déficit da atenção de adultos. O abandono das crianças também acontecia em massa na Europa na época feudal e proto-industrial (XII-XVIII). Obviamente o “embrulhamento apertado” de bebê foi a primeira fase do abandono. E o índice de abandono em Paris do século XVIII, até a revolução, foi de 40% de todos os bebês nascidos na capital! A dinâmica de abandono/mortalidade infantil nas cidades da França estava determinada pela dinâmica do preço de trigo de centeio. <2> Assim como a mortalidade dos bebês dos camponeses russos, que produziam esse trigo mesmo.

Mas o “embrulhamento apertado” e abandono de bebês em massa na França não se consideram uma causa do totalitarismo francés (nem do colaboracionismo total com os nazistas alemães), por isso é muito estranho que o “embrulhamento apertado” é considerado por alguns expertos como uma causa importante dos regimes de “mão dura” na Rússia.

Para saber mais sobre o assunto, seguem-se alguns links abaixo

  1. Handbook on Evolution and Society: Toward an Evolutionary Social Science.  Alexandra Maryanski, Richard Machalek, Jonathan H. Turner
  2. Leia a biografia do livro Abortion and woman’s choice: the state, sexuality, and reproductive freedom/Rosalind Pollack Petchesky, números 78 e 79.
  3. Reinhard Sieder. The social history of the family.

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Latinização do espaço pós-soviético

24 de Maio, festa da escritura cirílica na Rússia

A Rússia, desideologizada e desindustrializada pelas reformas de Yéltsin e Putin está se tornando cada vez menos atrativa para seus vizinhos. O Cazaquistão, segundo seu presidente vitalício, Nursultan Nazarbayev, deve deixar até o ano de 2025 o uso do abecedário cirílico e mudá-lo completamente pelo latino. As elites do Quirguistão apoiam a decisão do Cazaquistão e também planejam para os anos 2030-2040 latinizar sua grafia.

Falamos de dois países aliados da Rússia, que formam juntos a União Económica Euroasiática e, além disso, nós temos uma aliança militar segundo o Tratado da Segurança Coletiva, ratificado em Tashkent em 2002.

Outro país vizinho da Ásia, o Uzbequistão, já está latinizado desde o ano 1993. O Azerbaijão também desde o ano 1993. O Turcmenistão desde o ano 1996. O Uzbequistão e o Quirguistão já foram antes os anfitriões das bases militares dos EUA. Economicamente, a região é cada vez mais dependente da China, do Irã e da Turquia.

embaixadores do Ocidente, aguardando a latinização da Rússia (foto tomada na embaixada dos EUA ontem)

Obviamente recusando o abecedário cirílico as ex repúblicas da União Soviética recusam a língua russa e insinuam aos russos que moram nesses países “go home”. Tal decisão das elites oficialmente sempre é motivada pelo desafio da modernização. Ou seja, a Rússia pós-soviética já não é vista pelas elites dos povos mais amigáveis como um país modelo a seguir. Em sério, que tecnologias, sejam industriais, econômicas e humanitárias pode exportar de fato a Rússia atual? Segundo o acadêmico russo e reitor do Instituto da Ciência e Tecnologias Skólkovo, Alexandr Kuleshov a brilhante escola soviética hoje ficou absolutamente destruída: “A Rússia está de novo na situação do ano 1929. Ainda temos a Ciência, mas não temos mais a engenharia. De novo precisamos de contratar estrangeiros para ensinar nossos especialistas que vão ensinar as massas”. [1.] Então se a propria Rússia reconhece seu atraso catastrófico, porque os vizinhos tem que esperar quando seu irmão mais velho aprenda?

A pior notícia é que a ruptura linguística com a Rússia só finaliza o processo da separação quase total. Vamos ver como foram ligados os países na URSS:

  • Pelo complexo industrial. Mas hoje este complexo está quase destruído pela economia de mercado. Os povos irmãos, que antes cooperavam, hoje são concorrentes nos mercados mais primitivos, tais como de petróleo, gás, metais, etc.
  • Os povos da URSS foram ligados pelo complexo energético, que hoje é um tema de intermináveis disputas, brigas e guerras sobre o preço de gás ou petróleo.
  • O sistema das vias férreas une unos aos otros, mas essas vias são substituídas cada vez mais pelo transporte rodoviário (graças a tarificação absurda das vias férreas).
  • A unidade cultural é destruída pelos nacionalismos [2]. Mimados pelas elites, os nacionalismos só fazem os povos sentirem as suas diferenças e procuraram as causas para não sofrer do complexo de inferioridade. Os nacionalismos terceiro-mundistas ativaram os processos da ocidentalização e orientalização. Se a Ucrânia se poloniza (sonha em repetir o “êxito” da Polônia), a Bielorrússia se lituaniza (vive a influência da Lituânia), o Cazaquistão, o Quirguistão, o Uzbequistão, o Turcmenistão e o Azerbaijão se aturquizam (se relacionam cada vez mais com a Turquia), quando o Tadjiquistão se apersianiza pela proximidade com o Irã. Geopolitica e geoeconomicamente a região da Asia Central é cada vez mais subordinada a China (mediante a Organização para Cooperação de Xangai).

