“Um tal. 1917”

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“Um tal. 1917”

Está se aproximando o dia 7 de novembro de 2017, que é o dia que se comemora o centésimo aniversário da Grande Revolução Socialista de Outubro de 1917. O evento, em geral, é ignorado na Rússia, mas o oficialismo tem que fazer algo, não tem? Porque, sem dúvidas, o interesse mundial pela Revolução Russa é grande, e o próprio povo russo ainda não se esqueceu totalmente da mudança que levou a Rússia de República das Bananas (os últimos Romanov) para uma superpotência (URSS). Ainda que as gerações jovens sejam idiotizadas pela propaganda da derrota e da restauração dos anos 1985-2017.

No museu oficialista de arte contemporânea “Galeria Tretyakov do século XX” foi aberta há pouco tempo a exposição “Um tal. 1917”. Sem chamar muito a atenção, claro… Quando o oficialismo quer promover algo, ele promove por todos os canais de televisão, nos horários de grande audiência. Falam sobre alguma chegada das relíquias de São Nikolai à Rússia e assim se formam as filas intermináveis para venerar essas relíquias (embora que em muitas igrejas russas SEMPRE haja relíquias de São Nikolai e por isso não deve haver agiotagem nenhuma). Então, não há barulho nenhum pelo motivo da exposição “Um tal. 1917”. Mas a exposição é interessante para compreender a postura do oficialismo.

Quanto à arte visual russa, sem falar da iconografia ortodoxa, o “monopólio natural” da Rússia é a vanguarda soviética: Tatlin, Rodchenko, Kandinsky, Malevich, Chagall, Deineka, Petrov-Vodkin, etc. São os ícones da arte do século XX, os nomes inseparáveis da Revolução Russa. Por isso a tarefa do oficialismo reacionário é no mínimo separá-los da Revolução e no máximo, se são absolutamente inseparáveis, desprezá-los.

A mensagem da exposição dedicada ao aniversário da revolução que o museu principal do país quer enviar para o público é seguinte: a democracia é muito questionável… Por isso a exposição se abre com o “desmascaramento” do “mito do povo russo”. Desde Fyodor Dostoiévski, os intelectuais russos tratavam o povo russo como a única fonte de verdade, como um povo “porta-Deus” (portador da ideia de Deus). Todo o movimento intelectual russo girava em torno do populismo, no sentido de libertar o povo escravizado pelos Romanov (que levaram o nosso povo até quase um estado animal). Os sucessos do período soviético na ciência, arte, esporte, guerra e economia são uma consequência da realização deste sonho dos populistas russos. Então, a visão atual do oficialismo é diferente, o povo não é “portador de Deus”… Os curadores da exposição “Um tal. 1917” destacam a obra de Boris Grigoriev, que apresentou o nosso povo como uma plebe. Que caras cruéis, ignorantes, perigosas… Lembre da russofobia de Ivan Bunin (premiado por sua russofobia com o Nobel em 1933): “Suas vozes são uterinas, primitivas. Os rostos das mulheres são como da Chuváchia, da Mordóvia, os rostos dos homens, todos como regra, são criminosos, alguns são diretamente de Sakhalin. “E quantos rostos são pálidos, de maçãs salientes, surpreendentemente assimétricos entre a plebe russa – quantos são os indivíduos atávicos, fortemente amassados no atavismo mongol!” (extraido dos “Dias malditos”, um livro de Bunin, onde o autor sonha com a ocupação da Rússia pelos alemães).

Claro que os conteúdos principais da exposição são: Tatlin, Rodchenko, Kandinsky, Malevich, Chagall, Deineka, Petrov-Vodkin, etc. Mas no final, para que o espectador não se esqueça da mensagem do oficialismo, oferecem um “epílogo” do qual se pode deduzir que é provável que todos os gênios da arte soviética tivessem uma moralidade dupla e que talvez trabalhassem de um jeito genial contra sua vontade, pelo medo, etc. Assim o oficialismo profana a coisa mais sagrada da arte russa: a vanguarda soviética.


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Tour panorámico pela literatura russa

É impossível mencionar a todos os escritores e poetas russos num artigo. Há mais literários russos que as estrelas no céu. Vou falar só de alguns escritores reconhecidos mundialmente, que estão conectados com a Revolução, porque este ano celebramos o centécimo aniversário da Grande Revolução Russa.

Um dos museus mais impressionantes de Moscou é o Museu de Vladímir Maiakovski.

http://mayakovsky.museum/small/tour.html

Vladímir Maiakovski foi um poeta-futurista, radical bolchevique, que passou um tempo na prisão dos czares e na época soviética virou um ícone da Revolução Russa. É por isso que seu museu fica ao lado do prédio da KGB, que era uma “ordem dos cavaleiros da espada” da Revolução Russa.

Maiakovski foi bastante privilegiado, quando outros literários conservadores (ou simplesmente muito menos vanguardistas) ficaram no esquecimento e na pobreza. A tragédia pessoal de Maiakovski é uma tragédia da revolução russa. O poeta suicidiou.

Leia mais sobre Maiakovski em nosso blog:

http://guiademoscu.blogspot.ru/2010/07/mayakovski-117.html

Museu Casa de Máximo Gorki também vale muito a pena. Na época soviética a avenida principal de Moscou tinha nome desse escritor (como também a terceira cidade da Rússia Nizhniy Nóvgorod que se chamava simplesmente Gorki). Se Maiakovsi fosse um capitão da revolução, Gorki foi um dos generais. E logicamente sua casa foi o estado maior da literatura russa, que até agora guarda as listas de todos os visitantes. Antes de receber ao escritor proletário a casa pertencia a um dos milionários da época dos czares.

https://www.tripadvisor.com.br/Attraction_Review-g298484-d302513-Reviews-Gorky_s_House_Ryabushinsky_Mansion-Moscow_Central_Russia.html

Museu finca de Liev Tolstói em Jamóvniki

Se Máximo Gorki foi nomeado para o prêmio Nobel 5 vezes, Liev Tolstói recusou o Prêmio Nobel 16 vezes. Liev Tolstói não gostava do prêmio Nobel, como também ele não gostava de Moscou. Não obstante pela causa de seus filhos ele teve que passar 19 invernos aqui. Liev Tolstói optou por uma casa simples, sem electricidade, sem aqueduto, localizada num bairro dos operários, fora do centro (que contraste com Máximo Gorki!). Justo no período de seu trabalho em Moscou Liev Tolstói virou um “espelho da revolução russa” e foi excomungado pela igreja dos Romanov.

https://www.tripadvisor.com.br/Attraction_Review-g298484-d530937-Reviews-L_Tolstoi_s_Khamovniki_Memorial_Estate-Moscow_Central_Russia.html

Leia também sobre nosso Liev Tolstói Tour para Yásnaya Poliána.

