Pskov: MUST SEE (imperdível)

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Pskov: MUST SEE (imperdível)

#Pskov

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Pskov, história

Segundo uma das teorias de etnogênese, os povos novos sempre se formam nas fronteiras, pela causa da interação “amizade/guerra”. Assim foi o caso de Kiev (fronteira russa com Khazaria e Império Bizantino), Moscou (área russa no marco da Horda de Ouro), São Petersburgo (literalmente o frente da guerra da Rússia contra a Suécia) [1.]

Um dos centros de etnogênese russa foi também a área de Pskov (300 km de São Petersburgo para sudoeste, 800 km de Moscou para noroeste). Pskov fica a 2 passos da Estônia e a Lituânia atuais. Muito mais antiga que Moscou, até o século XVIII Pskov foi uma das maiores cidades da Europa. Pskov protegia a Rússia das agressões das tribos bálticas, das Ordens Teutónica e Livônia. No período da desintegração feudal Pskov balanceava entre Kiev e Novgorod até quando, no século XV, ficou subordinada a Moscou.

As cidades fronteiriças se diferenciam por sua dualidade: por um lado elas copiam algo de seus vizinhos, por outro lado desenvolvem seu próprio estilo para ser diferentes. Hoje, para algumas pessoas Pskov é uma das “janelas para Europa”, a terra russa “menos infectada” pelo bolchevismo-czarismo-hordismo. É importante saber que depois da catástrofe da aventura dos Romanov na I Guerra Mundial o governo soviético teve de ceder uma parte da região de Pskov ao estado marioneta da Inglaterra – à República da Estónia (a Rússia Soviética estava no caos da guerra civil, invadida pelos 14 estados estrangeiros). Destruída pelos Romanov, a Rússia se recuperou só depois da Vitória da URSS na 2GM. Assim, o povoado Izborsk, um dos símbolos da Rússia (fica a 30 km de Pskov!) em 1920-1940 foi integrado à Estônia. Durante a 2GM em Pskov, ocupada pelos nazistas, se acomodaram o “exército russo da libertação” do traidor Andrei Vlasov, a “Divisão Azul” dos franquistas espanhóis e outros colaboracionistas do fascismo pan europeu. É lógico que para os neonazistas russos o caso de Pskov é muito especial.

Um dos torcedores dessa onda, entrevistado por nós perto de Izborsk, com muito orgulho comentou que durante a guerra civil russa os representantes da tribo local seto, atacando aos russos-vermelhos, não  gritavam “HURRA” como os “untermensch” russos (“hurra” é uma palavra turca, herdada da Horda de Ouro). Os setos, sendo “super homens”, durante seus ataques costumavam simular as vozes de porcos, cachorros, galos, etc. É curioso notar como o anti sovietismo leva ao arcaísmo total… [2.]

#izborsk

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Pskov, arquitetura

Achamos que Pskov tem o segundo posto depois de Moscou pelos seus recursos turísticos… Pelo menos Pskov e seus povoados satélites Izborsk e Pechory estão na mesma altura que São Petersburgo ou Anel de Ouro de Moscou. http://guiademoscu.com/?page_id=670

A arquitetura de Pskov é caracterizada pelo jogo cubista de volumes, por certo primitivismo, não é semelhante com nada. As muralhas das fortalezas aqui não são alinhadas, nem modeladas em estuque, assim as pedras calcárias ficam como uma massa folhada. Na arquitetura de Pskov se inspiraram os gênios tão influentes como Shchusev e Le Corbusier. Alguns expertos até creem, que os autores da Catedral de São Basílio de Moscou (a obra chave da arquitetura russa) fossem da origem de Pskov.

Lamentavelmente Pskov (igualmente a toda a Rússia) está abandonada desde a queda da URSS, a cidade não tem planejamento sério, tem muitos prédios queimados ou abandonados no centro, sem falar dos prédios novos e feios da época de Yeltsin/Putin, que estragam os panoramas geniais de Pskov. Pskov não tem boas rodovias. Ao mesmo tempo há de reconhecer que a parte histórica em geral não está descuidada e as obras da restauração receberam certo financiamento no período da bonança petroleira dos anos 2000.