E a Rússia? Hoje quando os filhos das elites russas em massa moram em Inglaterra, os EUA, etc. É possível que a Rússia mesma opte por latino?

O tempo quando os milhões dos estudantes estranjeiros aprendiam russo e cirílico para importar as tecnologias soviéticas para América Latina, Asia, África, Europa do Leste parece um sonho.

  1. https://www.znak.com/2016-06-28/glava_skolteha_otkrovenno_rasskazal_o_katastrofe_v_rossiyskom_inzhenernom_obrazovanii
  2. os monmentos à Vitória da URSS na 2GM e os monumentos à amizade dos povos são destruidos tanto nos países bálticos, Ucrânia e Georgia, como em Uzbequistão e Quirquistão.

Leia mais:

http://guiademoscou.blogspot.ru/2016/01/sobre-os-gemeos-catedral-de-cristo.html

http://guiademoscou.blogspot.ru/2016/01/por-que-putin-tem-medo-de-lenin.html

http://guiademoscou.blogspot.ru/2015/12/imperio-de-cabeca-para-baixo.html


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Fiódor Dostoiévski sobre a Rússia dos Romanov:

Um monólogo modelo de um liberal russo do século XIX, desenhado por Fiódor Dostoiévski:

“…em todo o mundo é principalmente na Rússia que hoje qualquer coisa pode acontecer sem a mínima resistência. Compreendo bem demais porque os russos de condição estão todos debandando para o estrangeiro, e em número cada vez maior a cada ano que passa. Simplesmente por instinto. Se o navio está afundando, os ratos são os primeiros a fugir. A Santa Rússia é um país de madeira, miserável e… perigoso, um país de miseráveis orgulhosos em suas camadas superiores, enquanto a imensa maioria mora em pequenas isbás de alicerces instáveis. Ela ficará contente com qualquer saída, basta apenas que lhe expliquem bem. Só o governo ainda quer resistir, mas fica agitando um porrete no escuro e batendo sua própria gente. Aqui tudo esta sentenciado e condenado. A Rússia como é não tem futuro. Eu me tornei alemão e considero isso uma honra para mim” (extraído do livro “Os demônios”).

É surpreendente como essa posição ainda seja atual hoje, no século XXI, por causa da restauração do capitalismo periférico nos anos 1991-2017, muito semelhante ao estilo dos últimos Romanov.


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Liev Tolstói sobre Moscou

Liev Tolstói sobre Moscou:

“Fedor, pedras, luxo, pobreza. Devassidão. Se reuniram os malfeitores, que roubaram o povo, eles recrutaram os soldados, juízes para proteger sua orgia, e banqueteiam. O povo não tem mais nada a fazer se não sacar o roubado, aproveitando-se das paixões dessa gente”.

Essa característica se tornou outra vez atual depois da restauração do capitalismo periférico na Rússia, semelhante ao regime da Rússia dos Romanov. Mas Moscou ainda não é caracterizada pelo fedor – a infraestrutura soviética segue funcionando bem: o transporte público ainda é bastante ecológico (metrô, bondes, trolleys). Os sistemas de aquecimento, geração da energia estão centralizados e bem pensados embora estejam semi-abandonados pelas “reformas” e privatarias de Yéltsin e Putin.

Umas imagens da Rússia dos Romanov que nós tinhamos perdido:

Tomando chá em Mytíshchi, V.Perov

Morta afogada, V.Perov

Troika, V.Perov

Execução dos rebeldes de Pugachov. V.Perov

mulheres russas, arrastando os navios dos ricos

zelador, indicando o quarto por alugar para uma mulher nobre. V.Perov

Vagabundos. Sem casa. V.Perov.

Leilão das coisas de um mau pagador. V.Perov

Num boulevard. V.Makóvski

Benção de um próstibulo. V.Makóvskiy

 


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mudanças na percepção de Liev Tolstói

Tenho clientes que querem visitar a casa de Liev Tolstói em Tula, sua famosa residência em Yasnaya Polyana. Por isso estou pensando se a imagem que nós os russos temos de Lev Tolstoi corresponde a sua imagem no exterior?