Museu Apartamento de Mijail Bulgákov

Mijail Bulgákov tinha sido um soviet-cético (por analogia com eurocéticos), e por isso atualmente ele virou um dos escritores mais populares entre as elites da Rússia capitalista/anti soviética. Certas obras de Bulgákov foram super popularizadas nos anos 1980 para promover as ideias do darwinismo social e destruir o estado social na Rússia (hoje na Rússia segundo a estatística oficial 15% da povoação está abaixo da linha da pobreza). Ao mesmo tempo Bulgákov foi um gênio e um dos escritores mais favoritos de Stalin. Stalin pessoalmente preocupou por seu bem-estar (porque os chefes da literatura brigando pela atenção do poder costumavam subestimar a seus colegas: assim foi Boris Pasternak, responsável em parte pela morte do poeta russo Osip Mandelstam, assim foi Iosif Brodskii, que influiu muito em caminhos dos escritores emigrantes da URSS). O apartamento de Mijail Bulgakov fica ao lado do bairro onde começa a história do “Mestre e Margarida”.

http://bulgakovmuseum.ru/en/

Museu Casa de Antón Chéjov

Antón Chéjov é um dos dramaturgos mais conhecidos mundialmente, e a primeira vista ele tinha pouco a ver com a Revolução. É certo que Chéjov não foi tão crítico do regime dos Romanov como Liev Tolstói. Mas seu espírito apolítico, apateista refletiu bastante com os sentimentos pessimistas duma parte das elites russas, que não sabiam e nem queriam saber do país onde elas viviam.

https://www.tripadvisor.com.br/Attraction_Review-g298484-d530913-Reviews-Chekhov_House_Museum-Moscow_Central_Russia.html

O roteiro pelos museus mencionados no mapa de Moscou (sugiro usar os ônibus e caminhar a pé):


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mudanças na percepção de Liev Tolstói

Tenho clientes que querem visitar a casa de Liev Tolstói em Tula, sua famosa residência em Yasnaya Polyana. Por isso estou pensando se a imagem que nós os russos temos de Lev Tolstoi corresponde a sua imagem no exterior?

Grosso modo, na última etapa de sua vida este escritor genial foi um dissidente político, herege religioso e anarcopunk cultural. Excomungado pela Igreja Ortodoxa dos Romanov, Liev Tolstói foi considerado na URSS um “espelho da revolução russa” <1>.

O escritor foi excomungado na Catedral principal do Kremlin de Moscou! Ao mesmo tempo na primeira etapa de sua vida Liev Tolstói também foi um conde, guerreiro e amante dos prazeres da vida. Seu casamento foi celebrado numa das igrejas do mesmo Kremlin de Moscou! E ele é famoso mundialmente por sua obra “Guerra e Paz”, que refletiu a “complexidade florescente” <2> do Império Russo no século XIX.

Liev Tolstói, Maxim Gorki e Anton Chéjov

No tempo da URSS Liev Tolstói foi interpretado justo através de seu lado espiritual – podemos ver isso no filme soviético “Guerra e Paz” de 1967 <3>, concentrado no moralismo e populismo. É interessante notar que o lado espiritual de Tolstói, também entre os marginais ocidentais, teve um papel de destaque: o track mais famoso da banda inglesa “Yes” – “The Gates Of Delirium” (1974) foi inspirado no mesmo romance de Liev Tolstói “Guerra e Paz”! Ao mesmo tempo, a música britânica tão sofisticada (Yes, King Crimson, Uriah Heep, etc.) foi mais ouvida na URSS que no Ocidente <4>.

Mas também é possível interpretar Liev Tolstói através de seu lado “carnal” – acho que podemos ver isso no filme inglês “Anna Karénina” de 2012, concentrado no materialismo e elitismo.

Nós russos, acostumados ao nível alto do cinema soviético, não aguentamos tais interpretações ocidentais. Tanto o filme “Anna Karénina” de 2012 (Inglaterra), como, por exemplo, o “Doutor Zhivago” de 1965 (EUA) para o gosto dos russos são uma espécie de pornochachadas brasileiras. Sabemos que estes filmes são êxitos no Ocidente e muitos clientes nossos compartilham conosco suas impressões positivas destes filmes, mas também é verdade que para o gosto dos russos tais filmes são quase um crime contra a humanidade: nós russos não somos assim, não atuamos assim, não nos movemos, não falamos, não sorrimos assim…

Mas devemos superar nossa repugnância e continuar analisando.

Vasili Shulzhenko (EUA). Liev Tolstói

É importante que nós registramos a intercepção da clássica russa pelo cinema ocidental. Não por acaso em 2016 a BBC também apresentou sua adaptação do romance de Liev Tolstói “Guerra e Paz”! Até podemos pressupor que os produtores ocidentais saibam melhor como interpretar nossos clássicos. Se não os ingleses, quem pode entender melhor o funcionamento do elitismo dentro Império <4>?

O elitismo do Império Russo <5> é um tema que foi ignorado ou ridicularizado no período soviético, mas hoje no contexto da Restauração <6> o elitismo vira atual, só os produtores russos tem medo de Liev Tolstói e preferem os roteiros mais simplistas tipo “Duelista”, filme russo de 2016, também concentrado no elitismo do século XIX <7>.

Podemos resumir que ao parecer o moralismo, o populismo, o anarquismo e os demais “ismos” dos grandes autores russos cada vez sejam menos interessantes para os produtores da cultura atual (tanto no Ocidente, como na Rússia), que visam mais o materialismo, o elitismo e o ordem.

  1. https://www.marxists.org/portugues/lenin/1908/09/24.htm
  2. Leia mais sobre o conceito de “flowering and increasing complexity” de Konstantin Leontiev em https://en.wikipedia.org/wiki/Konstantin_Leontiev
  3. https://pt.wikipedia.org/wiki/Voyna_i_Mir
  4. Leia mais sobre o elitismo inglês aqui: Kate Fox, Watching the English: the hidden rules of English behaviour. 2004
  5. http://guiademoscou.blogspot.ru/2015/12/imperio-de-cabeca-para-baixo.html
  6. http://guiademoscou.blogspot.ru/2016/01/sobre-os-gemeos-catedral-de-cristo.html
  7. https://en.wikipedia.org/wiki/The_Duelist_(2016_film)

P.S. Para todos os fãs de Liev Tolstói sugerimos muito assistir os grandes filmes soviéticos:

Guerra e Paz de 1967 em 4 partes (legendado em português)

https://vk.com/video252157879_170064586

https://vk.com/video252157879_170035073

https://vk.com/video252157879_170032306

https://vk.com/video252157879_170025002

Anna Karénina de 1967 em 2 partes (pode-se ativar as legendas em inglês)

https://www.youtube.com/watch?v=Y5YutODgC0k&feature=youtu.be

https://www.youtube.com/watch?v=x5QdY1HWok0

As fotos da residência provinciana de Liev Tolstói perto de Tula em Yasnaia Poliana: http://fatikova.livejournal.com/154073.html

 


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Hace 159 años nació el padre de la cosmonáutica mundial