Una iglesia de #Pskov que inspiró a #lecorbusier a diseñar su #chapelle

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Pskov, rodovia de Moscou

A rodovia é de pista simples, as vezes é difícil ultrapassar um caminhão, por isso a rodovia está “decorada” com muitas tumbas de ambas as beiras (de vítimas de accidentes). Ao mesmo tempo a qualidade da rodovia é bastante alta, se pode conduzir tranquilo a 110 km/hora durante a chuva. A rodovia tem muitos outdoors memoriais, que informam sobre o movimento do frente russo durante a 2GM, sobre as vítimas dos castigadores nazistas, sobre as pérdidas faraónicas dos russos nas batalhas de Rzhev, sobre as fossas comuns, etc. Mas a julgar pelas fazendas soviéticas abandonadas em massa (muitos prédios de concreto armado em abandono!), se pode pensar, que a guerra acabou de finalizar ontem (para muitos russos o dano das “reformas” de Yeltsin/Putin é equiparável com o dano da 2GM). As cegonhas estão em todas partes… Uma até construiu seu ninho em cima dum obelisco perto de Rzhev. As aves tamanhas sobrevoavam a gente como os pterodáctilos. A natureza é fantástica e rica, cada 100 metros da rodovia vendem peles, gordura de urso, castóreo, vodkas com sabores, etc.

#Pskov

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Pskov, a vida alternativa

Como a região de Pskov fica perto de São Petersburgo, lá se organizam os festivais musicais, de cultura étnica, recreações históricas, etc. Há várias comunidades de jovens, que escapam da civilização pós-soviética mediante a vida rural: uns se dedicam à cervejaria, outros montam as fábricas de queijo, visando para o mercado de produtos artesanais kraft, que tem em São Petersburgo. Os joven recuperam as técnicas perdidas de tecido, de construção de lareiras, etc. A ideia é viver sem estado (a isso se reduz a ideologia de putinismo: as matérias primas são só para as elites, o povo tem que aprender a viver sem estado). Mas não é fácil viver na terra, o estado não os deixa em paz. O custo da terra está crescendo (embora que a maior parte da terra esteja abandonada), os impostos sobre a terra também sobem. A medicina estatal degradou até o nível da Idade Média, mas a medicina privada (muito cara) não é melhor. Os “escapistas” precisam de gasolina para levar as crianças à escola do povoado mais próximo. Depois da escola primária a dor de cabeça dos pais aumenta: há de se pensar sobre a educação séria, que é impossível na província… Claro que a vida no campo é muito atrativa, já que é uma tradição da nobreza russa… Mas antigamente os nobres russos tinham escravos, Liev Tolstoi, vivendo em sua Yasnaya Polyana, foi o escritor №1 no planeta e ganhava bastante com seus direitos autorais… As fontes de renda dos “escapistas” de hoje são seus apartamentos em Moscou ou em São Petersburgo, que eles arrendam para os “não moscovitas”. Além disso, eles têm seus pequenos negócios elitistas orientados ao mercado das cidades grandes como São Petersburgo ou Moscou.

A região de Pskov é um ótimo lugar para uma vida alternativa, há muitos locais remotos, e São Petersburgo não é tão agressiva destruindo suas periferias como Moscou. Há pessoas aqui que participam nos programas da reeducação dos jovens criminosos da EU [3.]. Segundo a imprensa russa, esses jovens europeus reeducados nas aldeias da Sibéria ou em outros lugares da Santa Rússia, viram aqui as pessoas normais porque na Europa eles sofrem maus tratos e na Rússia lhes tratamos muito bem. Não é tão simples… Segundo um de nossos informantes um dos tais delinquentes europeus (um turco alemão), localizado na fazenda de um conhecido, durante a festa de Ivan Kupala saiu da sauna com uma suastika pintada em seu frente com carvão e começou a esticar o braço direito, gritando Sieg Heil… O louco roubou 5000 rublos (80 euros) de seu anfitrião e fugiu em um táxi para o aeroporto Pulkovo de São Petersburgo, foi um comportamento típico para os delinquentes russos também, mas isso não dá certo, claro… O caminho para o centro do mundo (que hoje é o Ocidente) nunca foi fácil.

Leia mais:

1. http://guiademoscou.blogspot.ru/2013/12/sobre-o-codigo-cultural-dos-russos.html

2. Numa comunidade alternativa de Izborsk nos encontramos com um neonazista bielorrusso, que nos contou uma história anti soviética, bastante sofisticada, mas típica (o neonazista foi absolutamente “open minded”: cabelo largo, cara tatuada, piercing abundante). Segundo o neonazista durante a crise dos anos 1920 o governo de Lenin quis ganhar o dinheiro produzindo vodka. Mas no país destruído pela guerra civil não havia trigo de centeio. A consulta dos cientistas lhe ofereceu a Lenin produzir a vodka …da merda. Para o neonazista bielorrusso isso é um fato histórico, ele “viu” os “documentos” “com seus próprios olhos”, blablabla… Os operários depois de descobrir o plano de Lenin, se rebelaram… Graças a Deus, essa história em seguida foi desmistificada por um produtor de cerveja, que explicou para o neonazista ridículo que seria impossível produzir a vodka da merda, porque a merda não tem açúcar. Deveria ser uma merda de um diabético! O neonazista resistiu: disse que ele mesmo bebeu muita vodka da merda, que na Bielorússia atual é bastante comum, mas isso já foi outra história…