Grosso modo, na última etapa de sua vida este escritor genial foi um dissidente político, herege religioso e anarcopunk cultural. Excomungado pela Igreja Ortodoxa dos Romanov, Liev Tolstói foi considerado na URSS um “espelho da revolução russa” <1>.

O escritor foi excomungado na Catedral principal do Kremlin de Moscou! Ao mesmo tempo na primeira etapa de sua vida Liev Tolstói também foi um conde, guerreiro e amante dos prazeres da vida. Seu casamento foi celebrado numa das igrejas do mesmo Kremlin de Moscou! E ele é famoso mundialmente por sua obra “Guerra e Paz”, que refletiu a “complexidade florescente” <2> do Império Russo no século XIX.

Liev Tolstói, Maxim Gorki e Anton Chéjov

No tempo da URSS Liev Tolstói foi interpretado justo através de seu lado espiritual – podemos ver isso no filme soviético “Guerra e Paz” de 1967 <3>, concentrado no moralismo e populismo. É interessante notar que o lado espiritual de Tolstói, também entre os marginais ocidentais, teve um papel de destaque: o track mais famoso da banda inglesa “Yes” – “The Gates Of Delirium” (1974) foi inspirado no mesmo romance de Liev Tolstói “Guerra e Paz”! Ao mesmo tempo, a música britânica tão sofisticada (Yes, King Crimson, Uriah Heep, etc.) foi mais ouvida na URSS que no Ocidente <4>.

Mas também é possível interpretar Liev Tolstói através de seu lado “carnal” – acho que podemos ver isso no filme inglês “Anna Karénina” de 2012, concentrado no materialismo e elitismo.

Nós russos, acostumados ao nível alto do cinema soviético, não aguentamos tais interpretações ocidentais. Tanto o filme “Anna Karénina” de 2012 (Inglaterra), como, por exemplo, o “Doutor Zhivago” de 1965 (EUA) para o gosto dos russos são uma espécie de pornochachadas brasileiras. Sabemos que estes filmes são êxitos no Ocidente e muitos clientes nossos compartilham conosco suas impressões positivas destes filmes, mas também é verdade que para o gosto dos russos tais filmes são quase um crime contra a humanidade: nós russos não somos assim, não atuamos assim, não nos movemos, não falamos, não sorrimos assim…

Mas devemos superar nossa repugnância e continuar analisando.

Vasili Shulzhenko (EUA). Liev Tolstói

É importante que nós registramos a intercepção da clássica russa pelo cinema ocidental. Não por acaso em 2016 a BBC também apresentou sua adaptação do romance de Liev Tolstói “Guerra e Paz”! Até podemos pressupor que os produtores ocidentais saibam melhor como interpretar nossos clássicos. Se não os ingleses, quem pode entender melhor o funcionamento do elitismo dentro Império <4>?

O elitismo do Império Russo <5> é um tema que foi ignorado ou ridicularizado no período soviético, mas hoje no contexto da Restauração <6> o elitismo vira atual, só os produtores russos tem medo de Liev Tolstói e preferem os roteiros mais simplistas tipo “Duelista”, filme russo de 2016, também concentrado no elitismo do século XIX <7>.

Podemos resumir que ao parecer o moralismo, o populismo, o anarquismo e os demais “ismos” dos grandes autores russos cada vez sejam menos interessantes para os produtores da cultura atual (tanto no Ocidente, como na Rússia), que visam mais o materialismo, o elitismo e o ordem.

  1. https://www.marxists.org/portugues/lenin/1908/09/24.htm
  2. Leia mais sobre o conceito de “flowering and increasing complexity” de Konstantin Leontiev em https://en.wikipedia.org/wiki/Konstantin_Leontiev
  3. https://pt.wikipedia.org/wiki/Voyna_i_Mir
  4. Leia mais sobre o elitismo inglês aqui: Kate Fox, Watching the English: the hidden rules of English behaviour. 2004
  5. http://guiademoscou.blogspot.ru/2015/12/imperio-de-cabeca-para-baixo.html
  6. http://guiademoscou.blogspot.ru/2016/01/sobre-os-gemeos-catedral-de-cristo.html
  7. https://en.wikipedia.org/wiki/The_Duelist_(2016_film)

P.S. Para todos os fãs de Liev Tolstói sugerimos muito assistir os grandes filmes soviéticos:

Guerra e Paz de 1967 em 4 partes (legendado em português)

https://vk.com/video252157879_170064586

https://vk.com/video252157879_170035073

https://vk.com/video252157879_170032306

https://vk.com/video252157879_170025002

Anna Karénina de 1967 em 2 partes (pode-se ativar as legendas em inglês)

https://www.youtube.com/watch?v=Y5YutODgC0k&feature=youtu.be

https://www.youtube.com/watch?v=x5QdY1HWok0

As fotos da residência provinciana de Liev Tolstói perto de Tula em Yasnaia Poliana: http://fatikova.livejournal.com/154073.html

 


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East World, Copa da Rússia 2018

Todos os guias têm muitos planos para a Copa do Mundo de 2018, que vai ter lugar na Rússia. Eu em pessoa, inspirado no filme “West World“, quero lhes oferecer um parque dos guias robots. Cada robô vai lhe vender sua própria história, e cada robô vai ter o seu carisma e os seus pontos fortes.