14192140_1609351659109985_1274819204223309663_nHace 159 años nació el fundador de la cosmonáutica mundial, el genio ruso Konstantin Tsiolkovski. Su padre era un inspector florestal, su madre – ama de casa. El niño por ser sordo no pudo terminar la escuela secundaria. Pero siendo un genio estudiaba mucho independientemente. Por esta razón su padre lo envió a estudiar a Moscú. Tsiolkovski se volvió un profesor de física y trabajó toda la vida en Bórovsk, provincia de Kaluga (Bórovsk es una de las ciudades más importantes para los sectarios rusos – “viejos creyentes”). Desde su casa de madera en Bórovsk Tsiolkovski diseñó toda la conquista del espacio como la imaginamos hoy. Después de la Revolución Rusa fue reconocido por el nuevo gobierno bolchevique y premiado. “La Tierra es una cuna de la humanidad, pero no se puede vivir toda la vida en la cuna”, dijo el genio e ofreció poblar el espacio cósmico a base de las estaciones orbitales. Asimismo Tsiolkovski fue autor de la idea de elevador cósmico (lanzamiento de cargas sin uso de cohétes), diseñaba los trenes aerodeslizadores, etc. Lo fundamental fue que Tsiolkovski entendió que el futuro pertenece a los cohétes de motores a reacción y calculó las velocidades de escape.

Hace poco la ciudad de Uglegorsk, la más próxima del nuevo cosmódromo ruso “Svobódni” en el Oriente Extremo recibió el nombre del gran cosmista.

*el nombre antiguo UGLEGORSK signficaba literalmente “Carbonburgo”, pero las minas que se cavaban en esta ciudad no eran para producir carbon, sino para instalar los cohétes de lanzamiento subterraneo. El nombre UGLEGORSK fue una forma de esconder las actividades secretas que pasaban allí.

Lea más sobre la cosmonáutica rusa, pulsando este link.


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Literatura russa inspira jovens criminosos de EUA

942650_521309734572709_4335107_nOs jovens reclusos em um centro correcional em Beaumont, Virginia, estão sendo incentivados a ler clássicos da literatura russa para ajudar a colocar suas vidas de volta nos trilhos. As aulas, organizadas pela Universidade da Virginia, tornaram-se tão populares que estão sendo usadas como um incentivo para o bom comportamento entre os detentos.

O criador do projeto, professor Andy Kaufman, espera introduzir clássicos da literatura russa em mais instituições correcionais, tanto na Virginia quanto em outros estados dos Estados Unidos. Segundo os relatórios das unidades, os presos estão lendo “Guerra e Paz”, de Leon Tolstoi, mesmo fora das aulas. A bibliografia conta ainda com obras como “O Ladrão Honesto” e “Crime e Castigo”, de Fiodor Dostoievski, que também passou algum tempo de sua vida em uma colônia penal siberiana.

Na escola dos delinquentes juvenis de Beaumont, os funcionários relatam uma melhora acentuada no comportamento e nas habilidades sociais dos presos. Alguns inclusive se animaram a ingressar na faculdade, de acordo com o diretor Michael Hall.

Impressionado com os resultados do experimento de Kaufman, a Universidade da Virgínia lhe cedeu US$ 50 mil para expandir o projeto. O professor acredita que a literatura da Rússia ressoa com a vida nas prisões porque os autores russos fazem perguntas importantes, tais como: “Quem sou eu?”, “Por que estou aqui?” e “Dado que vou morrer, como devo viver?”.


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LEON TOLSTOY, ESPEJO DE LA REVOLUCIÓN RUSA

Identificar el nombre de este gran escritor con la revolución que evidentemente no supo comprender, y de la cual por cierto estuvo alejado, parecerá, a simple vista, extraño y artificial. Es, pues, cierto que una cosa que a todas luces no refleja exactamente los fenómenos no puede llamarse un espejo. Pero nuestra revolución es un fenómeno extraordinariamente complejo. Entre la masa de sus agentes y participantes directos, existen muchos elementos sociales que tampoco supieron comprender lo que ocurría y que también abandonaron las tareas históricas que el curso de los acontecimientos les planteaba. Y un escritor verdaderamente grande, no podía dejar de reflejar al menos algunos de los aspectos esenciales de la revolución.

La prensa rusa legal, atiborrada de artículos, cartas y notas sobre el octogésimo aniversario de Tolstoy, está lo menos del mundo interesada en un análisis de sus obras desde el punto de vista del carácter y las fuerzas motrices de la revolución rusa. Toda esta prensa padece de una indigestión de hipocresía de doble naturaleza: “oficial” y “liberal”.

La primera es una hipocresía vulgar del plumífero venal que ayer atacaba por encargo a Tolstoy, y hoy, por encargo, está obligado a descubrir en él patriotismo y observar para con él a los ojos de Europa todas las reglas de la decencia. Todo el mundo sabe lo que se ha pagado a estos plumíferos y no pueden engañar a nadie. Pero la hipocresía liberal es mucho más sutil, y por consiguiente, mucho más nociva y peligrosa.

Escuchando al cadete Balaleikius del Rech, uno se imaginaría que su simpatía hacia Tolstoy era ardentísima y absoluta. Actualmente, sus declaraciones calculadas y sus frases ampulosas acerca del “gran buscador de Dios” no son más que pura hipocresía, porque el liberal ruso ni cree en el Dios tolstoniano ni simpatiza con la critica tolstiana del orden existente. El liberal se asocia a un nombre popular, con objeto de acrecentar su capital político… para jugar el papel del jefe de la oposición nacional. El intenta, mediante frases sonoras y contundentes, ahogar el grito que exige una respuesta clara y directa a la cuestión: ¿Cuál es la causa de las flagrantes contradicciones, del “tolstoianismo”? ¿Qué diferencias y flaquezas de nuestra revolución reflejan?

Las contradicciones en las obras, conceptos y doctrinas de la escuela tolstoiana son contradicciones realmente flagrantes.

Por una parte tenemos al genial escritor que no sólo es capaz de trazar un cuadro incomparable de la vida rusa, sino también de reproducir una literatura universal de primer orden. Por otra parte tenemos al terrateniente llevando la corona del mártir en nombre de Cristo.

Por un lado una protesta considerablemente fuerte, directa y sincera contra las hipocresías y mentiras sociales. Por otro lado, el “tolstoiano”, esto es el intelectual ruso exhausto de histerismo y adorador de la miseria, que, golpeándose el pecho públicamente, grita: “Soy un malvado, soy un vil, pero me esfuerzo en lograr la propia perfección moral. ¡Ya no pruebo la carne, sino que vivo de una escudilla de arroz!”.

De un lado, crítica despiadada de la explotación capitalista; denuncia de las violencias del gobierno, de la comedia de la justicia y de la administración del Estado; revelación del abismo contradictorio entre el aumento de la riqueza y de las adquisiciones de la civilización y el acrecentamiento de la pobreza, embrutecimiento y de las torturas de las masas obreras. De otro, la prédica fanática de la “no resistencia al mal”.

