Mikhail Príshvin, 1919

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Mikhail Príshvin, 1919

Bate-papo com um cínico (extraído do livro de Mikhail Príshvin “Cálice Mundana, o ano 19 do século XX”):

– Crucificação é um negócio rápido, sofreu umas horas e morreu. Igual ao nosso tempo em que movem o ponteiro de relógio e acham, que toda a vida muda por isso. Assim é crucificação, ela vai com um tempo rápido, de jeito soviético, quando a vida vai de jeito do sol, devagar, é um trabalho lento, deixa-nos descansar um pouco, mas em seguida volta a apertar-nos – há de estar sempre em um ponto: está cravada uma estaca e eu estou atado a ela, como um torito… Cristo só andava, ensinava e foi crucificado, mas ele não trabalhava. Isso! Vocês não leem o Evangelho, precisam ler mais. Em nenhum lugar aí não foi dito, que Ele estava sentado e trabalhando, só andava e ensinava

– E não salvou?

– Ele foi solteiro, sem filhos e não trabalhou, não é um exemplo para gente, nossa vida passa mais nos dias úteis, quando Ele tinha só festas. Seu caminho de salvação é impossível para gente.

– E vivem sem ser salvados?

– Grande maioria da gente não precisa disso: se dá pão – diremos: Graças a Deus! Não dá pão – há de aguentar. E vocês /os intelectuais/ não podem aguentar, se lhes tocou a dificuldade – vocês em seguida ligam para Cristo: isso é sua debilidade e o engano de orgulho, porque vocês não querem trabalhar, só querem andar, ensinar, sonhar…