Por exemplo, a cidade de Rostov do Don é uma porta russa do Cáucaso, e é a capital do Sul da Rússia. Tradicionalmente Rostov do Don foi uma cidade cosmopolita de militares, negociantes e de contrabandistas. Costumamos dizer: Odessa é a mãe, Rostov é o pai.

Para guiá-los em Rostov do Don desenhamos um guia robô muito especial. Imaginem só! Rostov do Don através dos olhos de um gay checheno! Histórias apaixonadas das guerras russas no Cáucaso e contra Turquia, um outro olhar sobre a expansão da Rússia no Sul. Repressão sexual e machismo nas repúblicas muçulmanas!

Perfil de seu guia de Rostov do Don

nível de ensino: ensino superior
emprego permanente: guarda costas de um mafioso checheno
principais campos de interesse: guerras do Cáucaso, política de gênero, atrações turisticas em Rostov do Don, futebol

São Petersburgo, o porto russo no Mar Báltico, foi capital do Império dos Romanov, o período que foi um verdadeiro pesadelo para o povo russo, ao mesmo tempo São Petersburgo marca o Século de Ouro da cultura elitista para a nobreza russa. Venha conhecer São Petersburgo através dos olhos de um “pequeno homem” das obras de Púshkin, Dostoévski, Tolstoi. O “pequeno homem” oposto ao Grande Império.

Perfil de seu guia de São Petersburgo

nível de ensino: pós-doutorado
emprego permanente: gari, profissional responsável pela limpeza da Avenida Névskiy e Praça do Palácio
principais campos de interesse: cliodinámica

Moscou, a capital do “Heartland”, o coração da terra. Moscou vai ser, obviamente, a cidade mais solicitada pelos clientes “recém-chegados“. No centro de Moscou vamos organizar todo um parque de atrações com muitos “robots anfitriões“. Nossos clientes podem fazer o que quiserem dentro do parque, sem seguirem regras ou leis e sem medo da retaliação dos robots anfitriões:

Ivã Borodai, ex-agente da KGB, atualmente oligarca-patriota, frequentador do Café Pushkin. Ivã Borodai tem uma esquizofrenia: seus 2 filhos moram em Londres, mas Ivã tem ao mesmo tempo o seu negócio de petróleo na Rússia, que está condenada geopoliticamente ao Grande Jogo contra a Inglaterra.

Mijail Abramovich, ex-agente do Mossad, atualmente agente do Teatro Bolshoi, ou seja revendedor dos tiquets na Praça Vermelha

Natasha Rostova, professora de literatura russa, é uma garota de programa nos tempos livres, uma fantástica menina da Ucrânia. Área de atuação – bairro da rua Arbat, Ministério das Relações Internacionais, Hotel “Ucrânia”, beira Taras Shevchenko.

Nonna Mordukova, policial feminina, trabalha na Rua Tverskaia, ativista do Partido Comunista.

Nurali Mamasharipov, migrante ilegal do Uzbequistão, vendedor dos passaportes falsos na Estação de Kazão.

Etc.

Amigos, nós temos também uma grande variedade dos “robots anfitriões” em função das preferências políticas de vocês: stalinistas, trotskistas, neoliberais, feministas, anarquistas, extrema-direita, etc.

Caros clientes, esperam-vos guiões para todos os gostos:

Ação, espionagem, comédia romântica, pornochanchada, etc.

Poderão selecionar os ambientes para sua Odisseia Russa:

Moscou da invasão polaca de 1612,

Moscou do Grande Incêndio de Napoleão de 1812 ou

Moscou na catastrófica situação de outubro de 1941, quando os nazistas estavam tão perto que podiam ver as torres do Kremlin pelos binóculos.

É possivel também ajustar o patamar emocional de sua experiência. Sua saúde física, sua reiniciação emocional é responsabilidade nossa.

De todas formas nossa agência de viagens sempre esta às suas ordens. Os melhores itinerários, as criações mais interessantes em seu caminho, uma infinidade de encontros e interrelações.

Bem-vindos ao East World!

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