De una parte, el realismo más sobrio y la ausencia de todo género de máscaras. De otra parte, la propagación de una de las cosas más corrompidas que existen en el mundo: la religión; la tentativa de reemplazar los sacerdotes oficiales del Estado, por sacerdotes de convicción moral, es decir, cultivar la más sutil y por consiguiente la más especialmente repugnante de las especies de clericalismo. En verdad:

“Eres pobre: eres opulenta,
Eres poderosa; eres importante;
¡Madre Rusia!”[1]

Frente a estas contradicciones, se comprende perfectamente que Tolstoy no pudiera interpretar ni el movimiento obrero y su papel en la lucha por el socialismo, ni la revolución. Pero estas contradicciones en las concepciones y doctrinas de Tolstoy, no son accidentales. Son expresiones de las contradicciones de la vida rusa durante el último tercio del siglo XIX. La aldea patriarcal, liberada ayer todavía de la servidumbre, fue literalmente entregada a la violencia y al pillaje del capital y del Estado. La vieja base de la economía y de la vida agraria, base que se había mantenido realmente durante siglos, se desmoronó con inusitada rapidez. Y las contradicciones en los conceptos de Tolstoy deben ser estimadas, no desde el punto de vista del movimiento obrero y del socialismo modernos (semejante valoración es, naturalmente, esencial, pero no es suficiente), sino desde el punto de vista de la protesta que se elevó de la aldea rusa patriarcal contra el ataque del capitalismo, contra la ruina de las masas y la expropiación de su tierra. Tolstoy, como profeta que descubre nuevas recetas para la salvación de la humanidad, es sencillamente divertido; y por consiguiente, esos “tolstoianos” rusos y extranjeros que procuran transformar el lado más flaco de su doctrina en un dogma, son completamente despreciables.

Tolstoy es grande, en tanto que expresión de las ideas y hábitos que surgieron entre los millones de campesinos rusos con el avance de la revolución burguesa en Rusia. Tolstoy es original porque sus conceptos, nocivos en conjunto, expresan en su totalidad precisamente la característica distintiva de nuestra revolución: la de ser una revolución burguesa-agraria. Entendido así, las contradicciones en los conceptos de Tolstoy son un reflejo de las condiciones históricas contradictorias que limitaban las actividades de los campesinos en nuestra revolución. Por otra parte, los siglos de opresión feudal y los decenios de ruina acelerada después de la reforma[2] acumularon montañas de odio, cólera y resoluciones desesperadas. El esfuerzo para acabar con la Iglesia del Estado, los terratenientes y el gobierno feudal; para destruir todas las viejas formas y sistemas de la propiedad terrateniente; para expurgar el país, para crear en lugar del gobierno de clase policíaco, una comunidad igualitaria y libre de pequeños campesinos, corre como un hilo a través de cada paso histórico dado por los campesinos en nuestra revolución; y sin duda, el contenido ideológico de los escritos de Tolstoy corresponde mucho más a esta lucha de los campesinos que al abstracto “anarquismo cristiano” que se pretendió deducir como un “sistema” del conglomerado de sus conceptos.

Por otro lado, los campesinos, esforzándose en buscar una nueva forma de vida social, tenían una concepción extremadamente vaga, religiosa y patriarcal del tipo de vida social que anhelaban, del método de lucha conducente a conquistar su libertad, de la clase de dirigentes que esta lucha requiera, de la actitud que la burguesía y la intelectualidad burguesa habrían de adoptar con respecto a los intereses de esta revolución agraria, y del por qué un derrumbamiento violento del poder zarista, era una condición previa indispensable para la expropiación de los grandes latifundistas. Toda la vida pasada de los campesinos le había enseñado a odiar a los terratenientes y a los funcionarios del gobierno; pero no les enseñó, ni podía enseñarles adónde ir a buscar una respuesta a todas estas cuestiones. En nuestra revolución, sólo una minoría de campesinos se organizó y luchó efectivamente en grado apreciable por la revolución; y solamente una pequeña minoría tomó las armas para aniquilar a sus enemigos, para aniquilar a los lacayos zaristas y a los defensores de los terratenientes. ¡La mayoría del campo lloraba y rezaba, moralizaba y divagaba, escribía peticiones y cursaba “solicitudes” completamente de acuerdo con el espíritu de León Nicoláievich Tolstoy! Y como ocurre siempre en estos casos, la abstención tolstoiana de la política, la abjuración tostoiana de los políticos, tuvieron por resultado que sólo una minoría se aliara al proletariado consciente y revolucionario, en tanto que la mayoría fué presa de los intelectuales burgueses sin principios y serviles que, con el nombre de cadetes, abandonaban las reuniones de los truviks, se reconciliaban con ellos, hasta que, por último, fueron arrojados de un puntapié por la bota de los soldados. Las ideas tolstoianas son un espejo de las debilidades y las deficiencias de nuestro levantamiento campesino, un reflejo de la flojedad de la aldea patriarcal y de la innata cobardía del “mujik frugal”.

Tomemos por ejemplo los motines del ejército en 1905-1906. Estos combatientes de nuestra revolución representaban socialmente un intermediario entre el campesinado y el proletariado. Como este ultimo estaba en minoría, el movimiento en el ejército no alcanzó nunca, ni con mucho, el grado de solidaridad evidenciando en Rusia, ni nada semejante a esa conciencia de clase que el proletariado manifestó cuando se convirtió en socialdemócrata como obedeciendo a una señal. Por otra parte, nada hay más erróneo que la opinión de que el fracaso de los motines se debió al hecho de que no eran los oficiales quienes los dirigían. Por el contrario, el progreso gigantesco que ha hecho la revolución desde los días de la Narodnaia Volia se demuestra precisamente por el hecho de que la “tropa ignorante”, cuya independencia espantaba tanto a los terratenientes y oficiales liberales se alzó en armas contra sus oficiales. El soldado sentía gran simpatía por la causa de los campesinos; sus ojos brillaban al oír hablar del trabajo del campo. Más de una vez, la iniciativa en el ejército estaba en manos de las masas de soldados, pero en la práctica no se hacia empleo resuelto de este poder. Los soldados vacilaban. Después de algunos días -a veces de algunas horas-, luego de haber fusilado a un comandante odiado, libertaban a los otros, negociaban con las autoridades e iban quedamente camino de la ejecución, o, doblando su cuerpo bajo el látigo, se uncían una vez más al yugo, ¡completamente dentro del espíritu de León Nicoláievich Tolstoy!

Tolstoy reflejó el odio acumulado, la aspiración madura a una vida mejor, el anhelo de desembarazarse del pasado, y, asimismo, la inmadurez, el espíritu contemplativo, la inexperiencia política y la flojedad revolucionaria de las aldeas. Las condiciones histórico-económicas explican la inevitabilidad del surgimiento de la lucha revolucionaria de las masas para la lucha y también esa tolstoiana no resistencia al mal, que fué la causa más seria de la derrota de las primeras campañas revolucionarias.