3. http://www.elcorreo.com/vizcaya/20080118/mundo/reeducacion-siberia-20080118.html


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Rússia: muita terra separatista, pouco mar integrista

northeastpassage<em meados do século XVIII> no tempo de paz o transporte de cargas de Arkhangelsk para Londres pelo mar era mais rápido e econômico que de Arcangelsk para Moscou pela terra < O rei da Inglaterra Jaime I valorizou tanto esta região, que em 1612-1613, quando as tropas da Polônia e cossacos tomaram Moscou, ele até analisava a possibilidade da colonização direita de Arkhangelsk (Dunning 1989; Kagarlitski 2003)>. No tempo de guerra as cargas militares eram transportadas de Gibraltar para Balaclava mais rápido que de Moscou para Crimeia <A guerra da Crimeia, Inglaterra/Francia/Turquia vs Rússia>.

No início do século XIX fornecer as cargas para as bases russas no Alasca era 2-4 vezes mais econômico pelos 3 oceanos do que pela Sibéria. Além disso, pelos oceanos era mais seguro. Dessa forma, com a circunavegação de São Petersburgo ou Odessa, o Império Russo abastecia de trigo e azeite a América Russa.

Bering Strait map and new railroads in red frameO transporte de peles do Alasca para a China pela Sibéria demorava 2 anos; os navios americanos transportavam as peles em 5 meses.

Tecnicamente e psicologicamente a Índia estava mais perto de Londres do que muitas províncias do Imperio Russo de São Petersburgo.

Os oceanos conectavam, quando a terra separava.

No mar haviam inimigos e piratas, mas não haviam súbditos. Estes últimos são povos estranhos, descontentes ou rebeldes que precisavam ser pacificados, estudados, trasladados, ilustrados, fiscalizados e recrutados pelo governo, que possuia a responsabilidade sobre eles perante o mundo.

Fragmento de ensaio do culturologo russo Alexandr Etkind.


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Anel de Ouro: Yaroslavl

5657--8925213-Yaroslavl, 270 km de Moscou.

Foi uma cidade sumamente importante na época, quando a principal rota comercial da Rússia era “Mar Branco – rio Volga – Mar Cáspio”. Naquele tempo, a Rússia ainda não tinha saída para o Mar Báltico.

Assim pela Rússia os holandêses e inglêses podiam ter os negócios com Pérsia (as famosas tulipas holandêsas são da Pérsia!). E a cidade de Yaroslavl era a capital econômica deste comércio internacional. As igrejas de Yaroslavl tem muitos motivos orientais: os campanários parecem minaretes, as igrejas estão decoradas com azulejos: pela mesma influência persa. São tantas igrejas, que pela abundancia das cúpulas a cidade parece um feixe de rabanetes!

A cidade era tão importante para os negócios, que os estrangeiros nem sempre tinham tempo para visitar Moscou, porque o período da navegação era só de 2 meses. O Mar Branco (pelo qual eles chegaram à Rússia) é chamado assim porque quase sempre está congelado. Agora vocês entendem porque a Rússia desde Ivã IV queria sair para o Mar Báltico e para o Mar Negro? O Mar Branco (ou seja Congelado) não era suficiente! Neste sentido, os bálticos e os poloneses historicamente foram parasitas da economia russa (sendo intermediários desnecessários no negócio entre a Rússia e Europa). Por isso, mesmo hoje estes países limítrofes são tão importantes para os EUA, como uma ferramenta de separação da Europa da Rússia.

O centro histórico de Yaroslavl é considerado como um patrimônio da humanidade pela UNESCO. Embora que o centro não tenha coisas geniais tipo São Basílio da Praça Vermelha de Moscou, tem uma atmosfera provinciana dos prédios de 2 a 3 andares, subidas e baixadas, ruas pequenas, etc. É muito bacana.

Não se esqueçam do rio Volga! É impressionante! Igual à história de Yaroslavl: a cidade foi a capital da Rússia na época de revoltas do século XVII, quando Moscou aceitou o poder dos poloneses. Yaroslavl protagonizou a Guerra Civil depois da Revolução Russa e tem muitas histórias para contar!

Conheça mais sobre o Anel de Ouro aqui.