Se ha dicho que los ejércitos vencidos aprenden mucho. En realidad, sólo en una medida muy limitada puede hacerse una comparación entre una clase revolucionaria y un ejército. El derrumbamiento del capitalismo transformara y agudiza a cada instante las condiciones que impulsaron a los millones de campesinos, unidos por el odio a los terratenientes feudales y a su gobierno, a una lucha democrático-revolucionaria. Entre los mismos campesinos el incremento de las transacciones, la dominación del mercado y el poder del dinero desplaza cada vez más al patriarcalismo anticuado y su ideología filosófica[3] afín. Pero los primeros años de la revolución y las primeras derrotas en la lucha de masas revolucionaria realizaron sin duda algo. Asestaron el golpe mortal a la blandura y flojedad existentes a un tiempo entre las masas. Las líneas de demarcación se han acentuado. Se han establecido fronteras entre los partidos y las clases. Bajo el martillo educador de Stolypin se desarrollarán inevitablemente, a través de la inflexible y consecuente agitación de los socialdemócratas revolucionarios, no solamente de entre el proletariado socialista, sino también de entre las masas democráticas de los campesinos, cada vez luchadores más templados, dispuestos cada vez menos a caer en el pecado histórico del tolstoianismo.

Proletario. N° 35, 11 (24) de septiembre 1908.
(Reproducido según el texto del Proletario, confrontado con el original)

NOTAS

(1) Del poema de Nekrasov “Quién vive bien en Rusia”
(2) Alusión a la abolición de los siervos en Rusia (1861)
(3) En el manuscrito “tolstoiano”.

Articulo elaborado por Lenin en septiembre de 1908 y publicado en el Proletario, extraído del folleto “V. I. LENIN, Sobre la religión”, elaborado por el Instituto Marx-Engels-Lenin de Moscú y reproducido en su integridad por la Editorial Problemas, Buenos Aires Argentina en 1945.


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el 12 de abril es el dia del optimismo global

Como la piedra angular de la sociedad moderna es el “mercado”, es lógico que hoy día todo el mundo se haya vuelto loco con el consumismo: cada uno quiere tener un todoterreno negro y grande, ser escoltado por una Pamela Anderson (las relaciones sexuales se han hecho objeto de consumo, no es ningún secreto). De todos modos ahora es difícil imaginar que las cosas puedan andar de otra manera.

La vida está centrada hacia la calidad de satisfacción del estómago y el sexo. Pero no siempre ha sido así, tenemos muchos ejemplos de otros sistemas de valores.

Los mismos soviéticos trataron de inculcar otros principios: la piedra angular de su sociedad fue la “universidad”. Nuestras películas se trataban de las proezas científicas e hicimos nuestros héroes a los cosmonautas.

La idea del avance científico se encarnó en el descubrimiento del cosmos. Escribiendo estas líneas entiendo cuán lejos de esto estamos ahora: tan lejos, que suena un poco aburrido, igual que la problemática de la escritura maya (ojalá que no sea así).

Sea como sea: la gente soviética estaba loca por las ciencias. El mundo que nos rodeaba era todo una llamada a estudiar, descubrir y humanizar. La vida estaba centrada hacia el cosmos (tanto exterior, como interior: casi en cada ciudad, a la par de un teatro dramático el otro lugar de primera importancia era un planetario). ¡Es que no siempre hemos tomado tanto vodka como se ha estado haciendo desde los 90’s!

Igual que la defensa de la agresión occidental, el cosmos se convirtió en el motor de la economía y de la propaganda soviética. Y esto no fue tan caro como suelen repetir los regresistas (en los 80 circulaba la idea de que los dispendiosos programas cósmicos impedían a los ciudadanos soviéticos disfrutar de la observación de las centenas de marcas del salchichón en el almacén).

Para demostrarlo, voy a citar el artículo “¿A dónde va la cosmonáutica soviética?”, publicado en la revista de la Asociación “Ciencia” en la serie “Cosmonáutica, astronomía”,№4, de 1994:

“…en el producto nacional bruto de 1989 los gastos para el cosmos fueron solamente un 0,26%. Para la comparación notamos que esto es 10 veces menor que los gastos de un solo Ministerio de recursos hídricos en el mismo año y 5 veces menor que la ayuda prestada gratis por la Unión Soviética a otros países en este año.

[…]

En el año financiero 1989 para los programas cósmicos en nuestro país fueron asignados 6.9 mil millones de rublos: 1.7 mil millones – para los objetivos de la economía popular y para los de investiación y 3.9 mil millones para los objetivos defensivos. Los trabajos del proyecto “Burán” costaban 1.3 mil millones de rublos.

[…]

En 1988 la ganancia obtenida de la realización de estos programas fue unos 2 mil millones de rublos. Es importante subrayar las direcciones de las investigaciones cósmicas para la economía popular de las cuales fue obtenida la ganancia.

Según los datos del Ministerio de Comunicaciones, el efecto económico de la explotación de los sistemas de los satélites “Órbita”, “Ekrán” y “Moskvá” fue de 540 millones de rublos. Los sistemas de satélites meteorológicos permiten reducir el daño causado por los fenómenos naturales, aproximadamente por 500-700 millones de rublos al año. Las investigaciones complejas de la materia prima desde el cosmos dan el efecto económico de 350 millones de rublos cada año. Según las estimaciones de la Agencia Principal del Cosmos de la URSS, en un futuro cercano este efecto iba a crecer hasta mil millones de rublos. Las fotos cósmicas, por ejemplo, permiten aliviar la búsqueda de los nuevos yacimientos de materia prima y aseguran la disminución del costo de los trabajos de la prospección geológica regionales por 15-20%. La cartografía cósmica da la posibilidad de la óptima selección de las variantes más económicas y más seguras ecológicamente de los proyectos de construcción civil y industrial. Según las estimaciones, un rublo de los gastos en las fotos cósmicas da la ganancia de 5 rublos.

[…]

En 1988, las ganancias obtenidas por los renglones pacíficos del presupuesto de cosmonáutica superaron por primera vez los gastos para ellos (recordemos las cifras: 2 y 1.5 mil millones respectivamente).”

Ya han notado ustedes, que los rusos no usamos las palabras “espacio”, “espacial” (“space” en inglés), etc. – preferimos “cosmos” y “cósmico”. “Cosmos” lleva en sí algo más serio, incluso sagrado, que el más utilitario término “espacio”. “Cosmos” fue el núcleo del proyecto soviético, fue el desafío metafísico de la URSS. Les quiero recordar las ideas de los primeros filósofos-cosmistas: “vencer la muerte” (Fyodorov), colonizar los sistemas de otros soles para el tiempo, cuando el sol nuestro empiece a morir (Tsiolkovski).

Y por supuesto, había que escupirle mucho a nuestro cosmos para borrar este concepto de la conciencia rusa. Aparecieron los libros que ridiculizaban nuestro cosmos, libros que nos explicaron que nuestras naves cósmicas eran simplemente una chatarra y los pobres cosmonautas-esclavos se vieron obligados a pedalear mucho para hacer esta chatarra despegarse de la tierra (Víktor Pelévin). Los libros inspiraron a los “mejores” directores de cine y últimamente nos filmaron algo de “cine cósmico”, cuya tarea principal es desacralizar nuestro cosmos: Los primeros en la Luna (Первые на Луне, un mockumentary!), Un soldado de papel (Бумажный солдат), etc. La trama siempre es la misma: el protagonisa es un esclavo perdido, perplejo, apretado en la prensa de un estado totalitario, que participa en el llamado “proyecto cósmico soviético”, es decir en la fabricación de los llamados cohetes cósmicos a base de estiércol, en los cuales los cosmonautas vuelan irrevocablemente, pedaleando los mecanismos antediluviales con el fin de destruir el planeta…

No es sorpendente que en los 90’s los seguidores de Boris Yéltsin al pie de la letra echaran el transbordador cósmico “Burán” a la calle – unos artículos de Burán fueron destruidos, uno está en conservación (semiconstruido), un “Burán” está en el museo de Baikonúr (Kazajstán), una maqueta de entrenamiento está en el museo de Speyer (Alemania), el otro estaba muchos años en el Parque Gorki. El último – el “Burán”-moscovita – era un “Burán” callejero, un recuerdo de nuestro pecado capital, él nos observaba desde la orilla del río Moscova, preguntando: “¿Qué hicieron conmigo, canallas?”. – No hicimos nada, – respondían los moscovitas, – solamente te echamos a la calle, ahora nos interesa la putería cósmica, ¡esto es el verdadero negocio – TU-RIS-MO ES-PA-CI-AL! En 2014 el Buran-moscovita fue mudado para el Parque VDNKh (la feria de los lógros de la economia popular), su prestigio fue recuperado, ahora es un museo interactivo. No obastante, el proyecto del Buran esta muerto. Como también hicimos morir la estación “Mir” – en 2001.

Los logros de la cosmonáutica soviética son indiscutibles: la NASA usa nuestras naves “Soyuz” para transportar las cargas y sus “astronautas” a la Estación Espacial Internacional, comra nuestros motores de cohétes, que aun son muy efectivos y bastante económicos.

Y a pesar de que el cosmos ruso no viva los mejores años, todavía en Rusia quedan los entusiastas del renacimiento del proyecto cósmico. Unos ofrecen, por ejemplo, trasladar la capital rusa de Moscú a la ciudad Svobodni, situada en el Lejano Oriente – la ciudad es famosa por la idea de construir allí un nuevo cosmódromo (en vez de Baikonur, que se quedó en Kazajstán y que alquilamos), y el cosmódromo en Svobodni – Vostóchniy, según unos expertos, podría ser un nuevo punto de aglutinación de nuestras heridas, otra vez la industria cósmica podría volver a ser el motor de nuestra economía. El grupo gobernante de Vladímir Putin apoya esta idea en palabras y a pesar de los desvios bochornosos del dinero dirigido a la construcción del cosmódromo, la obra anda a todo vapor. Además esta planeada la consturcción de una nueva ciudad al lado del cosmódromo – Tsiolkovski – en honor del fundador de la cosmonáutica mundial – cientifico ruso Konstantin Tsiolkovski.

Hay otras señales de la vida del “cosmos ruso”: el proyecto Marte-500, que tiene que demostrar la posibilidad del viaje al planeta rojo, el proyecto de un motor nuclear para los viajes interplanetarios, etc.

Lo principal es guardar la memoria sobre nuestro cosmos, y para esto ya hicimos algo –me refiero a la reconstrucción del Museo Memorial de la Cosmonautica en Moscú. A veces nuestro museo se compara con sus hermanos de Inglaterra o de EE.UU. ¡Por favor! ¡El nuestro es el mejor! ¡Vengan y asegúrense!


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ladrones en la ley en vias de legitimación

De la mafia rusa no se sabe mucho: la bratva (hermandad) no se preocupó por tener una buena imagen en el extranjero – los rusos no filmaron su análogo de “El padrino” con 3 Oscars para que todo el mundo los amara por su crueldad. Por supuesto es sabido que la mafia rusa existe, que es terrible y todopoderosa, que los capos rusos venden secretos nucleares de la URSS por todo el planeta, etc. Pero sin hablar de las patrañas sabemos muy poco. Parece que los italianos lograron nacionalizar este tema – y si, es verdad que la historia de Cosa Nostra es muy romántica (me refiero a la lucha contra Mussolini, gestionada por la CIA, neutralización del movimiento sindicalista, Comissario Cattani, etc.). También tienen éxito los japoneses – en gran parte gracias al cineaste Takeshi Kitano. Incluso escuchamos algo sobre las maras salvadoreñas (solo porque el fotógrafo que las sacó a luz fue asesinado por ellas mismas). Conquistaron la fama mundial los carteles de Colombia y Mexico. Mientras la mafia rusa es algo incomprensible, un término desenfocado, como la misma Rusia: 140 millones de los Valuev medioborrachos, pervertidos por el comunismo y perdidos entre los abedules.

Sea como sea el tema de la delincuencia en Rusia, donde hasta no hay estadística exacta sobre la cantidad de los niños vagabundos, es bastante actual. Basta con decir que una de las series más populares de aquí se llama “El Petersburgo bandidesco”, cuando la emisora de radio más “querida” por nuestros taxistas es “Chansón” (esta palabra francesa en ruso también tiene significado «canción de rateros») – los pasajeros hasta se han visto obligados a inventar un dispositivo especial para neutralizar las ondas de la emisora de ratería, mientras viajan en taxi o colectivo: el dispositivo se llama “Anti Chansón”. No obstante, los cantantes de ratería son tan populares, que incluso organizan sus aquelarres en el Gran Palacio del Kremlin. Las peliculas de largo metraje sobre bandidos baten todos los records de popularidad: “Brigada” (filme de 2002, saga épica, que canta una agrupación criminal, actuando de 1989 a 2000), “Bimmer” (2003), etc. Hace algunos años en Moscú funcionó un club nocturno, llamado “Zona” (zona en ruso también significa “chirona”), el club fue diseñado como si fuera una cárcel: en el piso bajo el cristal corrían las ratas, aparecían y desaparecían los guardias con fusiles, por todas partes estaban las rejillas y alambradas.

No cabe dudas que la causa principal de la criminalización masiva se radica en la economía: es que simplemente no hay trabajo digno. Y segundo, la amnistia del Gulag político trajo consigo la amnistia de lo criminal en absoluto. En resumen la sociedad fue infectada por la cultura criminal.

Se rumoriza que en los 90 los niños de secundaria escribián en las encuestas, respondiendo a la pregunta “¿Que quiero ser?” – “matón profesional” o “prostituta”. Parece que eso sea una tendencia bien generalizada para los paises periféricos y para el capitlismo como tal: “pues si estamos en la guerra de todos contra todos, alistenme como sicario”. La profesión de prostituta se volvió muy popular después de la pelicula “Interdevochka” de 1989, que cantaba la vida de las prostitutas elitistas en el Occidente.

Con otras palabras mientras Moscú defiende el título de la ciudad más costosa y más segura del mundo, en el resto del país aumenta el porcentaje de los delitos graves, y obviamente, la origen de la mayoría de los delincuentes no es ningún secreto: son procedentes de las familias desafortunadas de la otrora clase trabajadora, cuya movilidad social hoy se quedó paralizada. Y esto es uno de los mayores costos de la Terapia de Choque, aplicada en los 90.

Con esto los criminales de los 90 más exitosos oficialmente llegaron a ser los peces gordos del mundo de negocios al convertirse en todo un ejemplo positivo para las siguientes generaciones. Nuestros jubilados suelen denominar las reformas de Yeltsin como una “revolución criminal”, y el sentido de esta metáfora se reduce a lo que como resultado de la transformación del estado en unas companías gasopetroleras – clientes del Occidente, el vacío del poder en el país fue llenado con los autoridades – ladrones en jefe. A veces tales estados también se llaman “estados piratas”. ¡Pero ojo! Hablamos de una metáfora, que no explica toda la complejidad de la situación. Sin embargo la cuestión de la legitimación es de véras una de las claves para la élite rusa de hoy.

Si de verdad los nuevos elitarios quieren asumir la responsabilidad por una sexta parte de la Tierra, tendrán que acabar con la delincuencia, apretar las clavijas y restableser el estado, no en calidad de una enorme corporación privada con el fin de ganar dinero, sino en forma de la máxima expresión de los intereses del pueblo. En este sentido necesitamos un programa nacional al estilo “Anti Chansón”.

Obviamente en los 90 todo se volcó en Rusia y durante los disturbios al poder subió el “fondo”, el “bajo”: los últimos se volvieron los primeros. Y si en el campo de lo espiritual dominaron los sectarios del liberalismo, en el campo de lo material – la hampa, que fue la infantería de reformas. Pero esperamos, que la época de disturbios se haya acabado y que hoy el gobierno de los-ladrones-hartos-de-robar ya necesite tapar los huecos en el tejido del poder.

Porque naturalmente la delincuencia en Rusia hace al Occidente el caldo gordo: al extranjero se va el dinero muy grande, de esta manera alimentando la economía occidental y debilizando la nuestra. La Wiki en español especifica la alimentación criminal de Israel (no es casual, porque la mafia rusa sin dudas tiene muchos códigos judios en su genotipo, que se manifiesta hasta al nivel de la jerga (“fenia” en ruso), cuyo nucleo forman palabras que provienen del yiddish).

Para entender la matriz de la mafia rusa hay que dirigirse al modelo del mundo criminal, forjado en el período del Gulag. La “zona” es un espejo deformante de la sociedad, no obstante hasta el mundo de “no libertad” para superar el caós necesita la jerarquía y cierto orden, aunque sea un orden inverso. Aquí los líderes suelen ser los peores – el poder supremo en las carceles rusas pertenece a los “ladrones en la ley”.

La comunidad de ladrones es lo que estaba “detras del espejo” de la vida normal. La gente trabajadora tenía el Buró político, Pleno y Congresos del PCUS, mientras el “ogranismo legislativo” de la hampa fue la junta de los ladrones en la ley. La gente tenía el Ministerio de Hacienda, mientras la hampa para eso tenía “obshak” (“caja de ladrones”, “caldera”, etc.). El mundo antisocial copiaba los mecanismos del mundo social, pero negaba el poder del estado, su enemigo principal. Y en este sentido es interesante, que los más perversos de los ladrones en la época de post guerra en su tatuaje incluso llegaban hasta el uso de los símbolos nazi – los tatuajes con esvástica y por el estilo fueron adquiridos de los presos, que durante la guerra apoyaron a Hitler, luchando en el ejercito de Vlasov. Eduard Limonov en su libro “Por las carceles” cita el recuerdo de uno de sus compañeros de celda sobre las bromas que gastaban los presos menores de edad aun en los 80. Así, durante las aulas, el jefe de los adolescentes podría gritar a voz en cuello: Chavalillos, ¿quien es su padre? Y los chavalillos respondían como un solo hombre: ¡Adolf Hitler! – ¿Y quien es su madre? – ¡Eva Braun! Asi los jovenes crimenales suspendían las aulas.

Según una de las versiones los ladrones en la ley se eligían “democraticamente”, es decir que la zona misma elegía a sus “padres-comandantes”. Pero también muchos especialistas opinan que a los ladrones en la ley los nombraban en la NKVD (la policia secreta) – así, manipulando a los ideólogos de la zona, la NKVD facilitaba el trabajo para mantener el orden en los campamentos.

De todos modos, la institución de los ladrones en la ley llegó a ser la cúspide de las disputas duraderas entre “urki”, “zhiganí” y otros movimientos “ideológicos” dentro de la hampa. En resumen, como cree el criminólogo Alejandro Gurov, se formó el siguiente código de los ladrones en la ley (una especie de la constitución para un “estado al revés”):

1. La obligación principal de cada miembro de la agrupación es apoyar sin reservas la “causa ladronesca”. No puede ser justificada la traición, incluso la que fuera hecha bajo las torturas o en el estado de embriaguez narcótica o de trastorno psíquico. Al ladrón le esta prohibido participar en actividades de servicio a la sociedad y en la etapa inicial le esta prohibido tener familia y mantener relaciónes con los parientes.
2. La segunda regla prohibe al ladrón tener cualquier contacto con los ógranos de mantenimiento del orden público, excepto los casos, vinculados con el sumario y juzgado.
3. La tercera exigencia prescribe a los miembros de la comunidad ser honestos y respetuosos entre sí. Y por lo que concierne a aquellos, que no forman parte de la casta, se permite hacer respecto a ellos lo que a los ladrones en la ley les dé la gana con el fin de fomentar la autoridad de la agrupación. No en vano los ladrones en la ley se consideraban los príncipes de la hampa.
4. La cuarta regla obliga a los ladrones en la ley controlar el orden en las zonas, imponiendo allí el poder absoluto de los ladrones.
5. El quinto punto de la “ley” requiere de los ladrones a involucrar en su ambiente a los nuevos miembros. Por eso los ladrones en la ley trabajan mucho con los jovenes, sobre todo, con los menores de edad. A los principiantes los seducen con “lo romántico de rateros”, con la “vida dulce”, libre de obligaciones ante la sociedad, con el poder de dinero y con el culto de violencia. Los habituan al vodka y droga, llevan a las prostitutas de rateros. De otro lado, los golpean y chantajean, hacen tomar la culpa por los crimenes, hechos por ortos ladrones. Lo último por poco no sea el motivo principal de la incorporación de la juventud. Los miembros de agrupación usan los candidatos (“chavales”) para misiones diferentes – para recolectar el dinero a la caja común (“obshak”) y no de vez en cuando – con fines sexuales. Esto hace a los futuros ladrones cínicos, crueles y despreciativos con los valores sociales.
6. La sexta regla prohibe a los criminales interesarse de las cuestiones de política, leer periodicos, presentarse como siniestrados o testigos durante los sumarios o juzgados.
7. El punto “de principio” fue la habilidad obligatoria del miembro de agrupación de jugar a los juegos de azar. Los juegos facilitaban la comunicación, establecimiento del poder sobre otros presos, de los cuales los ladrones podrían ganar no solo las propiedades, sino la vida – así los ladrones forman sus grupos de los “kamikaze” para cumplir las misiones especiales.

Entonces se puede ver que los ladrones en la ley son parástios absolutos, los zánganos, cuya tarea es fecundizar la “madre Zona” con el fin de la reproducción de nuevos cuadros para el “movimiento negro”. Así fue el modelo en el período soviético, cuando la delincuencia estaba bajo la máxima represión.

Para ilustrar el funcionamiento de esta ideología les voy a contar tal episodio como la “Guerra de las perras”. Durante la Gran Guerra Patria una parte de los ladrones respondió a la llamada de la dirección del país – a lavar la culpa con sangre. Así fueron formados las “divisiones de rotura”, por supuesto, acompañadas por las tropas de la NKVD. Pero una vez acabada la guerra los ladrones profesionales volvieron a su oficio y respectivamente volvieron a las carceles. No obstante al haber violado el código, “colaborando” con el poder mediante la participación en la Guerra Partia, ellos perdieron su autoridad y ya no eran bienvenidos en las cárceles. Los ladrones en la ley de la “antigua formación” los consideraron renegados – “perras” y les puseiron el apodo “fusileros”. Así se desató la guerra entre los ladrones-“nepmanes” y los ladrones-veteranos. Como resultado de esta guerra el código de hampa algo se liberalizó.

Ultimamante a medida de la “amnistía” de lo criminal el modelo vivió los cambios aun más fuertes – se puede decir que las “nociones criminales” pasan la erosión. En los 90 surge tal categoría de los capos como “criminales sin limites” – les importan un pepino todas las tradiciones y conceptos de los ladrones en la ley. Tampoco reconocen las reglas de los ladrones en la ley ciertas agrupaciones étnicas – las de los mismos chechenos, por ejemplo.

Entonces, la idea de los ladrones en la ley hoy día está en decadencia, el mismo “título” del ladrón en la ley ya se puede conseguir por el dinero. Como lo hacen con frecuencia los georgianos, a estos ladrones-impostores les suelen llamar “mandarinas” (en la extinta URSS las mandarinas tradicionalmente cultivaban en Georgia/Abjazia). Esto también explica en parte la gran cantidad de los apellidos georgianos en todas las listas posibles de los ladrones en la ley.

También caducan los tatuajes de los rateros – sobre esto ya han escrito bastante: pueden consultar los links 1 y 2

Según los datos del Ministerio de los asuntos internos en la capital y en la provincia de Moscú siguen actuando permanentemente unas 50 agrupaciones, encabezadas por los ladrones en la ley. En total para Rusia son de unas 300 a varias mil, según las evaluaciones de los diferentes expertos. Se sabe que Viachesláv Ivañkóv, apodado de Yaponchik (pequeño japonés), arestado y jusgado en EE.UU. durante el pleito pagaba a 3 abogados suyos mil dólares por hora. Así se puede imaginar las rentas de la mafia rusa.

En resumen quiero decir que el “movimiento negro” del banditismo ruso no proviene solamente del Gulag, donde la mayoría aplastante de los presos fueron los criminales comunes y NO POLÍTICOS, donde se forjó el código de los ladrones en la ley, sino también el movimiento criminal tiene sus raices en lo más profundo – en la famosa rebeldía, en el anarquismo intrínseco de los rusos. La delincuencia rusa de hoy en cierto sentido es un eco lejano de las revueltas campesinas, encabezadas por Steñka Razin, Emelián Pugachov, etc. – como dijo nuestro poeta Pushkin: “Dios nos libre de una insurrección rusa, insensata y despiadada”. Se trata también del mundo de la cárcel rusa, donde ésta “insurrección insensata y despiadada” permanece en una forma comprimida hasta el “estado al revés”. Y también se trata de los 90, que también fueron los años de la “insurrección rusa” criminal.

Los germenes de la rebeldía noble en los criminales explican porque la imagen del preso en nuestra cultura siempre es imagen de la víctima, que inspira la compasión. Aquí tienen un verso de uno de nuestros poetas más populares Sergio Esenin:

“Solo un sueño tengo en secreto,
Que de corazón soy puro como nadie
Pero igual yo mataré a alguién
Un otoño triste en la calle…”


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Remeros del rio Volga

1331202361_burlaki-na-volge“…El cuadro de Répin “Remeros del rio Volga” (1871-1873, Museo Estatal Ruso) es una combinación de dos tradiciones épicas: de la tradición etnográfica de Vereshchágin y de la tradición ética de Kramskoi; para decir con más precisión, es una narración del trama de Kramskoi en la lengua de Vereshchágin.

Primero, “Remeros del rio Volga” se perciben más bien como un sensacional circo etnográfico (Vereshchágin incluso tiene un bosquejo de remeros). Es verdad, que los remeros – es un trama típico propio a la “serie de Turquestán” de Vereshchágin, es una crítica de la barbariedad de costumbres: el uso de la gente como bestias de carga es tan salvaje como esclavitud y calabazos, los derviches y los come-opio (los que comen opio). Desde este punto de vista Rusia, que pretende llamarse un civilizado estado europeo, de hecho resulta ser un país “oriental”, el que si no es sujeto a una conquista, por lo menos es sujeto a una reformación radical. Por supusto, es una visión de un observador  extranjero, reportero (o periodista político), turista. Y parece que los “Remeros del rio Volga” esten destinados justo para los espectadores extranjeros. En parte esto se comprueba con la popularidad de los “Remeros” en las Expo Mundiales de 1873 y 1878 (en 1873 en Viena ellos reciben el reconocimiento en forma de una medalla de bronce “Por el arte”). Según memorias del mismo Répin, el dueño del cuadro, que fue el gran príncipe Vladímir Alexándrovich, solía quejarse de lo que la “pared siempre esta vacia”, ya que le “constantemente piden el cuadro para las diferentes exposiciones extranjeras”.

Sin embargo los “Remeros” también pueden ser interpretados éticamente y de modo idealista, en el espíritu de Kramskoi y Yaroshenko, como una comunidad, como un “coro” (multitud de “guardabosques” y “fogoneros” – son cuadros de Kramskoi y de Yaroshenko respectivamente). <…> Tal interpretación del pueblo ruso abarca no solo su fuerza física sino tamibén su humildad, con esto no se trata de humildad resignante, melancólica y desesperada, como en “La última taberna a la entrada a la ciudad”, sino de la humildad tranquila, que somete al hombre – y al pueblo en su integridad – a las leyes eternas de la naturaleza, universo y destino. <…> …El remero remolcando una interminable barcaza travez de los milenios de la historia es la encarnación del hombre ruso par excellence, una metáfora universal.

Lo que en el contexto de Vereshchágin se interpretaba “negativo” (etnograficamente): tanto la tranquilidad épica, como la épica distancia, en el contexto de Kramskoi puede ser interpretado “positivo” (éticamente); en realidad cualquier opinión sobre los “Remeros” es justa. La habilidad de Répin de crear una fórmula universal del gran estilo conveniente tanto al poder como a los intelectuales liberales y a los extranjeros (con sus mitos de Rusia) es asombrosa”.

Extraido  del libro de Alexei Bóbrikov “La otra historia del arte ruso”.